"Operação Parasita" Uma explicação para o caos na saúde

Postado por: Rogério Giessel

Cinco empresários foram presos na manhã desta quinta-feira, dia 30, em São Paulo, acusados de envolvimento em uma quadrilha que fraudava licitações para a venda de equipamentos e remédios para hospitais públicos do Estado de São Paulo. A ação desviou mais de R$ 100 milhões dos cofres públicos.


Segundo o delegado Luiz Storn, do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), os cinco envolvidos serão indiciados por lavagem de dinheiro, corrupção ativa, falsidade ideológica, sonegação de impostos e formação de quadrilha. Eles tiveram suas contas bancárias bloqueadas pela justiça de São Paulo.

As investigações indicam que a quadrilha arrecadou cerca de R$ 56 milhões em licitações fraudadas junto à secretaria estadual de Saúde de São Paulo. Já nas negociações com as secretarias municipais, Storn diz que ainda não é possível calcular o tamanho do rombo, mas ele deve ultrapassar a casa dos R$ 100 milhões.

O esquema

Segundo o delegado Storn, as empresas entravam em licitações públicas com um acordo para ofertar preços acima do mercado. Funcionários do departamento de licitações das secretarias seriam subornados para desclassificar empresários que não participavam da operação.

A vencedora da disputa, além de fraudar os valores, ainda oferecia material hospital de qualidade duvidosa. As investigações indicam que cateteres foram comprados na China e destinados a hospitais públicos de São Paulo. Até mesmo o soro utilizado em enfermarias seria alvo dos fraudadores.

Saldo da operação

Durante a ação, os policiais cumpriram 22 madados de busca e apreensão. Foram apreendidos R$ 7 milhões em bens dos envolvidos, entre eles carros de luxos e um helicóptero.

De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério Público Estadual, entre as instituições envolvidas estão o Hospital das Clínicas, maior centro de saúde pública da América Latina, o Pérola Byngton e o Instituto Dante Pazzanese.

A ação - batizada de Operação Parasitas - é realizada pelo Ministério Público Estadual em conjunto com a Polícia Civil e Secretaria da Fazenda. A operação apresenta o resultado de 12 meses de investigação. Ao todo foram expedidos mais de 20 mandados de busca e apreensão. A operação deve durar até o começo da tarde.

Participam da operação 70 agentes públicos servidores do Ministério Público Estadual, Secretaria da Segurança Pública e Secretaria da Fazenda.

Fonte: IG

Ministra defende melhorias em presídios femininos

Situação dos presídios femininos foi discutida pelo grupo de trabalho interministerial criado para reorganizar e reformular o sistema prisional

O sistema prisional brasileiro deve oferecer melhores condições para o cumprimento de pena pelas mulheres presas, defende a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire. De acordo com ela, as detentas ainda não têm direito a visitas íntimas o que já é garantido aos homens há mais de 20 anos e nem normas que regulamentem o tempo de amamentação para aqueles que têm bebês recém-nascidos.

Os dois temas foram discutidos pelo grupo de trabalho interministerial criado para reorganizar e reformular o sistema prisional feminino e que aconteceu nos dias 27 e 28. O encontro contou com a participação de representantes dos países do Mercosul, que também discutem estratégias para melhorar as prisões femininas.

De acordo com Nilcéa Freire, o sistema carcerário brasileiro revela total desrespeito aos direitos humanos. O quadro é ainda mais perverso se olharmos a situação da mulher, afirma a ministra. Segundo ela, há desigualdade de gênero entre os presos.

A situação se torna ainda mais preocupante, segundo as defensoras dos direitos das mulheres, por causa do aumento do número de presas no Brasil. Nos últimos dez anos, dobrou o número de mulheres presas, que hoje é de cerca de 27 mil em todo o país.
É um fenômeno social, e 43% delas estão presas por tráfico de drogas. Muitas entram no tráfico por causa do marido, analisou o diretor de Políticas Penitenciárias, André Luiz Cunha.

A situação não é muito diferente nos países vizinhos, de acordo com representante da Argentina, Maria Santos. Em geral, os delitos cometidos pelas detentas não são violentos e também estão ligados ao narcotráfico.

Situação em Joinville foi denunciada pela Gazeta

Na última edição esta Gazeta mostrou qual é a realidade das detentas no Presídio de Joinville. Com capacidade para abrigar 35 presas, atualmente as duas alas abrigam mais de 92 mulheres. O local é apertado e com pouca ventilação, e as presas acabam tendo de se amontoar como podem. À noite a situação é ainda pior, faltam camas e colchões, muitas dormem no chão, outras acabam tendo de dormir empilhadas dividindo a mesma cama.

Outra reclamação das detentas é o descontentamento pela demora do Judiciário. Elas denunciam que há detentas que há mais de oito meses estão à espera de um despacho judicial e não recebe respostas.

Drauzio Varella: Na catraca do metrô

A gritaria foi tanta que formou uma roda em volta. Pudera: às 18h, a estação Tatuapé é das mais concorridas do metrô, a caminho da zona leste, onde vivem seis milhões de pessoas.

A gritaria foi tanta que formou uma roda em volta. Pudera: às 18h, a estação Tatuapé é das mais concorridas do metrô, a caminho da zona leste, onde vivem seis milhões de pessoas.
Era um final de tarde quente demais para o mês de abril em São Paulo, cidade de concreto, despreparada para tanto calor. No vagão apinhado, os ventiladores não davam vazão ao ar pesado que obrigava as senhoras a improvisar leques com revistas e pedaços de jornal. Foi um alívio quando tive acesso ao oxigênio da plataforma.
Ao chegar às catracas de saída no meio do povo apressado, presenciei não apenas a confusão à qual me referi inicialmente como os acontecimentos que a antecederam, porque a figura daquele que, segundos mais tarde, se tornaria o pivô da desavença chamava a atenção pela elegância. Era um homem de cinquenta anos, bem negro, de calça azul-marinho com vinco, camisa branca impecavelmente passada e sapatos de verniz iguais aos da malandragem de antigamente.
Com ele, sorridente, pouco antes da catraca de entrada, estava uma mulher loira de carnes fartas, jeans apertado, sandália de salto alto, blusa curta e umbigo de fora. De mãos dadas, os dois aparentemente se despediam, íntimos, alheios aos que passavam.
De repente, no burburinho, destacou-se a voz de uma mulher:
- É assim que você me deixa em casa para visitar o amigo doente, cafajeste sem-vergonha!
Era uma morena de brincos de argola que avistou o casal de longe e partiu decidida de bolsa em punho para cima da loira:
- Branquela desbotada, você vai aprender a respeitar o marido das outras.
O homem do sapato de verniz conseguiu se colocar entre as duas e interceptar a trajetória da bolsa destinada à cabeça da loira. Possessa, a morena continuou:
- Sai da minha frente, seu cachorro! Me larga, que eu vou esganar essa ordinária!
Segurando-lhe os braços com firmeza, o homem procurava acalmá-la em tom conciliador:
- Fala baixo, benzinho, as pessoas estão reparando, fica feio!
A situação do mediador estava especialmente delicada porque, ao mesmo tempo em que era obrigado a conter os ímpetos da morena, procurava convencer a outra:
- Não piora as coisas, atravessa a catraca e vai embora. É melhor para você, para mim, para todo mundo.
A loira, no entanto, atingida em seus brios, não arredava pé e ainda provocava:
- Solta ela! Deixa vir! Quem ela pensa que é?
Alinhados junto à aglomeração de curiosos, três seguranças de farda preta acompanhavam a disputa.
Um senhor de cabelos brancos e gravata afrouxada que observava a cena voltou-se em tom paternal para o jovem de terno que estava com ele:
- Vê como são as mulheres? Se nós pegamos a mulher com outro, mandamos o homem embora e brigamos com ela. O amante está na dele, nosso problema é com a mulher. Elas, não! Deixam o homem de lado e se atracam com a outra.
Ao lado, uma moça com ar de evangélica insistia com um rapaz de barba rala e óculos de fundo de garrafa em dizer que os homens são todos iguais e que marido nenhum presta, sem exceção. Ele argumentou que ela não devia condenar todos pelos erros de alguns; não estava certo o justo pagar pelo pecador.
Depois de muito malabarismo para separar as duas adversárias, o pivô da confusão conseguiu apaziguar uma e finalmente convencer a outra a atravessar a catraca, movimento que a morena não poderia fazer sem o bilhete. Separadas pelo obstáculo, a morena proferiu o desaforo derradeiro:
- Nunca mais chega perto do meu homem, gorda descarada!
Foi a gota d’água! A loira, que até ali ficara na defensiva, fez meia-volta e retornou em passo de mulher fatal. Quando chegou bem perto, respondeu com o nariz empinado:
- Magrela, quem te garante que ele é teu?
A morena se jogou contra a catraca; não fosse o homem disputado agarrá-la pela cintura, teria conseguido pular para dentro. “É meu, sim, é meu!”, berrava, enquanto a rival caminhava na direção da plataforma rebolando os quadris exuberantes, indiferente ao ódio da outra.
Quando a loira desapareceu na escada rolante, a morena perguntou se o cafajeste estava satisfeito, agora. Ele fez um comentário em voz baixa, tentou colocar a mão em seu ombro, mas ela se desvencilhou e desembestou na direção da escadaria. O homem do sapato de verniz saiu sem olhar para trás, e a roda se dispersou no meio dos passageiros que desembarcavam em ondas.
Ao passar pelos três seguranças de farda preta, então postados junto à bilheteria, ele reclamou em tom magoado:
- Vocês são engraçados! Qualquer baguncinha na estação vocês caem em cima falando grosso, com o cassetete em riste. Eu naquele alvoroço, coisa que pode acontecer para qualquer filho de Deus, e vocês feito estátua. Isso é que é solidariedade masculina!

Os três permaneceram impassíveis até o reclamante se afastar. Então, o mais forte deles murmurou por trás do bigode: - Eu, hein!

Mercado de trabalho: Sobram vagas, falta qualificação

Seminário realizado no início do mês em Joinville debate necessidades do setor produtivo

Para quem acha que atualmente um curso superior garante colocação automática no mercado de trabalho, é melhor rever seus conceitos. As empresas querem mais, querem especialistas em áreas em que, segundo elas, universidades e escolas profissionalizantes não estariam conseguindo preparar.
Pelo menos é o que foi detectado durante o 1º Seminário de Educação, Sociedade e Mercado de Trabalho, realizado no início do mês pelo Comitê Estratégico da Educação do Instituto Joinville, em parceria com a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH).

