Planilha não tem fonte confiável, denuncia ex-presidente do Ippuj

Sem ter dados exatos sobre os custos dos insumos, do movimento de passageiros, entre outros índices, o prefeito Carlito Merss (PT) está em vias de assinar o aumento nas tarifas do transporte coletivo baseado em uma planilha de custos formulada pelas empresas.

“A planilha de custos do transporte coletivo exposta no blog da Prefeitura não tem qualquer instrução que permita a sua compreensão e análise. Nem mesmo especialistas podem avaliar esta planilha sem uma fonte confiável de dados. Ela por si só não significa transparência, são apenas números aplicados a uma planilha matemática”, criticou o ex-presidente do Ippuj Sérgio Guilherme Gollnick.

Gollnick se refere ao método de cálculo utilizado pelas empresas. Trata-se de um sistema que determina o reajuste da tarifa dos transportes urbanos na maioria dos municípios brasileiros, o Geipot. Nesse aplicativo, são inseridos dados como o número de passageiros, salários pagos, preço do combustível entre outros dados e o sistema calcula o valor da tarifa.

É aí que está o problema. Segundo Gollnick, itens como quilometragem percorrida, tipo e condições dos veículos em operação, número de passageiros, índices de consumo e outros dados, que só podem ser obtidos com acompanhamento sistemático e permanente, não são fiscalizados pelo município. “Acompanhar a evolução de tudo que tem a ver com o custo de um serviço público é uma obrigação do poder concedente”, completa o arquiteto.

A Secretaria de Infra-estrutura (Seinfra) admite que a planilha publicada no site é das empresas e que não tem controle, muito menos fiscalização sobre todos os dados do sistema. “Não há mecanismos para essa aferição. Porém, estamos estudando e com certeza vamos criar ferramentas para esse controle”, afirmou o secretário Nelson Álvares Trigo.

Cálculo deve ser feito pela Prefeitura, diz lei

A Lei nº 3806/98, sancionada pelo ex-prefeito Luiz Henrique da Silveira (PMDB), que permitiu a prorrogação da concessão dos serviços para as concessionárias Gidion e Transtusa não deixa dúvidas quanto ao assunto. O artigo 25 traz o seguinte texto: “O cálculo da tarifa será efetuado com base na planilha de custos elaborada pelo Município e levará em conta o custo por quilômetro rodado e o índice de passageiros por quilômetro (IPK), atualizados”, itens que a Prefeitura alega ainda não ter sob seu controle.

Ilegalidade

Caso conceda o reajuste pretendido pelas empresas, sem produzir a sua própria planilha de custos, o prefeito Carlito Merss estará cometendo uma ilegalidade. Desde fevereiro, a Prefeitura disponibiliza em seu site um estudo denominado “Cálculo do Custo do Passageiro Transportado” que, apesar de ser timbrado com o brasão do município de Joinville, foi produzido pelas empresas concessionárias do transporte coletivo.

“Até onde eu sei, a planilha que foi publicada é das empresas. Curiosamente, o timbre da planilha que está publicada não é das empresas solicitantes e sim o brasão da Prefeitura. Afinal, de quem é a planilha?”, questiona Gollnick, que já esteve à frente das secretarias do Planejamento e de Negócios do Governo na gestão do prefeito Wittich Freitag.

Freitag tinha o controle, diz arquiteto

O ex-prefeito Wittich Freitag foi uma das personalidades de maior respeito no cenário político municipal. Austero como gestor público, ele fazia questão de controlar tudo na ponta do lápis antes de tomar alguma decisão. Não foi à toa que ele foi considerado um dos melhores prefeitos do país.

O arquiteto Sérgio Gollnick lembra que na primeira gestão Freitag (1983-1988), o transporte coletivo passou por uma verdadeira revolução. “Pegamos um sistema de transporte desestruturado, decadente, ônibus velhos, falta de investimentos e nenhum planejamento. Foram várias as ações determinadas pelo Freitag”, lembra.