Além carência de profissionais na área técnica, as empresas apontam que há um distanciamento entre formação superior e perfil desejado pelo mercado de trabalho, defasagem tecnológica, descompasso entre teoria-prática, falta de visão sistêmica e de futuro (inovação e empreendedorismo).

Uma das constatações apontadas pelos recrutadores de recursos humanos é de que as escolas não formam mão-de-obra suficiente e o mercado está carente. No entanto, oferecem cursos e formam profissionais que não são aproveitados pelo mercado, como por exemplo advogados, fisioterapeutas, psicólogos e administradores.

O vice-presidente da ABRH Joinville, Pedro Luiz Pereira, comenta a escassez de profissionais técnicos, por exemplo, cujo salário pode chegar a R$ 3 mil. “Há falta de ferramenteiros, técnicos mecânicos, técnicos eletricistas, profissionais para a área de vendas, técnicos em refrigeração, supervisores entre outros”.

Além das vagas operacionais que não estão conseguindo ser preenchidas, as empresas de recursos humanos afirmam ainda que falta qualificação. Somente em uma empresa de recrutamento e seleção, há um acúmulo de 350 vagas em aberto.

Segundo a psicóloga e gerente de RH, Laurene Agnes Meyer, cerca de 600 a 700 pessoas deixam semanalmente seus currículos para avaliação. “Candidatos temos muitos, mas falta qualificação. Percebemos também que atualmente um trabalhador fica pouco tempo registrado em uma empresa e muitos deles que nos procuram não têm formação condizente com a função”.

O que ficou evidente, segundo Laurene é que a escola não supre totalmente as necessidades do mercado de trabalho. O resultado é que a empresa acaba exercendo o papel que seria da escola”, afirma. Um exemplo disso para ela é o que ocorre com os recém-formados na área administrativa e de gestão. “Não conseguimos profissionais nessa área simplesmente porque o formando sai da escola sem dominar um outro idioma”, complementa psicóloga.

Faltam engenheiros

Convidada como painelista do seminário, a pró-reitora de ensino da Univille, professora Ilanil Coelho, considera que a profissionalização é um processo de duração permanente e continuada.

Para ela, as exigências atuais do mercado de trabalho estabelecem como necessidade o desenvolvimento de competências profissionais que extrapolam o processo de ensino-aprendizagem na formação superior.

“Ficou claro que a melhoria da profissionalização envolve não apenas ações isoladas das escolas, mas predominantemente ações combinadas dessas com a gestão de pessoas nas empresas, as políticas públicas e a própria sociedade”, reconheceu.

Ela acha difícil, pelas próprias características da cidade, que todas as vagas de empregos sejam preenchidas no município. “Obviamente que numa cidade como a nossa, que exibe um invejável vigor produtivo, de geração de emprego e riqueza, há e sempre haverá carências de profissionais em algumas áreas. As instituições de ensino superior devem responder a estas carências. Porém, é necessário compreender que os jovens escolhem suas profissões por critérios que não se restringem às necessidades das empresas”

Um outro dado apresentado durante o seminário diz respeito à formação de engenheiros. Em escassez no país, algumas empresas começam a disputar esses profissionais a peso de ouro. Somente em Joinville, levantamento da ABRH aponta a necessidade de 1.500 engenheiros por ano para atender ao mercado.

TSE vai aperfeiçoar fiscalização de uso de máquina pública

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pretende aperfeiçoar os mecanismos de fiscalização para tentar reduzir a eventual utilização da máquina pública por candidatos reeleição para os Executivos municipais, estaduais e federal. A informação é do presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, que pretende ver implementadas estas ações já nas eleições de 2010 para presidente da República e governadores.

Dos candidatos à reeleição nas capitais, apenas o prefeito de Manaus, Serafim Corrêa, não conseguiu um segundo mandato. Não quero que minhas palavras sejam tomadas como se fosse contrário reeleição. Quero apenas fazer um trabalho para que a disputa se dê com paridade entre os candidatos afirmou Carlos Ayres Britto.
O presidente do TSE disse, ainda, que não há como negar que, com o princípio da reeleição, existe uma probabilidade de que o candidato que disputa um segundo mandato tenha maior exposição de sua imagem junto ao eleitorado.

Ayres Britto alertou, no entanto, que ao tribunal cabe apenas trabalhar no sentido do aperfeiçoamento dos mecanismos já previstos na lei eleitoral. “Essa é uma análise muito próxima da análise política”, disse o ministro ao ressalvar que não entraria neste contexto.

“Joinville não tem mais rei”

Kennedy Nunes avalia a vitória de Carlito Merss e a derrota de LHS em Joinville

Essa foi a quinta vez que o novo prefeito de Joinville, Carlito Merss (PT), concorreu ao cargo. Eleito duas vezes deputado estadual e três vezes deputado federal, Carlito será o primeiro prefeito do PT a governar a cidade. A eleição que terminou no domingo com 170 mil votos para o petista e 104 mil para Darci de Matos (DEM) quebra jejum do partido na administração da cidade e, segundo o deputado estadual Kennedy Nunes (PP), marca o fim da gestão de direita. Ele, que foi o terceiro candidato prefeito mais votado no primeiro turno, disse que agora “Joinville não tem mais rei”.

Todo elástico uma hora cansa e chegou a hora do elástico desse governo cansar, a população acordou. Tem uma hora que chega a mudança e o eleitor previu isso. É o fim de um império, um grupo que mandava. Na minha análise, o maior derrotado não é o Darci, mas o governador Luiz Henrique [PMDB]. E a mudança é a grande vencedora, afirmou.

O governador Luiz Henrique foi prefeito de Joinville em 1996 e em 2000. Afastou-se em 2002 para disputar o governo do Estado, assumindo em seu lugar o tucano Marco Tebaldi, reeleito em 2004. Os dois apoiaram Darci nesse segundo turno, mas na primeira fase do pleito estavam divididos. Luiz Henrique apoiava Mauro Marini (PMDB), que teve 12% dos votos. Nas palavras do próprio Tebaldi, a tríplice aliança que se revezava no poder da cidade sai arranhada desse pleito.

Em Joinville, ela [tríplice] sai arranhada, sem dúvida. Não sei se a médio prazo vamos conseguir refazer isso. Mas temos que nos esforçar. Esse é o caminho que conduz a 2010. Dessa eleição, podemos tirar uma lição para a disputa pelo governo do Estado em 2010, analisou.

A senadora Ideli Salvatti (PT), que desde o início apoiou a campanha de Carlito, acredita que o resultado das eleições no estado mostra que não há favoritos para 2010. Nós tivemos uma diversificação muito grande. Ninguém pode dizer que saiu muito vitorioso ou muito derrotado. Em uma perspectiva para 2010, não temos uma pessoa ou partido que se destacou, vamos ter um pleito muito acirrado, avalia.

Sobre a vitória de Carlito, a senadora acredita que foi resultado de um desejo de mudança da população e representa também uma perda de forças do governador e de seus aliados. Essa mudança já estava latente e a população mostrou isso de forma muito concreta no primeiro turno, apontou.

Após o resultado, Tebaldi avalia que os partidos deveriam ter se unido desde o início. A crítica é ao PMDB da cidade que no segundo turno rachou e algumas lideranças, como a vereadora reeleita Tânia Eberhardt, apoiaram Carlito. E ainda a Rodrigo Bornholdt, que por acordo deveria apoiar Darci no segundo turno, mas escolheu o petista, segundo o prefeito.

Derrotado nas urnas em Joinville diz que é preciso respeitar “a voz do povo”

Derrotado nas urnas pelo petista Carlito Merss, o candidato derrotado à prefeitura de Joinville Darci de Matos (DEM) afirmou que é preciso respeitar a decisão das urnas, que representa a voz do povo. Carlito Merss ficou com 62,15% (170.955) dos votos válidos e Darci de Matos, com 37,85% (104.135). Compareceram às urnas 86 69% do eleitorado. Os votos em branco somaram 6.911(2,34 %), e os votos nulos, 13.167 (4,46 %).

Foi uma eleição difícil, dura. Eu não tinha experiência de segundo turno, nem de primeiro. Acho que eu e o Fábio [vice na chapa] fizemos um bom trabalho e só temos a agradecer, principalmente aos mais de 100 mil eleitores que acreditaram na nossa proposta, disse Darci.

Voltando para Florianópolis

Agora, ele reassume o cargo de deputado estadual. Eu parabenizo o Carlito pelo resultado e tudo aquilo que eu puder fazer para ajudá-lo a desenvolver um bom trabalho, eu vou fazer. Nós temos nossos partidos, nossas ideologias, mas nosso maior partido é Joinville, defendeu.

O vice na chapa de Darci, vereador Fábio Dalonso (PSDB), também desejou sucesso a Carlito a partir de 2009 e refirmou que é preciso respeitar o resultado e dar apoio para que o petista faça um bom governo. “A urna é soberana e essa foi a vontade do povo joinvilense”.

Veja como ficou a votação bairro à bairro

Lair Ribeiro: Leis da riqueza — Lições fundamentais: ECONOMIZAR

Economizar é acumular o que sobra do seu ganho. Imagine alguém ganhando 20 mil dólares por ano, gastando 19 mil e guardando mil: o resultado é felicidade.

Agora, imagine alguém ganhando 100 mil dólares por ano, gastando 110 mil e devendo 10 mil: o resultado é infelicidade. No entanto, a sociedade, em geral, aplaude muito mais quem ganha 100 mil e deve 110 mil do que quem ganha 20 e gasta 19 mil. Coisas inexplicáveis da natureza humana!

A maior mentira que podemos contar a nós mesmos sobre riqueza é que se ganharmos mais dinheiro seremos ricos. Não é o quanto você ganha que o torna rico, mas, sim, o quanto você economiza.

A importância do dízimo pessoal

Se você é capaz de guardar mais do que 10% do que ganha, ótimo. Isso significa que a trilha da riqueza não será penosa para você, pois economizar já é uma prática no seu cotidiano. Mas eu quero enfatizar a importância de você reter em um investimento separado os 10% que constituem o seu dízimo pessoal.

Por que ter os 10% em um investimento separado? Porque 10 é um número cabalístico e existem algumas tradições que não nos cabe contestar. Se não nos servirem, devemos descartá-las; se forem úteis, devemos incorporá-las, como é o caso do dízimo.
O número 10 tem uma simbologia cabalística: 1 = criatividade e 0 = mais.
Quando você abre a torneira, sai o quê? — Água! A água que sai da torneira vai para onde? — Para o esgoto. O esgoto vai para onde? — Para o rio, para o mar, para onde tiver água!