“Viabilizamos a renovação da frota (ônibus amarelos) e ainda assim tínhamos umas das mais baratas tarifas do país. Tínhamos uma estrutura de fiscalização eficiente cuja avaliação podia se dar pelo número de autuações, multas e notificações feitas às empresas concessionárias. Isto tudo permitia ter controle sobre o custo e o sistema”, completou o arquiteto.

Dando as cartas

Para Sérgio Gollnick, há algum tempo as grandes definições estratégicas do sistema de transporte coletivo vêm das empresas concessionárias. “A Prefeitura, através do GTrans, faz uma espécie de debate, mas no fim homologa as propostas ali discutidas num fórum onde apenas os concessionários têm assento. Os usuários e o empregadores que pagam e são o objetivo final não têm voz”, comenta.

“O Poder Público tem sido relapso no papel de regulador e executor de políticas públicas de mobilidade urbana”, afirma.

As contradições de Carlito

Desde o início de seu mandato, o prefeito Carlito Merss insistia para que a planilha de cálculo das empresas fosse divulgada para dar “mais transparência” à discussão. Após publicada, Merss chegou a admitir que o documento era complexo e de difícil compreensão.

Em artigo publicado no jornal Notícias do Dia, de 16 de fevereiro, Carlito Merss admite que “simplesmente colocar a planilha ali, aparentemente não mudam nada as discussões. Isso porque são tabelas técnicas, difíceis de entender. Há os que dizem que a elaboração seja justamente para dificultar o entendimento por parte das pessoas, leigas na maioria”, escreveu.

Estranhamente, dias depois, em entrevista a outro jornal, o prefeito afirmava que “ninguém havia questionado a planilha”, como se as informações apresentadas fossem de fácil compreensão. Nesse aspecto, o arquiteto e urbanista Sérgio Gollnick é taxativo: “Nem mesmo especialistas podem avaliar esta planilha sem uma fonte confiável de dados”.

O discurso mudou

“São quase 21 meses sem aumento das passagens e não há dinheiro para subsídio. Acredito que é quase impossível dar subsídio esse ano”.

“Só se justifica uma auditoria se eu olhar e disser: Aqui está furado. Esse insumo não é verdadeiro. Por enquanto, não há indícios
[de irregularidades]”.

“A planilha é complexa e de difícil compreensão.” (em fevereiro deste ano)

“Até agora ninguém questionou os dados das planilhas.” (abril deste ano)

“Pode ser que o Kennedy tenha dito que baixaria o preço para R$ 1,80. Eu não lembro disso.” (ao ser cobrado sobre o compromisso com Kennedy)

“Não tenho pressa e quero ouvir mais opiniões sobre o reajuste.” (no final de abril deste ano)

“Está na hora de decidir alguma coisa” (na semana passada)

Empresas dizem que prefeitura tem relatórios

De acordo com a assessoria de imprensa das empresas concessionárias do transporte coletivo, as informações sobre o número de passageiros do transporte coletivo advêm de um sistema eletrônico, moderno, confiável e utilizado por países considerados de primeiro mundo, o qual não é passível de qualquer tipo de manipulação. Ainda, segundo a assessoria, esses relatórios são remetidos mensalmente para a Prefeitura.

“Quanto à planilha, realmente ela é técnica e complexa para leigos, mas facilmente compreendida por qualquer técnico”, informa assessoria. As empresas asseguram que todas as informações sobre o transporte estão disponíveis na Prefeitura.

Reajuste condicionado

Na semana passada, os trabalhadores do transporte coletivo urbano de Joinville, em assembléias, aprovaram a proposta oferecida pelas empresas concessionárias Transtusa e Gidion de um reajuste de 5,92% sobre o atual salário.

O reajuste salarial estaria condicionado a um aumento no preço da tarifa. Segundo a assessoria de imprensa das empresas, a proposta foi aprovada por mais de 70% dos funcionários que participaram das assembleias.

As empresas alegam que precisam do reajuste para fazer frente a gastos com a implantação de novas linhas, compras de ônibus e negociação salarial.

25 comentários:

Anônimo disse...

E tinha alguém ainda que pensava que seria diferente?
Vamos cair na real povo....
Será sempre assim.....
Saudades do LHS e do Tebaldi pelo menos eles aumentavam e não tinha esse "bafafá todo".
Abraços

Carlos Roberto F. disse...

Em Itajaí o atual refeito cancelou tudo depois que denuncias iguais a esta surgiram no mes passado.
A prefeitura de lá, tambem não fazia planilha propria e usava a das empresas de onibus.

Alguem consegue imaginar a prefeitura perguntando para o fornecedor quanto que ele acha que deve receber e depois pagar porque não tem condições de saber se tá certo ou errado.

É inacreditável, mas o ex prefeito Luiz Henrique desmantelou a fiscalização da prefeitura e entregou o ouro pros bandidos.

Tebaldi continuou o esquema.

Carlito disse que iria fazer diferente, mas o Carlito vai fazer igual seus antecessores.

Jô disse...

Que sujeirada heim ???

Mauro Fonseca disse...

Prefeito Carlito,
Favor contratar o senhor Sérgio.
Ta resolvido o caso.

Anônimo disse...

Alguém sabe informar quanto foi o montante da coleboração das empresas de ônbus na campanha do Carlito? Vejam a maracutaia do Lula, enrolado até raiz do cabelo com falcatruas e conceções para reforçar as burras... Carlito, do mesmo bando e há 20 anos buscando a boquinha, poderia ser diferente? Seria mais honesto se ele assumisse, então já não se cobraria nada...
O povinho é teimoso, porém, serão quatro anos andando prá trás. Alias o "vice-prefeito" Trigo, faz o que mesmo na atual gestão? E aquele senhor que se dizia tão preparado e candidato a vice do Carlito, na chapa, por onde anda? Está vivo ainda? Alguém sabe informar se ele fala e escreve... Porque mais mudo do que está é impossivel... É desinteresse dele ou falta de espaço por parte do Carlito? Perguntar não ofende, né?
Enfim, isto é perfil petista. Não esperemos mudanças,pois, se ocorrem serão as piores... Carlito não tem experiência de gestão: nunca foi nem síndico de prédio... Fazia leis e, todos estamos vendo o que acontece lá, no ninho de onde ele saiu há pouco...
O PT é muito crítico e bom de oposição, mas, uma vez no poder o chiqueiro e os porcos são os mesmos.
Madalena Medeiros

Luiz Peixer disse...

Carlito está se parecendo muito vom Tebaldi e LHS.
Que decepção.

Paulo Roberto disse...

Hahaha... Governo do povo é isso...

Certamente as "elites" defendidas pelo DEM e PSDB andam muito menos de ônibus que os "companheiros trabalhadores" filiados ao PT.

São os próprios companheiros que vão ter que pagar o aumento.

Esse é o PT. Na próxima eleição já tem até lema.

FALAR É FÁCIL, FAZER É IMPOSSÍVEL

Parabéns povo de Joinville pela mudança conquistada com esta eleição. O povo não eleito (darci, Tebaldi, Dalonso, Norival, etc) estão dando muita risada com sua desgraça.

Funcionários públicos, olhos bem abertos pois até o fim do ano não terão mais recursos para pagar os seus salários... isso é previsão fácil de fazer.

Este governo que paga R$25.000,00/mês de salário para o secretário da fazenda (podem consultar) tem muita sujeira em cima, embaixo e por todos os lados do tapete...

Não sei por que, mas estou prefendo a passeata do Mariano contra o aumento e sua expulsão do PT.

Em tempos em que a fidelidade partidária não era respeitada, certamente veríamos o Adilson Mariano no PSDB.

Anônimo disse...