Ou seja: assim como água atrai água, dinheiro atrai dinheiro. É esse o segredo por trás do pagamento do dízimo pessoal: a criação de um ímã para a atração de dinheiro.
Para economizar é preciso saber

Quando eu falo em dízimo pessoal, algumas pessoas dizem: — Ah, mas eu ganho tão pouco...

Eu costumo responder: — Ótimo. Dez por cento do que você ganha também vai ser muito pouco; então, será muito mais fácil guardá-lo.

Isso parece brincadeira, mas não é. Há pessoas que não conseguem guardar um centavo do que ganham. Vivem sempre no limite, ou ultrapassando o limite, porque não sabem gastar ou o fazem de forma compulsiva.

Imagine que você esteja trabalhando para superar as formas compulsivas e emocionais com que tem gasto o seu dinheiro e está sentindo a necessidade de ter um controle efetivo da sua disponibilidade financeira. De que você precisa para iniciar esse processo e saber, efetivamente, o quanto está sobrando ou faltando no seu orçamento?
De um fluxo de caixa. É disso que você precisa para saber se, no final do mês, você vai conseguir poupar algum dinheiro, além do dízimo pessoal, que é sagrado! Faça um. É simples e vai dar a você parâmetros consistentes para acompanhar suas finanças.

Um raio-x alarmante da moradia dos brasileiros

Arte/Folhapress



Um em cada três no País não tem condições dignas de moradia nas cidades

Em todo o Brasil, 54 milhões de pessoas, o equivalente a 34,5% da população urbana, ainda vivem em condições de moradia inadequadas. Os dados fazem parte de estudo feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, divulgado na última emana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo a pesquisa Pnad 2007: Primeiras Análises, praticamente um em cada três brasileiros que vivem nas cidades não tem condições dignas de moradia.

O estudo mostra que indicadores habitacionais como domicílios urbanos providos de paredes e teto construídos com materiais duráveis apresentam índices de cobertura superiores a 98,6%, considerados pelo estudo como “bastante elevados”. Há registros também de banheiros de uso exclusivo do domicílio para 97,5% das pessoas que vivem em áreas urbanas, de iluminação elétrica em 99,8% das moradias e de conexão com a rede de telefonia fixa em 75,6%.

Os principais problemas habitacionais, segundo o Ipea, estão relacionados ao grande adensamento de pessoas, ao ônus excessivo com o pagamento de aluguel, à proliferação de assentamentos precários e aos casos de mais de uma família vivendo em uma mesma residência.

O número de pessoas que moram em domicílios urbanos onde há superlotação domiciliar – com densidade superior a três pessoas por cômodo usado como dormitório –, por exemplo, é de 12,3 milhões de habitantes, o que representa 7,8% da população urbana.
No que diz respeito à população residente em assentamentos precários, a pesquisa verificou uma redução considerada “substancial” no número de pessoas que vivem em cortiços (domicílios do tipo cômodo), de 870 mil, em 1992, para 408 mil, em 2007. Ainda assim, no ano passado, o número de brasileiros em situação de irregularidade fundiária em áreas urbanas e cujas residências estavam construídas em terrenos de propriedade de terceiros ou sob outras condições de moradia, como invasão, era de 7,3 milhões.

“Não foi possível deter o crescimento da população residente em domicílios improvisados nem do número de pessoas residentes em favelas e assemelhados. No caso das favelas, o crescimento absoluto foi de mais de 2 milhões de pessoas, alcançando a cifra de quase 7 milhões em 2007, dos quais 4 milhões são moradores da Região Sudeste, concentrados em termos numéricos nas regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro”, destaca a pesquisa do Ipea.

Construtoras em crise com queda nas bolsas

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Nos últimos 12 meses, construtoras listadas na Bolsa tiveram desvalorização de mais de 90%

O governo federal, atendendo à súplica das empresas do setor imobiliário anunciou na noite da ultima quarta-feira (29), uma ajuda ao setor de construção civil. Uma linha de crédito de R$ 3 bilhões e até 5% dos recursos das cadernetas de poupança serão liberados para empréstimos ao setor. Através de uma resolução, o Conselho Monetário Nacional (CMN) determinará as condições para os financiamentos. O objetivo da medida é fazer o mercado crescer e voltar à liquidez. No entanto, inevitavelmente o setor de construção civil sentirá uma alteração no panorama, em que a perspectiva, na melhor das hipóteses, será a de que no máximo até 2010 o setor sofra uma forte diminuição no número de empresas, podendo chegar à menos da metade. Já as 25 grandes companhias, presentes na Bolsa de Valores (Bovespa) deverão atingir no máximo o número de 12.

Uma mostra dessa passagem, que agora se apressa devido a crise, é que, nos últimos 12 meses, a Inpar, uma das empresas listadas na bolsa, obteve perdas de 93,7% em sua lucratividade. A Abyara amargou 92,7% e a Tenda, 88,6%. Com isso, a ajuda do governo para sanear o setor, incluído no programa que foi divulgado na última quarta-feira, poderá até custear a venda de imóveis e precipitar a ação de composições e compra das 25 empresas que compõe a Bolsa.

Em entrevista para o Diário do Comércio Indústria e Serviços (DCI), o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), João Crestana, disse que a crise deve ser culpada pela aceleração das fusões e aquisições. “Em lugar algum do mundo existem 25 grandes incorporadoras, como temos na Bovespa. Independentemente da crise, elas devem somar seis ou oito grandes grupos. Sem o pano de fundo da crise, acredito que este processo levaria entre três e quatro anos. Agora, dois, devido ao baixo preço das ações e à falta de caixa de algumas empresas.”

Crestana recordou também que o processo já havia sido desencadeado. “Há pouco tempo, antes de a crise ser deflagrada, a Gafisa incorporou a Tenda, Company e Brascam. A Tricury e Incossul se fundiram e formaram a Trysul. Há o caso da Cyrela, que comprou investimentos da Agra, entre outros casos.”

Liberação de R$ 3 bilhões para o setor não é vista com bons olhos

Mesmo com a liberação de R$ 3 bilhões para o setor, a Câmara Brasileira da Construção Civil (CBIC) entregará no dia 9 de novembro, uma lista de sugestões ao governo relativo aos financiamentos. A CBIC não concorda com a possibilidade de a Caixa Econômica Federal adquirir frações de empresas, segundo presume o artigo 4 ºda Medida Provisória nº 443/ 08.

O analista da BRG Capital Caio Monteiro, tem opinião desfavorável a compra de ações das empresas do segmento pelo governo. Caio entende que o modelo privilegia companhias descapitalizadas e que foram inconseqüentes ou incapazes em suas aplicações financeiras. “As empresas que têm condição de se manter sem injeção de capital por venda de ações, dado que fizeram uma melhor gestão do caixa, não estarão dispostas a vender ações a preços de mercado, pois isso tenderia a gerar uma diluição grande aos atuais acionistas. Da mesma forma, as empresas que precisarem de capital a qualquer custo estarão dispostas a vender ações.”

Fábio Gallo, Professor de Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC), faz coro as criticas de Monteiro. Ele critica a intenção da Caixa em comprar papeis. “As empresas querem crédito na praça. O governo tem de regular e financiar o mercado, ordenar como incentivar fusões e aquisições. Enfim, dar condições ao povo de comprar sua casa.”

Já o analista da Nova Finacial, Eduardo Barros, desenha o seguinte quadro. “Os players do segmento estão engessados, com pouco fôlego para girar a produção, pois investiram muito capital em constituição de banco de terras e agora necessitam de capital de giro para produzir”.

Caio Monteiro também alertou para uma possível desaceleração da demanda, em decorrência de situações de desemprego ou desconfiança do consumidor. “O financiamento da construção não possui o melhor do funding. Os bancos estão captando em poupança (que tem liquidez diária) e emprestando a longo prazo. Corre-se risco de descasamento.”

Diminuição no ritmo da construção civil é inevitável

De acordo com o documento criado durante o 80° Encontro Nacional da Indústria da Construção, ocorrido na última semana e divulgado pela CBIC na segunda-feira, dia 27, o setor reivindica o direcionamento exclusivo dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e da aplicação dos saldos da caderneta de poupança, para habitação, saneamento e infra-estrutura urbana. No documento também é solicitada também a redução em 5% do percentual do depósito compulsório de poupança. Com isso, se pretende direcionar o dinheiro para a viabilização de novas habitações.

Para o presidente da CBIC, Paulo Simão “Não haverá quebradeira, mas a redução do ritmo é inevitável. Os consumidores adiam as compras e os empresários, os investimentos”, disse. Porém, evitou citar as empresas que estão sujeitas a serem absorvidas. Em relação ao assunto de as empresas baixarem preços em conseqüência da falta de financiamento, ele acredita em custeio ou a queda “dependerá da lei da oferta e da procura”. Quanto ao crescimento, Paulo arrisca uma previsão para o setor que deve ficar entre 8,5% e 9% em 2008. “Não sei quanto menos vamos crescer em 2009. Estamos buscando medidas preventivas.”

Apesar do desempenho negativo, Helbor ainda acredita que sobreviverá

Com um aparente otimismo em relação ao seu negócio e tentando minimizar os incontestáveis reflexos da crise no setor, Henrique Borenstein, diretor presidente da empresa Helbor, que acumulava um prejuízo de 73,88% até o dia 28 de outubro, garantiu ao DCI que pelo menos sua empresa “tem recursos em caixa e linhas de crédito”, afirmou. Talvez, seja essa uma forma de Borenstein afastar a possibilidade de que não seria a Helbor, uma das dissipadas no mercado. A Abyara, mais cautelosa, se limitou a dizer que o cenário ainda é recente para opinar.

Para construtoras não listadas na bolsa, a situação é tranqüila

Entretanto, as empresas que não possuem ações na Bolsa não deverão sentir os ecos da crise. Elas estão em uma situação amplamente confortável devido a confiável saúde financeira que dispõem. É o caso da empresa joinvilense Convisa Construções e Incorporações. O diretor Ivandro Geraldo de Souza afirmou que o ritmo da empresa continuará sem alterações. “Nós vamos continuar investindo. Tivemos uma reunião no dia 28 sobre a crise e a decisão foi continuar trabalhando em ritmo normal. Enfim, nada muda, pois, continuamos a ter crédito aprovado nos bancos.”, explicou Ivandro.