SE NÃO TEM COMO AFERIR NÃO PODE PAGAR NADA. CANCELEM O CONTRATO. O CARLITO TA COMENDO MOSCA, ISSO SÓ VAI SER RESOLVIDO QUANDO A MULHER DELE MANDAR, O PEDIDO FOI ENDEREÇADO ERRADO, SE FOSSE FEITO A ELA ISSO JÁ TINHA SE RESOLVIDO. DEIXA ELE CHEGAR EM CASA ESSA NOITE QUE ELE VAI VER UMA COISA, A MULHER DELE JÁ DISSE "NÃO É PARA FAZER NADA SEM ANTES FALAR COMIGO".

Lia_Ielusc disse...

O time do PT vai conseguindo o que queria : fazer um governo semelhante ao de Lula.
Ou seja com responsabilidade nas contas e políticas sociais para quem mais precisa.
Só esqueceram de ver as realidades:
Enquanto no norte / nordeste o número de bolsas falilia é superior a 50% da polulação aqui não chega a 4% (são 8000 famílias).

Mas para quem é do PT 50% é igual a 4% . Os 77% de votos que Lula obteve lá é igual aos 44 daqui.
Sorte para todos nós.

Anônimo disse...

descobriram? como se todo mundo nao soubesse!!!

Anônimo disse...

Quanto a assembleia ela foi feita dentro das empresas e não teve nenhum esclarecimento aos funcionarios sobre as propostas simplesmente os funcionarios chegavam um a um na sala onde estavam presentes diretores do sindicato e a chefia das empresas e entregavam a cedula de votação com duas proposta,primeira era INPC + 5% e a segunda era de 5.92%e qual foi a vencedora a segunda proposta, ou os funcionarios são muitos ingenuos ou teve manipulação de votos, vindo isso do sindicato tudo pode ter acontecido

Anônimo disse...

Desde o começo eu estou dizendo que estou sentado apenas vendo o circo passar......
Tava na cara que isso iria acontecer.....ou vcs do PT achavam que seria fácil governar a maior cidade do estado?
Espero que daqui 4 anos esse povo nao cometa o mesmo erro...
E o Messias aonde ta? rssss...depois a culpa era do Tebaldi né? rsss
Abraços

Mauricio disse...

me dsculpe mas é uma vergonha o senhor CARLITO MERRS aumentar a passagem depois de tanto bafafa,então para que botou a planilha na internet para todos verem é um absurdo votei sempre no carlito mas agora estou decepcionado sou filiado ao PT há mais de 8 anos fiquei contente qdo ele ganhou mas e agora aumento a agua, e agora a passagem VERGONHA SEU CARLITO CADE O PREFEITO DO POVO
ASSINADO MAURICIO FERNANDO DA ROCHA FILIADO DO PT E INDIGNADO

Mauricio disse...

me dsculpe mas é uma vergonha o senhor CARLITO MERRS aumentar a passagem depois de tanto bafafa,então para que botou a planilha na internet para todos verem é um absurdo votei sempre no carlito mas agora estou decepcionado sou filiado ao PT há mais de 8 anos fiquei contente qdo ele ganhou mas e agora aumento a agua, e agora a passagem VERGONHA SEU CARLITO CADE O PREFEITO DO POVO
ASSINADO MAURICIO FERNANDO DA ROCHA FILIADO DO PT E INDIGNADO

Anônimo disse...

Votamos no Carlito para mudar..e mudou....para pior....joguei meu voto no lixo.

Anônimo disse...

O deputado Kennedy Nunes (PP), aliado de Carlito Merss (PT) no segundo turno, diz que não pretende romper com o prefeito de Joinville por causa da concessão do aumento na tarifa de água. Mas admite a possibilidade de se afastar do petista caso seja concedido a reajuste da tarifa do ônibus.
Kennedy Nunes pensa diferente em relação ao aumento da passagem do ônibus. "Nesse caso não tem conversa. Não me interessa se as planilhas estão corretas. É preciso decisão política. Na campanha, discutíamos como reduzir a passagem. Não tinha o pedido de aumento Segunda-feira, 20 de abril de 2009 saavedra
tomare q ele tenha palavra

Anônimo disse...

é companheirada tira a bicicleta que tá guardada porque de onibus não vai dar.bem que eu avisei,não quiseram acreditar.
tenho uma vaga impressão que o povo gosta mesmo é de penar,vai entender...

Anônimo disse...

A maioria que utiliza onibus tem vale transporte, que é descontado do salário que equivalente a 6%, com esse aumento o prejuizo vai para as empresas. O necessário agora é correr atrás para consseguir a passagem para estudante a 50% (1º, 2º e 3º graus), não só beneficiar os idosos a partir dos 60. E já que o aumento vai acontecer, também a própria PMJ elaborar uma planilha de horários para que o usuário não fique aguardando o onibus mais de 15 min. Talvez assim, o pessoal não reclame tanto.

Anônimo disse...

Pois é pessoal!

Se o Kenedy tivesse ganho a eleição esse aumento também já teria acontecido. É que o Kenedy não ia esperar tanto para receber o agradinho da transtusa e da gidion.
não sejamos burros. Nenhum deles presta.

sergio gollnick disse...

Gostaria de fazer um reparo ao título da matéria. Não fiz nenhuma denúncia, a bem da verdade fui contactado pelo jornalista para uma reportagem sobre o sistema de transporte coletivo e sob uma lista de perguntas as quais emiti as minhas opiniões. Reconheço as minhas impressões que estão colocadas na matéria que são fieis as que fiz ao jornalista sendo as deduções e conclusões objeto e resposabilidade dele. Não retiro as opiniões que manifestei, no entanto não ofereci uma denúncia, conforme colocado na matéria. Todas as opiniões aqui expressas nos dão uma noção da importancia que este tema tem no coridiano da cidade bem como na expectativa que os cidadãos joinvillenses depositaram neste novo governo. O aumento da tarifa do transporte coletivo e as declarações do secretário de Infra-estrutura apenas confirmam as minhas opiniões. Ao final, quero manifestar que, após ter conhecimento do reajuste que o prefeito irá conceder, senti-me absolutamente desolado e envergonhado.

segio gollnick disse...

Eis a entrevista na íntegra:

1. As planilhas apresentadas pelas empresas são confiáveis?

As empresas podem apresentar quantas planilhas desejarem. Esta no direito delas reivindicarem majoração de preços, de forma justificada obviamente. A planilha que foi apresentada no blog da Prefeitura, até onde eu sei, foi aquela que as empresas formularam na solicitação de aumento. Curiosamente o timbre da planilha que está publicada não é da empresas solicitantes e sim com o brasão da Prefeitura. Então fica a primeira pergunta: De quem é a planilha?
A segunda pergunta é: A Prefeitura não faz o acompanhamento de preços, o acompanhamento do movimento de passageiros, a aferição dos índices de consumo e de custos utilizaos na planilha?
Deveria, pois acompanhar a evolução de tudo que tem haver com o custo de um serviço público é uma obrigação do poder concedente.