O proprietário da Terraço Planejamento e Construções, Mauro Bartholi, explica que para as empresas que estão fora dessa captação nas bolsas não deverá haver maiores problemas. “A única expectativa que nós ficamos é em relação ao mercado internacional que deixa as pessoas apreensivas. Mas, eu acredito que no Brasil não viveremos a mesma situação que acontece nos EUA, é totalmente diferente. Aqui não há risco para o cliente e nem para os bancos já que nosso sistema bancário é totalmente diferente.” Bastante otimista Bartholi faz boas previsões. “Eu vejo com uma boa expectativa o mercado imobiliário. Esse ano já foi muito bom, e os próximos acenam com o mesmo prognóstico.”, finalizou.

Tebaldi perde foro privilegiado

Os desdobramentos da derrota nas urnas do grupo do prefeito Marco Tebaldi para Carlito Merss não se limitam na margem marcante de mais de 66 mil votos de vantagem. Eles vão além e significam o fim de um ciclo de poder marcado por diversos escândalos, como nunca houve na história política da cidade.

A partir de agora, o prefeito terá duas grandes preocupações pela frente. Uma, com a nova gestão que está vindo aí, que deverá auditar as contas, analisar planilhas e conferir os contratos. E a outra com a Justiça.

Findo seu mandato, o prefeito perde o foro por prerrogativa de função, o popular foro privilegiado e processos que antes só poderiam ser instaurados pela Procuradoria da Justiça do Estado, no Tribunal de Justiça, passam a ser ajuizados pelo Ministério Público, em Joinville, no Fórum local.

A preocupação não é sem razão. O prefeito Marco Tebaldi ainda precisa responder ao Judiciário como R$ 100 mil do município desapareceram nas mãos de um estelionatário e por que razão um cheque de R$ 35 mil, do mesmo malfeitor, foram parar na sua conta pessoal.

O prefeito também precisa responder agora sobre seu pretenso envolvimento com as operações do seu ex-secretário da Saúde Norival Silva, que estão descritos na ação de investigação judicial que envolve o candidato derrotado Darci de Matos.

Na escuta telefônica autorizada pela Justiça, amplamente divulgada pela imprensa, no início deste mês, o ainda pré-candidato a prefeito pedia ao secretário da Saúde que conseguisse junto a fornecedores R$ 55 mil para pagamento de uma dívida fiscal do deputado Nilson Gonçalves. Na ligação, Darci deixa claro que, além de Norival, somente o prefeito teria conhecimento da operação.

São novos tempos para Marco Tebaldi. Derrotado nas urnas, com níveis de aceitação muito baixos, o prefeito terá que aprender a trabalhar na adversidade, porque o sua via-crúcis ainda está longe do fim.

Drauzio Varella: Olha o aviãozinho, meu filho!

Antigamente uma criança rechonchuda era admirada como saudável. Havia razão: num mundo sem antibióticos nem saneamento, assolado por epidemias de fome, a criança mais gordinha levava vantagem na seleção natural.

A necessidade de manter a prole superalimentada nos períodos de fartura deve ter sido tão essencial à sobrevivência da espécie humana que, ainda hoje, as mães enlouquecem quando os filhinhos fazem fita na hora do almoço.

A disponibilidade atual de alimentos altamente calóricos, entretanto, provocou um aumento explosivo nos casos de obesidade infantil em diversos países do mundo, entre os quais o nosso. A prevalência elevada de crianças obesas não ocorreu apenas nas sociedades industrializadas ou nas classes privilegiadas dos países em desenvolvimento. Graças ao acesso generalizado à alimentação de conteúdo energético alto e à falta de espaço para práticas esportivas, os habitantes mais pobres das grandes cidades são especialmente vulneráveis ao ganho excessivo de peso.

A pediatria moderna considera a obesidade infantil uma doença de conseqüências potencialmente devastadoras que afeta diversos sistemas do organismo. Estudos demonstram que, em analogia aos adultos, o excesso de peso das crianças está associado a diabetes, hipertensão, puberdade precoce, colesterol e triglicérides elevados, inflamações crônicas, aumento na produção de insulina, tendência à coagulação acelerada do sangue e alterações nas paredes internas das artérias que mais tarde levarão aos ataques cardíacos e aos derrames cerebrais.

Desde as clássicas autópsias realizadas por patologistas americanos durante a guerra do Vietnã, sabemos que jovens obesos apresentam em suas artérias placas de aterosclerose semelhantes àquelas que provocam doenças cardiovasculares nas pessoas mais velhas. Um estudo conduzido na Inglaterra recentemente mostrou que ter sido obeso na infância está associado à duplicação do risco de infarto do miocárdio aos 57anos de idade.

Além dessas complicações tardias, estão ligados à obesidade infantil transtornos renais, musculares, ósseos, articulares, hepáticos, respiratórios (asma, apnéia do sono e intolerância aos exercícios físicos vigorosos) e complicações neurológicas. Distúrbios psicossociais conseqüentes à auto-estima rebaixada, à deformação da auto-imagem e à visão preconceituosa da sociedade, que estigmatiza a criança obesa, podem levar a quadros depressivos na adolescência, abuso de drogas e transtornos de ansiedade.

A predisposição genética é tradicionalmente invocada para explicar por que algumas crianças engordam enquanto outras podem comer à vontade sem ganhar peso. Mas foi apenas em 1997 que se identificou com segurança a mutação genética responsável pela excessiva obesidade de duas crianças paquistanesas, filhas de um casal consangüíneo. Ambas apresentavam uma mutação no gene responsável por codificar a leptina, um hormônio produzido pelo tecido gorduroso que tem a propriedade de ativar o centro da saciedade e bloquear a fome.

Desde então, foram identificadas mais cinco mutações genéticas causadoras de obesidade humana. Alterações em genes isolados, no entanto, podem ser responsabilizadas apenas por uma pequena parcela dos casos. Na verdade, o que chamamos de predisposição à obesidade envolve interações complexas de uma constelação de pelo menos 250 genes relacionados com o controle do equilíbrio energético do corpo humano.

A função desses genes é orquestrar uma cascata de processos fisiológicos destinados a manter um equilíbrio delicadamente ajustado entre o número de calorias ingeridas e aquelas que serão gastas no dia-a-dia. Para termos uma idéia da precisão desses mecanismos, vale lembrar que um excesso diário de apenas 120 kcal (um copo de refrigerante comum), produziria em 10 anos um acréscimo de peso igual a 50 quilos.
A epidemia de obesidade infantil encontrada mesmo em populações geneticamente estáveis, no entanto, sugere que fatores pré-natais estejam envolvidos em sua gênese. Em 1998, Whitaker e Dietz levantaram a extraordinária hipótese de que a superalimentação da mãe durante a gravidez aumenta a transferência de nutrientes através da placenta, induzindo alterações permanentes no apetite, no sistema neuroendócrino e no balanço energético do feto.

Estudos observacionais reforçam essa hipótese, de fato. Parece existir relação direta entre obesidade materna, peso ao nascer e obesidade no decorrer da vida. Ratas que desenvolveram obesidade por excesso de calorias ingeridas durante a gravidez dão à luz filhotes mais gordos do que os nascidos de ratas geneticamente idênticas a elas, mas alimentadas com parcimônia para não se tornarem obesas.

As implicações dessas idéias estão longe de ser desprezíveis. Elas indicam que a epidemia de obesidade pode ser acelerada de uma geração para a seguinte pelo simples aumento da ingestão de calorias durante o período gestacional, independentemente de fatores genéticos ou influência do meio encontrado depois do nascimento.

Para aumentar a complexidade desse tema, um estudo holandês demonstrou que a subnutrição em certos períodos críticos do desenvolvimento fetal também pode induzir alterações fisiológicas permanentes no futuro bebê, que conduzirão ao excesso de peso depois do nascimento. Essa constatação pode colocar em risco de obesidade mesmo as crianças dos países mais pobres e deixa claro que a prevenção da obesidade deve começar antes mesmo da concepção.

No próximo número desta coluna, será discutida a influência do estilo de vida das crianças na gênese da atual epidemia de obesidade infantil.

O sonho que se tornou realidade

Ele precisou de exatos vinte anos para realizar o maior sonho de sua vida: administrar a maior cidade de Santa Catarina pelos próximos quatro anos. Coincidentemente, foram quatro tentativas anteriores, que quase o fizeram desistir de concorrer este ano. Mas ele persistiu. Desta vez, alicerçado em uma campanha “bem planejada e com inteligência”. Conjugando racionalidade e emoção na medida certa, o deputado federal Carlito Merss (PT) pôde comemorar no inicio da noite do último domingo (26). O resultado consagrador foi anunciado por volta das 19 horas pelo juiz Davidson Jahn Mello coroando uma trajetória de desafios e obstinação. Com 170.955 Carlito Merss é o novo prefeito de Joinville, a maior votação da história do município. Mas a agenda de Carlito começou por volta das 10h30, quando ele votou na Escola Básica Dr.Jorge Lacerda, no Guanabara. Ele estava acompanhado da esposa Marinete, do deputado estadual Kennedy Nunes (PP) e do ministro da Aquicultura e pesca Altemir Gregolin.

Sorridente, ao lado da mulher Marinete Merss, Carlito não demonstrava cansaço em virtude da estafante jornada da campanha eleitoral. E afirmou que esta tendência do eleitor joinvilense que optou pela mudança já estava registrada desde o inicio da campanha de segundo turno. “Tínhamos as pesquisas nos colocando à frente já no primeiro turno, mas tivemos de nos conter até o último momento. Valeu a campanha. Tudo isso é o resultado de vinte anos e a população entendeu que não era justo que a cidade fosse governada para apenas uma parte, por isso optou pela mudança”, afirmou.
Após o encerramento da apuração no Centreventos Cau Hansen, Carlito Merss concedeu sua primeira entrevista como prefeito eleito de Joinville. Afirmou que a saúde será prioridade em sua gestão, falou da campanha e de que forma será conduzido o processo de transição junto à atual administração.

Que impressão que fica desta campanha eleitoral na qual o senhor foi eleito prefeito após quatro tentativas?
A impressão que fica é que essa foi uma campanha com muito debate, foi uma campanha em que a gente conseguiu ter sabedoria o suficiente pra combinar a divulgação das nossas propostas com o desejo da população de ter mudanças na cidade.

De que forma será conduzido o processo de transição? O senhor pretende conversar com o prefeito Marco Tebaldi?
Nós já estamos fazendo eleições há bastante tempo e acho que os homens públicos já sabem a responsabilidade que têm junto a cidade, estado e país. É natural que o prefeito atual tenha responsabilidade até o final do mandato, isso é uma exigência constitucional. Nos próximos meses devemos sentar com o prefeito, conversar, encaminhar e estabelecer o processo de transição. Isso é uma exigência legal, inclusive.