2. A Prefeitura faz algum tipo de fiscalização para saber o número real de usuários do sistema?

Esta pergunta deveria ser dirigida a Prefeitura. Especialmente às últimas administrações. Se não existe nenhuma informação, nenhuma planilha ou qualquer dado gerado pela Prefeitura, exceto aqueles apresentados pelas empresas concessionárias para avaliar o custo do sistema, é de se concluir que não existe gerenciamento nem fiscalização. Agora, é necessário definir o que significa gerenciamento e fiscalização. O gerenciamento significa o acompanhamento de todos os movimentos do sistema de transporte público, deste a infra-estrutura, às tecnologias apropriadas até o nível de serviço prestado. Envolve interferir no tipo de ônibus a ser utilizado, na forma de utilizar o sistema de bilhetagem eletrônica, no projeto de um abrigo de ônibus e no estabelecimento de normas de relação entre o cliente, que é o usuário, a concessionária e o concedente.
A fiscalização, por sua vez, é o acompanhamento de rotina, a verificação de que os serviços estão sendo executados de acordo com o contrato de concessão, com as programações de horários, níveis de serviço, se os veículos estão em condições apropriados uso, se o atendimento ao usuário está sendo feito de forma correta, etc.
Não reconheço esta estrutura na Administração Pública que se dedique a esta função de foma integral. Não se replicam os dados do sistema de bilhetagem para a Prefeitura e assim não se tem as informações que seriam obrigatórias e necessárias ao planejamento e fiscalização deste sistema.
Ficam assim outras perguntas: Quantos são os fiscais disponíveis para monitorar este sistema que é responsável pelo transporte de 4 milhões de passageiros/mês (segundo dados das empresas), operando quase 400 ônibus numa rede de infra-estrutura de mais de 300 km de vias que necessita de atenção? Quantos técnicos se dedicam de forma integral ao sistema de transporte coletivo urbano, função que também serve para o sistema de taxis, vans, transporte escolar e fretamento?

3. Como ela vai contrapor à planilha das empresas?

Não consigo enxergar como a Prefeitura, neste novo governo, neste curto espaço de tempo e sem qualquer estrutura de gerenciamento e fiscalização, possa ser capaz de contrapor os dados operacionais apresentados pelas empresas. Itens como quilometragem percorrida, tipo e condições dos veículos em operação, número de passageiros, índices de consumo e outros dados, que só podem ser obtidos com acompanhamento sistemático e permanente, dificilmente terão contraposições. A própria planilha exposta no blog não tem qualquer instrução que permita a sua compreensão e análise. Nem mesmo especialistas podem avaliar esta planilha sem uma fonte confiável de dados. Ela por si só não signifca transparência, são apenas números aplicados a uma planilha matemática.

4. Onde estão as principais falhas da prefeitura quanto à fiscalização?

Eu entendo que dentro de uma concepção moderna de regulação de um serviço público de transporte há que se reparar uma série de equívocos e vícios. Enquanto a Prefeitura não dispuser de uma estrutura de gestão e fiscalização eficiente para sistema de transporte será muito difícil fazer avaliações, inclusive dos custos do sistema.
Cito dois exemplos: A falta de conexão daquele que seria o responsável pela gestão do sistema com os dados produzidos pelas empresas no sistema de bilhetagem. Em segundo, estar sob a responsabilidade da SEINFRA a análise do custo da passagem, na minha visão, é um equivoco. Quem deveria ter esta tarefa não é a estrutura responsável pela fiscalização e sim aquela que deveria ter a função de gestão e planejamento do sistema como um todo, no nosso caso o IPPUJ. No IPPUJ deveriam estar concentradas todas as informações do sistema de transporte e, de lá a avaliação de custos, as políticas de equilibrio e os conceitos.

5. Como o senhor considera a atuação da prefeitura nesse caso?

Há algum tempo as grandes definições estratégicas do sistema de transporte coletivo vem das empresas concessionárias, A Prefeitura, através do GTrans, faz uma espécie de debate, mas no fim homologa as propostas ali discutidas num forum onde apenas os concessionários tem assento. Os usuários e o empregadores que pagam e são o objetivo final não tem assento.
Vez por outra o Poder Público propõe alguma alterações, mas elas sempre tem um viés político, como foram as últimas alterações pré-campanha eleitoral, muito distante de um conjunto de estratégias.
Não significa que as empresas concessionárias não sejam competentes para proporem mudanças, afinal é o negócio delas, mas devemos separar o joio do trigo. As empresas entendem o transporte como o seu negócio e, o poder público como regulador e concedente, deve estar acima desta visão unicamente econômica. Significa então que o Poder Público tem sido relapso no papel de regulador e executor de políticas públicas de mobilidade urbana.

6. O senhor vê falta de comprometimento da prefeitura com a população

Eu diria que o transporte público de Joinville já foi uma grande referência como serviço público. Hoje perde esta excelência porque as prioridades mudaram. Faltam investimentos estruturais para que o transporte público assuma seu papel importante no desenvolvimento urbano, econômico e social da cidade. Como política pública, estamos a anos luz de qualquer modelo de vanguarda. A redução significativa de passageiros é um fato e o exemplo desta afirmação.

7. Como era feito o controle das planilhas na época do ex-prefeito Freitag?

O primeiro governo Freitag quebrou vários paradigmas no serviço público. O transporte coletivo foi um deles. Pegamos um sistema de transporte desestruturado, decadente, ônibus velhos, falta de investimentos e nenhum planejamento. Foram várias as ações determinadas pelo Freitag. Criamos um núcleo de transportes dedicado unicamente ao planejamento do sistema. Levantamos as informações do sistema e passamos a gerenciar de forma contínua as nossas planilhas de custo. Inumeras vezes fomos a debates públicos para explicar as motivações e os custos do sistema. Muitas vezes a planilha foi publicada em jornais. Implantamos o Vale Transporte, que era gerenciado e comercializado pela Prefeitura. Viabilizamos a renovação da frota (ônibus amarelos) e ainda assim tínhamos umas das mais baratas tarifas do país. Fizemos um convenio com a EBTU e durante dois anos pesquisamos todo o sistema de transportes para desenvolver o sistema integrado. Isto ocorreu ha 20 anos atrás quando se fez a última pesquisa OD. Tinhamos uma estrutura de fiscalização eficiente cuja avaliação podia se dar pelo número de autuações, multas e notificações feitas às empresas concessionárias. Isto tudo permitia ter controle sobre o custo e o sistema.

8. A Prefeitura tem acesso real aos dados on line do sistema eletronico?

Não!

9. Como o senhor classifica o sistema de transporte coletivo de Joinville

O sistema de transporte de Joinville deveria estar noutro nível de serviço e de qualidade. A história recente nos permitiria estar na vanguarda. Entre 1984 até 2002 o sistema teve uma contínua e significativa evolução. Depois passou a ter uma significativa queda na prioridade refletida no número de usuários e na qualidade do serviço. A cidade e o cidadão perdem com a crescente falta de mobilidade, pois os custo dos deslocamentos urbanos aumentam pela transferencia do coletivo para o individual. Deveria ser o inverso. Aumenta a poluição e decresce a qualidade de vida.

Resumindo, quando o preço de um determinado serviço passa a ser mais importante que o proprio serviço é um forte indicativo que ele está com problemas sérios. Via de regra, quando um serviço público tem qualidade, nem sempre o preço é o mais relevante na avaliação do cliente, obviamente dentro de parâmetros aceitáveis da nossa realidade econômica.

Paulo Roberto disse...

Muito bem, vamos aos comentários do dia (pararei no 13 por achar este número interessante).

1 - O Kennedy vendeu o apoio durante o 2º turno e essas migalhas ganhas com os cargos comissionados não chegam nem perto do valor já ganho naquela época. Alia-se para ganhar milhões, nomeai-se vários afilhados e ainda fica sem a obrigação de apoiar o governo, pois o Kennedy somente aprendeu a fazer oposição. OPOSIÇÃO é fácil... é só ser contra sempre. Se SITUAÇÃO é saber defender com inteligência e hombrida seus ideiais e atitudes.

2 - 100 dias de governo e a saúde, prioridade máxima, tem seus postinhos fechando, os médicos sem o prometido aumento, nada de cheque-consulta, PA na zona sul, escritório do prefeito no São José. Quem não pode pagar plano de saúde que comece a procurar por um de assistência funeral, pois a saúde morreu por aqui.