O senhor já teria alguns nomes mapeados para compor o primeiro escalão da prefeitura?
Não temos ainda uma discussão sobre isso. Com relação a nomes para compor o secretariado, nada foi tratado com os partidos que me apoiaram no segundo turno. O que menos nos preocupamos agora são com nomes, pois trabalhamos até aqui unicamente para ganhar as eleições.

Há a possibilidade de fusões ou criações de novas pastas na sua futura gestão, haja vista que muitas delas têm funções parecidas e acabam gerando conflito de competência?
Há uma discussão. Percebemos que em alguns casos vamos ter que redefinir funções ou juntar alguns órgãos, mas isso é para uma etapa posterior, depois que tomarmos ciência da real situação de cada secretaria. Também pretendemos criar a Secretaria Municipal de Segurança Pública, mesmo sendo uma atribuição do Estado, queremos dar condições para que as políticas públicas de combate ao crime tenham efeito.

Qual será o primeiro ato de Carlito Merss prefeito no dia 1º de janeiro?Nos primeiros cem dias, vamos cuidar da saúde, que passa por uma fase muito difícil. Este foi o grande tema da campanha e o joinvilense pediu.

Vamos nos dedicarmos ao tema para que o cidadão possa ter um atendimento de melhor qualidade. A saúde será nossa prioridade.

Ainda hoje, uma senhora me expôs a angústia de tentar atendimento médico para o seu pai no Hospital Regional, mas não havia nem leitos nem médicos para atender. Um de nossos objetivos é trazer o comando do Hospital Regional e da Maternidade Darcy Vargas [que são do governo do Estado] para o município, que é gestor pleno da saúde.

Para historiador, futuro político de LHS está ligado somente a Joinville

Segundo especialista, a vitória de Carlito alavanca candidatura de Ideli em 2010

O resultado da disputa pela prefeitura em Joinville (SC) pode indicar tendências para o cenário político catarinense. A derrota de Darci de Matos (DEM), nas urnas nesse domingo, significa uma derrota pessoal do governador, Luiz Henrique da Silveira (PMDB). É o que avalia o historiador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Waldir Rampinelli.

“O Luiz Henrique é de lá [Joinville], foi prefeito de lá e apostou muito na cidade. O resultado das urnas é uma derrota acachapante para o governador, analisou Rampinelli. Por outro lado, a vitória do petista Carlito Mers representa uma vitória também da senadora Ideli Salvati, que apoiou o candidato e quer ser governadora, aponta o historiador.

Joinville tem hoje 487 mil habitantes mais do que a capital Florianópolis e 340 mil eleitores. A partir da década de 1950 viveu um período de grande expansão da atividade industrial, chegando a ser chamada de a Manchester Catarinense, uma alusão cidade inglesa, que foi um dos berços da revolução industrial.

Mas, de acordo com Rampinelli, hoje a cidade vive outra realidade. Joinville foi muito importante em Santa Catarina nos anos 1960 e 1970 por causa da industrialização. As pessoas vinham muito do interior para trabalhar em Joinville e havia emprego para todo mundo. Hoje, a cidade não tem mais esse surto industrial e já há pessoas fazendo o contrário, voltando para o interior. Joinville não abriga mais tanta mão-de-obra, apontou.

No primeiro turno, Darci de Matos teve 23,96% dos votos contra 36,14% de Carlito, da coligação Joinville de Toda Sua Gente (PT-PR). Rampinelli destacou que os processos de cassação que Luiz Henrique enfrenta atualmente na Justiça, contribuíram para o desgaste da imagem dele e, conseqüentemente, de Darci.

Samu é despejado e obrigado a mudar às presas

Atuando na sede do Hospital Materno-infantil de Joinville desde 2005, Samu foi surpreendido com pedido para mudar de local

A partir do final de novembro, o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), que funciona desde 2005 em Joinville, vai ter uma nova sede. A unidade vai ter que sair das instalações do Hospital Materno-infantil de Joinville para outro local, não por iniciativa própria, mas por uma imposição da organização social que administra o hospital.

A determinação pegou a equipe do Samu de surpresa na semana passada. Desde a implantação do serviço, o Samu tem como sede um espaço dentro da estrutura do hospital.

Agora, com a Organização Social (OS) Nossa Senhora das Graças gerenciando as atividades do hospital, a OS alega que necessita do espaço para implantar o setor de almoxarifado, o que deixou o Samu na rua.

Sem ter onde abrigar o serviço, a coordenação do Samu procurou a Polícia Militar, que cedeu um espaço no 8º Batalhão, como explica o coordenador mesorregional do Samu, Mauricio Benetton. “Desde que o Samu foi implantado na cidade, sabíamos que nossa sede seria temporária, mas não esperávamos que tivéssemos de sair do Hospital Infantil tão repentinamente. Diante da notícia nos dada na semana passada, comunicando que até o dia 30 de novembro teríamos que desocupar o prédio, fomos em busca de um novo local. A PM atendeu nosso pedido”, explica.

A nova sede funcionará onde operava o Copom. Hoje o local passa por reformas e a mudança deve ocorrer em meados de novembro. “De acordo com a direção do batalhão, as obras estão quase que finalizadas. Acredito que vamos conseguir mudar a tempo. Até o dia 30 de novembro já estaremos com certeza na nova cede”, acrescenta Benetton.

Central unificada

Segundo o coordenador mesorregional do Samu, Mauricio Benetton, a mudança de endereço servirá também para atender uma antiga reivindicação da comunidade: a implantação da Central Única de Emergência. A exemplo das cidades de Blumenau e Balneário Camboriú, o serviço do Samu e da Policia Militar serão integrados. Nessas cidades, desde o início do ano as centrais telefônicas da PM (190), Samu (192) e Corpo de Bombeiros (193) foram unificadas. O coordenador do Serviço, Mauricio Benetton, explica como essa implantação deve ocorrer em Joinville.

“A integração dos serviços só vem a somar tanto para a população que ao procurar um determinado serviço vai ser direcionada para aquele que atendas as suas necessidades, tanto para nós, uma vez que é muito comum chegar duas ambulâncias de entidades distintas a uma mesma ocorrência. Com a central, vamos ter mais números de linhas disponíveis e otimizaremos o serviço”, complementa Benetton, lembrando que primeiramente a central será unificada apenas entre a PM e Samu, e que posteriormente o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville deve fazer parte da central.

BOMBA-RELÓGIO: Superlotação da ala feminina do presídio é preocupante

Uma bomba-relógio prestes a explodir. Assim pode ser resumida a situação das detentas da ala feminina do Presídio Regional de Joinville. Com capacidade para abrigar 35 presas, atualmente as duas alas abrigam mais de 92 mulheres. O local é apertado e com pouca ventilação, e as presas acabam tendo de se amontoar como podem. À noite a situação é ainda pior, faltam camas e colchões, muitas dormem no chão, outras acabam tendo de dormir empilhadas dividindo a mesma cama.

“Tá muito cheia a cadeia, não temos espaço nem para dormir, muitas colegas têm de se amontoar entre um beliche e outro, tem detentas que dividem em a mesma cama”, revela uma das presas. Outra acrescenta que falta material de limpeza e de higiene pessoal. “Não recebemos nem absorvente. Não tempos pasta de dente, falta sabão em pó, água sanitária, detergente, o Estado abandonou as cadeias”. O descontentamento também se dá pela demora do Judiciário. Uma presa nos conta que há detentas que há mais de oito meses estão à espera de um despacho judicial e não recebe respostas. “Tem gente aqui que já cumpriu a pena e a Justiça não libera o alvará.
Outras estão à espera de julgamento para serem transferias e nada da Justiça andar. A situação está insuportável”.

Superlotação

Na semana passada uma equipe do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Joinville, juntamente com Conselho Carcerário de Joinville esteve na ala feminina do presídio para conhecer a realidade do local. De acordo com a advogada do CDH e integrante do Conselho Carcerário de Joinville, Cynthia Pinto da Luz, a situação é preocupante. “A gente tem uma atuação muito forte dentro do sistema prisional de Joinville, e desde que começamos a fazer esse trabalho identificamos um problema histórico dentro do Presídio Regional, que é a questão da superlotação. A capacidade do presídio é para 380 detentos, hoje ele tem entre 630 e 640 detentos. Nesse mês, a ala feminina estava com 92 detentas num espaço para 35. As condições da unidade são bastante complicadas, não existe o trabalho de educação e ressocialização do preso”, explica.

A conselheira alerta sobre a ineficiência do Estado perante a população carcerária. “O setor feminino é dividido em duas grandes alas que têm beliches um colado ao outro. As detentas acabam tendo de dormir entre um e outro beliche, duas e até três dividem a mesma cama. O governo não tem dado conta de oferecer os materiais mínimos e básico de higiene pessoal e limpeza. Muitas não ganham nem o absorvente, isso as coloca numa situação de vivência de muita miséria, de promiscuidade, de mediocridade. Agora com a nova direção, percebemos que o presídio está mais humanizado, e talvez por isso as presas não tenham se revoltado, mas a situação lá dentro é muito crítica e o culpado é o governo do Estado que joga os presos lá e os abandona”, acrescenta Cynthia.

Direção reconhece o problema

O diretor da unidade prisional, Jonas Alberto Cavanhol, aponta que a superlotação é uma preocupação constante, tanto para os presos quanto para a direção do Presídio Regional. “Até dois meses atrás, nossa lotação estava tranqüila. De repente o número de presas começou a aumentar e chegamos a ter até 95 detentas. Ao poucos estamos agilizando alguns processos e transferências para amenizar o caso, mas de fato, o local está bem lotado. Abrimos uma sala onde colocamos mais cinco beliches, o ideal é que apenas três presas ficassem naquele espaço mas acaba ficando mais de 20, aos poucos vamos fazendo o que é possível”, revela atestando o problema.

Em relação à falta de materiais de higiene, o diretor do presídio também confirma as denúncias do CDH. “De fato a máquina pública estadual não consegue atender adequadamente a toda a população carcerária. O que a gente faz aqui em Joinville são algumas campanhas para doação desse material. Além disso, a gente vende os materiais recicláveis e os artesanatos das detentas para fazer a compra desses produtos. As que têm familiares, contam com o auxílio deles. Mas aquelas que a família não visita acaba passando necessidade nesse sentido”, admite.

Por fim, Cavanhol destaca que existe um projeto estadual para a construção de uma penitenciária feminina que viria a amenizar o a superlotação, que segundo ele acontece em todo o Estado. “O projeto está sendo discutido, ainda não tem prazo e nem o local onde funcionaria essa penitenciaria. O que se sabe é que ela seria centralizada, e atenderia toda a demanda do Estado”, completa.

Quem ganha e quem perde com a vitória de Carlito Merss?

Carlito Merss (PT) venceu a eleição à Prefeitura com a maior votação já atribuída a um candidato a prefeito na história de Joinville. Carlito e o seu PT ganham, Darci e o DEM perdem. Mas, não é assim tão simples. Com Carlito, também ganham aqueles que se somaram ao seu projeto, como os candidatos que não foram para o segundo turno, como Kennedy Nunes (PP), Rodrigo Bornholdt (PDT) o vice de Mauro Mariani, o médico José Aloísio Vieira, o Xuxo (PPS), e a presidenta do PMDB, a vereadora Tania Eberhardt junto com boa parte do seu partido.

Por outro lado, figuras até então consideradas imbatíveis na política perderam de maneira fragorosa. É o caso do governador Luiz Henrique da Silveira, que apostou em Darci, pediu votos, subiu no palanque e descobriu da maneira mais doida que o eleitorado que anos atrás lhe deu o voto consagrador em duas eleições ao governo do Estado, hoje duvida de sua indicação. Também perdeu o prefeito Marco Tebaldi, que a partir de janeiro não tem mais foro privilegiado, e dentre os perdedores também estão seus preferidos da imprensa.

LHS, o grande perdedor

Houve um tempo em que se dizia que o apoio de Luiz Henrique a um cavalo seria suficiente para garantir a eleição ao semovente, tamanho o prestígio do hoje governador. Seis anos atrás Luiz Henrique garantiu sua eleição ao governo do Estado, tida como impossível, graças ao peso de 76% do eleitorado joinvilense. Dois anos depois fez Marco Tebaldi prefeito com a mão sobre seu ombro. Mas, agora não adiantou pedir por Darci de Matos.

O governador se empenhou na campanha de Darci. Foi para a televisão pedir voto, abraçou seu projeto e não lhe faltou entusiasmo quando discursou em favor do candidato do DEM nos diversos comícios que participou. Fosse só isso já seria uma grande ajuda para qualquer um que buscasse apoio do governador.

Mas LHS foi além, e quis trazer todo o PMDB pela orelha para a trincheira de Darci.
Desta vez não deu certo e LHS aprendeu que mesmo dentre os que o admiram tem gente que não aceita ser tangido como se gado fosse. Ele tentou fazer isso dias atrás, depois de a presidenta do PMDB Tânia Eberhardt editar uma nota do partido liberando os filiados, o governador tentou enquadrá-la, determinando, de cima para baixo, o apoio a Darci. Tania se manteve firme e está entre os que venceu.

Assim, a eleição de Carlito é a prova inconteste de que Luiz Henrique é o grande perdedor do processo em Joinville. O governador perdeu quando resolveu apoiar um candidato indesejado pela grande massa e perdeu de novo ao deixar evidente que seu poder de império sobre a consciência das pessoas do PMDB tem limites.

Tebaldi não elege seu afilhado

O prefeito Marco Tebaldi é outro grande derrotado com a eleição de Carlito Merss. E se só a eleição do petista já significaria uma resposta inconteste de desaprovação ao seu governo, a eleição de Carlito com uma ampla maioria de votos, a maior até hoje atribuída a um candidato a prefeito de Joinville, significa muito mais. Significa que a grande maioria dos joinvilenses não engoliu aquela história de que os R$ 35 mil depositados em sua conta eram de um cheque em garantia a um empréstimo dado a um estelionatário. Significa que não aceitaram a forma de tratamento dispensado por Tebaldi a quem questiona suas determinações, as vinganças mandando toda uma comunidade para o fim da fila só porque líderes comunitários reclamaram por obras. E significa que muitos não esqueceram os aumentos da água e IPTU acima do razoável, que Joinville ficou anos sem varrição e que muitos lembram do corte do repasse às cozinhas comunitárias só porque o Padre Fachini não se alinhou politicamente.

Fizesse seu sucessor, especulava-se que Tebaldi poderia compor seu governo até as eleições de 2010, quando tentaria buscar nas urnas uma vaga na Câmara dos Deputados. Mas, até o projeto visando um cargo de deputado federal pode estar comprometido.

Derrotado junto com Darci, Tebaldi perde poder no PSDB justamente para o grupo de Nilson Gonçalves e outros que saíram magoados do processo. Dependendo das articulações futuras, talvez Tebaldi não tenha nem espaço para entrar na disputa, isso sem falar que agora o prefeito perde sua prerrogativa de função, o popular foro privilegiado. O que resta a Marco Tebaldi agora são 66 dias no cargo até a posse do prefeito Carlito Merss.

Ele jogou fora uma eleição praticamente ganha

O presidente da Câmara de Veradores deixou uma reeleição tida como certa para se alinhar-se a Darci como vice, atendendo ao apelo de seu partido, o PSDB. A princípio, perdeu a vice-prefeitura pretendida e a reeleição. O problema é que agora, sem mandato, a situação de Dalonso fica difícil no espectro político. Sem mandato, ele perde nas internas do partido para outros integrantes, como os vereadores, que de certo buscarão credenciar-se para disputar uma vaga na Assembléia Legislativa.

O jovem Fabio Dalonso encarna o aspecto do bom moço. Criado na comunidade agrícola de Pirabeiraba, ele amadureceu nas fileiras do 62º Batalhão de Infantaria, migrou para o serviço público e depois para a política. Sua rápida ascensão, alcançando uma bela eleição à Câmara de Vereadores já na primeira tentativa, em 2004, e logo neste primeiro mandato assumindo a presidência da casa, agora foi interrompida com a derrota de Darci.

Um nó na garganta

As conseqüências da mudança na administração municipal inevitavelmente atingirão em cheio alguns segmentos da imprensa joinvilense, em especial radialistas que disponibilizaram as cordas vocais em favor do candidato derrotado Darci de Matos (DEM) nos microfones das emissoras de rádio da cidade. São locutores que usam as manhãs para sobreviver da bajulação paga com o dinheiro público.

Sempre atacando enraivecidos aqueles que discordem de suas opiniões ou em defesa dos que injetam dinheiro em seus programas, Osny Martins, Toninho Neves e Luiz Veríssimo agora terão de conviver com o poder do lado oposto de seus interesses. Eram comuns os generosos espaços concedidos ao prefeito Marco Antonio Tebaldi (PSDB), que sem cerimônia, tecia auto-elogios e atacava sem pudor seus inimigos políticos. Em troca, os radialistas eram agraciados com viagens ao exterior custeadas com o dinheiro do contribuinte além de polpudas fatias das verbas publicitárias da prefeitura.

E agora, Toninho Neves?

Toninho Neves, que há muito tempo se arrasta como diretor de comunicação social da Câmara de Vereadores de Joinville, também é titular do programa “Linha Direta”, na rádio Colon FM. Ignorando os mais elementares preceitos de bom senso, o radialista tem como patrocinador de seu programa, a própria Câmara, que por sua vez, é presidida pelo vereador Fabio Dalonso (PSDB). O vereador, que foi candidato a vice-prefeito de Darci de Matos, derrotado nas urnas no último dia 26, tinha uma participação na mesma emissora de Toninho, onde fazia a previsão do tempo.

Essa relação promíscua com o poder explica parte da postura tendenciosa adotada por Toninho Neves. A outra parte se deve à amizade de conveniências cultivada entre o radialista e o prefeito Tebaldi. A intimidade entre os dois proporcionou à rádio Colon boas quantias oriundas da verba de publicidade disponibilizada pela prefeitura, enquanto Toninho era agraciado com viagens internacionais. Com a vitória de Carlito Merss (PT), principal alvo de Toninho Neves em suas mal-intencionadas críticas, o prognóstico de seu futuro na Câmara de Vereadores de Joinville se tornou incerto e suas chances de permanecer no cargo comissionado são praticamente nulas.

Veríssimo, esvaziando as gavetas

Luiz Veríssimo, radialista de humor instável principalmente se contrariado, comanda o programa “Primeira Página”, também na Rádio Colon FM. Há 29 anos, Verissimo ocupa um cargo comissionado na Câmara de Vereadores de Joinville, onde é subordinado de Toninho Neves. O radialista criou seu programa radiofônico juntamente com Norival Silva, que foi nomeado pelo prefeito Marco Antonio Tebaldi secretário municipal de Saúde. Norival foi preso no exercício de sua função no início desse ano sob a acusação de favorecimento em processos licitatórios, fraude, peculato e formação de quadrilha. Até sua prisão, ele era cotado para integrar a chapa de Darci de Matos como candidato a vice-prefeito. A prisão do amigo lhe causou situações constrangedoras, já que Norival tinha assento garantido no programa, chegando a substituir Veríssimo em algumas ocasiões. Com a posse do novo prefeito e a composição da nova legislatura, Luiz Veríssimo também deverá esvaziar suas gavetas na Câmara Municipal.

Osny Martins e a verdadeira baixaria

Consta que uma promessa feita a Osny Martins pelo então candidato Darci de Matos assegurava que o radialista ocuparia um dos cargos de confiança junto a uma eventual administração democrata. O programa Breakfast, na rádio Cultura /Jovem Pan, apresentado por Osny, seria a moeda de troca. Extremamente confiantes em sua vitória, Darci teria garantido ao radialista o comando da Secretária de Comunicação da prefeitura de Joinville. O pagamento pelo generoso presente seriam as opiniões favoráveis ao candidato do DEM. Prova disso, eram as incansáveis defesas dos fatos obscuros envolvendo o padrinho político de Darci, o prefeito Marco Tebaldi, e recentemente o próprio Darci de Matos. Osny pregava quase que diariamente em seu programa de rádio e na emissora de TV RIC Record que tais fatos não deveriam ser debatidos durante a campanha, classificando-os de “baixaria”. A posição do radialista era natural, já que os escândalos que afloraram nos últimos meses tinham como protagonistas o prefeito e o candidato Darci de Matos, que lhe acenava com um belo cargo comissionado. Agora, a administração de Carlito Merss (PT) oxigena e dá novos ares à política da maior cidade do Estado. Nesse contexto, Osny Martins não deve conquistar o mesmo espaço.