3 - A água mais cara de Santa Catarina, que teria seu preço REDUZIDO neste mandato, incrivelmente SUBIU. Está se dando uma esmola em forma de tarifa social, mas percentualmente o crescimento da ÁGUAS DE JOINVILLE ainda foi absurdamente grade.

4 - A João Colin continua com corredor de ônibus, sem que fosse preciso conversar com os lojistas para saber se estão contentes ou não com isso. Aliás, o governo do diálogo, da gestão participativa, parece que só convida seus aliados para as decisões com portas fechadas

5 - A folha de pagamento não iria reduzir, pois estava inchada com mais de 1.000 cargos de confiança? Que tal um comparativo de quantos eram e quantos são hoje. Melhor ainda, que tal um comparativo em valores de quanto se pagava e quanto se paga hoje.

6 - O secretário da fazenda (Florêncio) recebe um salário mensal de R$25.000,00/mês, maior que qualquer outro funcionário dos poderes legislativo e executivo desta cidade. Será que não existe ninguém mais competente para exercer essa função, sem a necessidade de receber essa fortuna?

7 - Onde estão os agitadores do passado? ADILSON MARIANO, jogue um convite na mídia para encher as ruas de gente e invadir a PMJ. Será um sucesso de público. ANACLETO, por que não volta com seu blog tão ácido nos comentários? Ser nomeado como cabide de emprego serve como uma mordaça? MARQUINHOS FERNANDES, além de destruir a imagem da melhor secretaria do governo passado, ainda nomeia motorista para a secretaria do BV e a esposa para cargo de chefia. VERGONHA!!!

8 - Parada gay com incentivo financeiro da PMJ? Que tal ajudar as obras sociais que estão com problemas por conta das enchentes, crise, etc?

9 - Bingos de igreja, clubes de mãe e 3ª idade fechando com medo de serem presos, tendo velhinhas levadas em viaturas para depor, quando sua única diversão tornaram-se crime. Além disso, em muitos casos a verba dos binguinhos vem tapar buracos da própria sociedade, ajudando ações sociais com remédios, roupas e até materiais de construção.

10 - Diálogo proibido com os líderes da oposição e presidente da CVJ, por conta de raivinhas e máculas nos acordos feitos no 2º turno. O prefeito que enganou o povo não gostou da sua traição, Sandro Silva.

11 - Não fechamento das contas, divulgando de forma irresponsável um rombo de 100 milhões na PMJ, nunca comprovado.

12 - AUMENTO DO ÔNIBUS, SEM SUBSÍDIO DA PMJ, COM O PERCENTUAL MAIOR QUE O DOBRO DA INFLAÇÃO.

13 - ESTE É O GOVERNO DO PT!!!

Anônimo disse...

TÁ FEIA A COISA. UMA MENTIRA APÓS OUTRA.

Anônimo disse...

O CARLITO SÓ VAI TER SÓ QUATRO ANOS PRA FERAR COM OS JOINVILENSES, JÁ OS EMPRESÁRIOS DO TRANSPORTE COLETIVO, VÃO CONTINUAR AINDA POR MUITO TEMPO.

PARABÉNS AO CARLITO E AO KENNEDY PELO SHOW, VALEU

Charles Müller disse...

A propósito da comparação com as outras cidades.
Em Curitiba, desde 1986, a estatal Urbs (única concessionária) controla o sistema de ônibus, definindo as linhas, os trajetos, os preços, tudo. A municipalidade tem total controle estatístico e financeiro do sistema. As empresas de ônibus são permissionárias da Prefeitura / Urbs, ou seja, operam, recebem por isto, mas não controlam o sistema.

Em Joinville, a prefeitura não tem nenhum controle, não sabe nem quanto se fatura e quantos passageiros são transportados, toda informação precisar chegar através dos empresários de ônibus, uma fonte não isenta para este assunto. Por isto a Seinfra fez um pedido destas informações aos empresários, coisa que de nada adiantou, já que a prefeitura concedeu este injusto aumento.

Parece que deixam raposas tomando conta de galinheiros.