A vitória também é deles
Apoio de Kennedy Nunes e do vice-prefeito Rodrigo Bornholdt foram fundamentais para a vitória de Carlito

Kennedy Nunes foi peça chave na eleição de Carlito Merss. O deputado do PP chegou em terceiro na disputa do primeiro turno conquistando 18,5% do eleitorado, e seu apoio foi importante para assegurar a vitória do petista no segundo turno. E não foi só. No primeiro turno, com uma campanha crítica, mostrando os equívocos da administração Tebaldi, Kennedy deixou claro que a melhor opção não seria o candidato do prefeito, abrindo assim espaço para Carlito.
Iniciado o segundo turno, Kennedy foi o primeiro a oferecer apoio ao petista. E Kennedy ganha porque esse apoio lhe assegura espaço para participar do governo e sua votação o credencia a, no mínimo, ser reconduzido à Assembléia Legislativa.

RODRIGO BORNHODT

O trabalhista Rodrigo Bornholdt também saiu ganhando no processo eleitoral. O vice-prefeito de Marco Tebaldi fez uma campanha especialmente ácida contra a atual administração, adotou um discurso que pregava a revolução, fez 5,09% dos votos e elegeu um vereador, um de seus principais assessores, o professor James Schroeder. Rodrigo e seu PDT também aderiram à campanha de Carlito e deve contribuir com seu governo. Saiu por cima, especialmente depois de sua ruidosa saída do PMDB, pouco mais de um ano atrás. Hoje, com a eleição de Carlito, Rodrigo deve se tornar um importante interlocutor do governo municipal e se credencia para a disputa à Assembléia Legislativa.

Propaganda eleitoral do 2º turno encerra à meia noite no dia 24

TRE/SC
Postado por: Windson Prado

A propaganda eleitoral do segundo turno das eleições 2008 termina nesta sexta-feira (24). A partir da zero hora do dia 25 não é permitido qualquer tipo de propaganda pela internet, ou paga em páginas de jornais e revistas, bem como debates. Comícios, contudo, devem ser realizados somente até a sexta-feira (24). Já carreatas, passeatas e panfletagem podem ser feitas ainda durante o sábado, véspera da eleição. As pesquisas eleitorais "de boca de urna" podem ser colhidas durante o dia da eleição, mas divulgadas apenas após o encerramento da votação.

As denúncias de propagandas irregulares ou crimes eleitorais podem ser feitas diretamente à polícia, bastando ligar para o número 190 da PM, ou serem encaminhadas aos cartórios eleitorais.


Quanto às proibições para o dia da eleição, são as mesmas já colocadas em prática no primeiro turno. Assim, é proibido desde a zero hora do dia 26 de outubro:


Aglomeração de pessoas, em qualquer local público ou aberto ao público, portando instrumentos de propaganda, de modo a caracterizar manifestação coletiva, com ou sem utilização de veículos.


Propaganda de boca de urna, independentemente da distância do local de votação.


Uso de alto-falantes e amplificadores de som, assim como a realização de comícios e carreatas.


A distribuição ao eleitorado de qualquer espécie de propaganda de candidato ou partido mediante impressos, panfletos, cartazes, camisas, bonés e broches em vestuário.


Realização de qualquer propaganda em jornais, rádio, tv e internet, bem como o transporte de eleitores. (EB/RBF)

Reta final

Para este segundo turno, o Jornal Gazeta de Joinville contratou duas pesquisas com dois institutos distintos que trabalham com metodologias também diferentes. Enquanto a Univali coleta os dados com eleitores transitando nas vias públicas, o Instituto Visão adota o critério de pesquisar de casa em casa, em todos os bairros da cidade. Nesta edição, a Gazeta apresenta os números obtidos nesta segunda e terça-feiras, 21 e 22, e que mostram a liderança folgada de Carlito, com 34 pontos percentuais à frente de Darci de Matos.

No entanto, as pesquisas não substituem absolutamente a verdade das urnas. Por isso, cabe ao eleitor definir, livre e soberanamente aquele que deverá governar esta cidade pelos próximos quatro anos.

Os candidatos Carlito Merss (PT) e Darci de Matos (DEM) empreenderam nesta reta final esforços para conquistar os eleitores. Carlito priorizou caminhadas, visitas a instituições e a participação de programas de entrevistas.
Darci, por sua vez, percorreu bairros da cidade e realizou na quarta-feira (22) comício com a presença do governador Luiz Henrique, do prefeito Marco Tebaldi e um grande número de políticos ligados tanto ao governo do Estado quanto à Prefeitura de Joinville.

A poucos dias da votação, sobe a temperatura entre os apoiadores dos dois candidatos e, por isso, é fundamental que a direção de campanha de ambos fique atenta para que as regras do jogo eleitoral não sejam desrespeitadas.

A todos uma boa eleição.

Governo desenvolve tecnologia mais segura para transfusões

Kit poderá detectar em menos tempo a presença do vírus da Aids e da hepatite C

O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Ministério da Saúde, vai concluir, em 2009, o desenvolvimento do kit brasileiro NAT HIV/HCV – um sistema informatizado para testes de HIV (vírus da aids) e de HCV (hepatite C). Ele será utilizado na triagem sorológica dos serviços de hemoterapia e, comparado ao teste tradicional, tem a vantagem de reduzir a chamada janela imunológica – tempo contado desde a infecção em que o vírus não é diagnosticado no exame de sangue. A nova tecnologia, genuinamente brasileira, vai trazer mais segurança para as transfusões sanguíneas e tem previsão de ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2010.

Com o kit, a janela imunológica para a detecção do HIV, que hoje é de 21 dias, cairá para oito dias. No caso do HCV, o tempo será reduzido de 72 para 14 dias. Esse avanço é possível porque o NAT HIV/HCV tem a capacidade de detectar o material genético do vírus no sangue, enquanto o tradicional teste Elisa depende do surgimento de anticorpos.

“O kit brasileiro vai elevar a competência técnica da hemorrede, que passará a utilizar na rotina um teste de diagnóstico molecular de ponta e com excelente padrão científico e tecnológico”, afirma Akira Homma, diretor de Bio-Manguinhos.

Desde 2004, o projeto NAT é desenvolvido pelo Ministério da Saúde por meio da Coordenação da Política Nacional de Sangue e Hemoderivados, Fiocruz, Secretaria de Ciência e Tecnologia, Secretaria de Vigilância em Saúde, Anvisa e Empresa Brasileira de Hemoderivados (Hemobrás). Atuam como parceiros a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia; a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e representantes de toda a hemorrede do SUS.

Santa Catarina participará de testes de avaliação do kit

O Ministério da Saúde solicitará à Anvisa o registro do kit em agosto de 2009. Antes disso, em fevereiro, realizará um estudo multicêntrico nos estados de Santa Catarina, Rio de Janeiro e Pernambuco, com objetivo de validar o novo teste. Um projeto-piloto foi executado com sucesso este ano na hemorrede de Santa Catarina.
Patenteada pela Fiocruz, a tecnologia NAT traz a oportunidade de associar conhecimento científico de ponta a um produto 100% nacional. Essa experiência poderá ser usada como modelo para outros projetos de Pesquisa, Desenvolvimento & Informação em saúde.

Bio-Manguinhos é a unidade técnico-científica da Fundação Oswaldo Cruz que produz e desenvolve imunobiológicos para atender às demandas da saúde pública. Sua linha de produtos é composta por vacinas, kits de reativos para diagnóstico laboratorial e biofármacos.

Comprometido com os avanços na área de saúde e o acesso da população a imunobiológicos, Bio-Manguinhos tem um papel estratégico para o Brasil, destacando-se tanto no setor produtivo, quanto por seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento para geração de novas tecnologias e produtos, conhecimento e economia de divisas para o país.

Sem segurança, escola vira alvo

Direção reconhece o problema, mas alega não ter como contratar um segurança para vigiar local

Windson Prado - wind@gazetadejoinville.com.br

A falta de segurança em uma tradicional escola estadual do centro de Joinville tem revoltado os pais de alguns alunos. Nas últimas semanas, quatro bicicletas foram levadas do pátio da Escola Estadual Germano Timm, no centro da cidade. Em um dos casos, o mesmo aluno teve seu meio de transporte furtado por duas vezes. Em outro, o alvo dos criminosos foram dois irmãos que ao deixarem as bicicletas cadeadas no bicicletário da escola, ao término da aula perceberam que as bicicletas tinham desaparecidas.

O jovem Leonardo Menezes, de 14 anos, foi uma das vítimas. Ele trabalha com o pai no período da manhã e estuda à tarde. No início do mês passado, o garoto juntou o dinheiro e comprou uma bicicleta. Com o veículo ele ia e voltava da escola. Sabendo que no período vespertino a escola não conta com o serviço de vigilância, Leonardo se precaveu e comprou um cadeado para a bicicleta. Mas a medida de segurança não foi suficiente para conter a ação dos bandidos. “Deixei a bicicleta cadeada, achei que assim ninguém conseguiria roubá-la. Quando voltei da aula ela não estava mais lá. Nem o cadeado eles deixaram”, conta.

Vendo o lamento do filho que perdeu a bicicleta, o pai do garoto, o eletricista Luiz Menezes, ajudou Leonardo a comprar uma nova bicicleta. Mais uma vez o menino utilizou o veículo para ir à aula. “Agora ele tinha se precavido ainda mais. Comprou duas correntes e cadeados. Mas não deu outra. A bicicleta foi levada novamente, de dentro do pátio da escola. É um absurdo, roubam assim bicicletas trancadas com cadeados, imagina o resto. A escola não oferece segurança e qualquer um entra e sai de lá a hora, quando bem quer. Vigia só tem no período matutino. Os alunos da tarde tem de conviver com isso. É um absurdo”, lamenta o pai de Leonardo.

Leonardo acrescenta que um dia antes de levarem a primeira bicicleta, roubaram duas bicicletas de amigos seus. “Eles são irmãos e sempre deixavam as bicicletas cadeadas juntas. Levaram as duas. Desde o início do ano sete bicicletas foram roubadas de lá, e ninguém faz nada”, denuncia o jovem.

A direção se defende como pode

Nossa equipe de reportagem foi até a escola para saber como a direção pretende sanar as dificuldades. Dessa vez, o portão da escola estava cadeado. Após chamarmos insistentemente alguém para abrir o portão, quem nos recebeu foi a diretora da escola, Wanilde Graziotim, que devido à falta de um segurança, acaba por agregar a tarefa.

Professora Nica, como é carinhosamente chamada pelos alunos, diz fazer o que pode para garantir mais segurança na escola, e alega que o problema está na falta de um vigia para o período vespertino. “A nossa segurança, nosso guarda, que é pago pelo governo do Estado, é contratado para cumprir seis horas diárias. Como a demanda de alunos é muito maior de manhã, optamos em deixar esse guarda no período matutino. Não temos condições financeiras para ter um guarda no período da tarde. O governo não disponibiliza isso para nós. A janela da minha sala fica em frente ao bicicletário, temos conhecimento desses furtos, por isso sempre ficamos cuidando. Coincidência ou não, todas as bicicletas sumiram no final do turno vespertino quando abrimos o portão para os alunos irem para casa. E nesses dias, em que elas sumiram eu não estava na escola”, reconhece a diretora.

PROMESSA

Por fim, a diretora garante que vai novamente procurar a Gerência Estadual de Educação para buscar uma solução. “Eu acredito que pode ser os próprios alunos que estão furtando as bicicletas. Vou procurar a Clarice Protella [gerente de Educação] para juntas buscarmos uma solução. Não entendo. Nossa escola é uma instituição aberta. Temos aqui diversos projetos sociais, no final de semana a escola fica à disposição da comunidade, e não temos sequer uma pichação na parede, no entanto, esses furtos da bicicleta se tornaram quase que freqüentes. Prometo que vou buscar uma maneira para amenizarmos o problema” finaliza a diretora.

Terrenos da UFSC e da linha férrea invadidos pela água

Se não bastassem todas as denúncias de superfaturamento no valor pago do terreno onde será construído o campus Joinville da Universidade Federal de Santa Catarina, que fica na Curva do Arroz na BR, 101, outro problema deve dar muita dor de cabeça aos engenheiros e projetistas da obra. As intensas chuvas que caíram nos últimos dias mostraram uma realidade que muita gente já sabia, mas fazia vistas grossas. Basta chover um pouco que o local fica completamente embaixo da água.

Se o campus já estivesse construído e em plena atividade, certamente as aulas seriam suspensas e por tempo indeterminado. A água formou um grande banhado tomando conta de todo o terreno, que até então, era destinado ao cultivo de arroz.

A direção da universidade garante que o prédio será construído no espaço com topografia mais elevada. “Sabíamos do problema quando ganhamos o terreno. Mas nossa equipe de projetistas e engenheiros já fez um estudo do local. Com isso, vamos fazer a construção na parte mais alta do terreno. Mesmo com as chuvas, esta parte não será atingida pelas cheias”, garante o chefe de gabinete do reitor UFSC, professor José Carlos Cunha Petrus.

Ele complementa dizendo que a área onde as inundações são freqüentes não será utilizada pela instituição. “A principio não pretendemos fazer nada com o espaço onde as inundações acontecem. O projeto da implantação desse campus é para que a médio e longo prazos cresça se desenvolva e passe a ser uma instituição independente”. Para Petrus, um bom aterro deve solucionar o problema.

Embaixo d’água

Outra obra que vai dar muito trabalho, pelo menos diante do atual projeto, será o desvio da linha ferroviária que corta a região sul da cidade. O projeto prevê que o novo traçado deve passar no meio de duas fazendas próximas à Curva do Arroz.

O local por onde o trilho deve passar fica atrás da uma árvore que está totalmente coberta pela água. Segundo um funcionário da fazenda, essa situação ocorre de três a quatro vezes ao ano. “Sempre que chove inunda tudo aqui. O rio Piraí começa a subir e invade toda a propriedade. Estão falando em colocar um trilho de trem aqui, mas so se for trem aquático” destaca.

A versão do Ippuj

De acordo com o Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (Ippuj), o projeto do desvio da linha férrea já prevê driblar esses casos de alagamento. “No projeto consta que onde a linha férrea passar, em alguns casos o terreno será aterrado. Na região da UFSC, o trilho dever ficar a 11 metros do atual nível do solo. No terreno ao lado um aterro por onde o trilho vai passar será realizado. Assim o projeto vai poder ser executado”, explica o arquiteto do Ippuj, Vlademir Tavares Constante.

Bairros também ficaram embaixo d’água

A chuva forte e constate dos últimos dias provocou prejuízo não apenas nas áreas rurais. Nos últimos dias o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville e a Defesa Civil, registraram inúmeros alagamentos na cidade. De acordo com o responsável, Jonatas André Schmalz, as principais áreas alagadas foram Jardim Paraíso, Jativoca e Morro do Meio. Ainda segundo Schmalz, a água começou a baixar ainda no último sábado (18).

Asfalto de baixa qualidade não resiste a poucos dias de chuva

Ruas recentemente pavimentadas estão completamente tomadas por buracos, comprometendo segurança dos motoristas

Transitar por Joinville nestes dias chuvosos requer atenção. Não só pelo tempo instável, mas principalmente pelo excesso de buracos que se multiplicam pelas ruas da cidade, causando prejuízos e se tornando uma armadilha perigosa aos motoristas.
Em algumas ruas, o asfalto praticamente ‘se esfarelou’. O problema já se tornou comum na cidade, gerando questionamentos sobre a qualidade da pavimentação oferecida aos joinvilenses.

O asfalto da rua Iririú é um exemplo, há buracos em vários trechos prejudicando a segurança de quem trafega pelo local. Na rua Blumenau, próximo a Delegacia Regional, uma cratera se formou, comprometendo o tráfego de ônibus no local. O buraco foi fechado na última terça-feira (21), porém ficou completamente desnivelado.

Estudos realizados por universidades federais apontam que as causas para tanta buraqueira se devem à baixa qualidade do asfalto, ao desgaste provocado por tubulações de drenagem e à ocorrência de infiltração de esgoto. Para muitos engenheiros consultados, os problemas acontecem quando não são aplicadas as normas técnicas brasileiras de boa base, paralelepípedo e de dosagem.

Segundo dados da Secretaria Muncipal de Infra-estrutura, boa parte do orçamento vai para pavimentação ou melhoria de via, porém o excesso de chuva acaba comprometendo a durabilidade do material.

“Não estamos conseguindo arrumar as ruas devido ao excesso de chuva”, argumentou o diretor-executivo da Seinfra, Antonio César Mendes. Ele garantiu que a qualidade do asfalto utilizado em Joinville é de qualidade, não sendo esse o motivo da baixa resistência às intempéries. “Outro fator é a vida útil do asfalto que não é para sempre”, concluiu.

Em março do ano passado, a polêmica tomou conta da cidade. O caso foi objeto de análise na Câmara de Vereadores. Uma CPI para investigar a qualidade do asfalto chegou a ser cogitada, mas os vereadores da base governista não permitiram que a comissão fosse criada.

“A descentralização no banco dos réus” mais próximo das livrarias

Governador Luiz Henrique tentou de todas as formas impedir publicação do livro

Rogério Giessel - rogeriogiessel@hotmail.com

Nei Silva, o autor do livro “A descentralização no banco dos réus”, parece que está se livrando das amarras que o impedem de publicar sua obra. Bastante indigesta para o governador Luiz Henrique da Silveira e os integrantes de sua administração, o livro foi amaldiçoado com quatro ações judiciais para impedir sua publicação. A primeira e mais intrigante veio da misteriosa Márgara Hadlich, ex-funcionaria da Revista Metrópole, de propriedade de Nei Silva. Segundo Nei, a revista foi criada para enganar a Justiça Eleitoral e enaltecer as obras do governo estadual, visando à reeleição de LHS em 2006. A revista Metrópole era patrocinada por empresários e empresas públicas indicados por secretários do governador.

Ex-funcionaria perde na justiça

Márgara era responsável pelos “contatos comerciais” que angariavam publicidade para a revista. A ex-funcionaria entregou segredos de como funcionava a relação clandestina entre a revista Metrópole e o governo do estado para burlar a legislação eleitoral fazendo propaganda ilegal do governo com dinheiro público. Além disso, ela também mostrou como eram as abordagens a empresários catarinenses.

Os “patrocinadores” eram sempre indicados por secretários do governador.
Depois de conceder entrevistas confirmando o conteúdo do livro e relatando as diversas irregularidades, Márgara, inexplicavelmente voltou atrás e negou as declarações fornecidas. Em entrevista a essa Gazeta, Márgara detalhou os encontros com o governador, os secretários de Desenvolvimento Regional, Manoel Mendonça, de Joinville e Eliseu Matos, de Lages. Contou também como eram feitos os contatos com empresários indicados por eles. Na época, Márgara soltou o verbo e disse: “Quero ver o Luiz Henrique olhar nos meus olhos e dizer que tudo que falei é mentira. Quero ver o deputado do PMDB, lá de Araranguá (Manoel Mota), olhar para mim e dizer que não me conhece. Que nunca me botou no carro dele. Que nunca me ofereceu a estrutura toda para mim fazer a revista em Araranguá. Eu quero que o secretário regional de Lages, Elizeu Matos, negue que me atendeu muito bem.”

Entretanto, depois de atirar para todos os lados, a ex-funcionaria, ingressou no dia 5 de agosto desse ano, com a ação ordinária nº 023.08.049552-7, em que ela pretendia, na comarca da Capital, impedir que Nei conseguisse a publicação do livro. Porém, no último dia 21, o juiz da 1ª Vara Cível de Florianópolis, Vilson Fontana, recusou o pedido de Márgara. “Assim, não havendo referências à pessoa da autora ou sua imagem, na versão do livro “A Descentralização no banco dos Réus” a ser publicada (fls. 323/554), julgo improcedente o pedido inicial e casso a antecipação da tutela deferida no feito.”, decidiu o juiz. O entendimento de Fontana aumentou a dúvida sobre a repentina e curiosa mudança de Márgara com sua intenção em barrar o conteúdo do livro, já que segundo o magistrado, ela nem mesmo é citada ou referenciada na publicação de Nei. “É uma sensação de vitória. Tenho certeza que os juízes que cuidam das outras ações que moveram contra a publicação do livro, terão o mesmo entendimento.”, comemorou Nei.

Ex-secretário de LHS é mais um personagem que não quer publicação do livro

A outra ação é do ex-secretário Armando Hess de Souza, ex-secretário de Estado de Planejamento Orçamento e Gestão. A ação movida por Hess, sequer foi analisada pela juíza Andréia Regis Vaz. Isso, devido à data prevista para o lançamento do livro já ter transcorrido. “Inicialmente, tenho que prejudicada a análise da liminar, pela perda do objeto, uma vez que já transcorreu a data para lançamento do livro referido na inicial. Por isso, deixo de analisá-la.”, decidiu a magistrada. Foi Armando Hess quem chamou Nei Silva para receber o pagamento de uma quantia devida a Revista. Era 2 de junho desse ano quando um encontro foi marcado no Hotel Cambirela, em Florianópolis. Nei foi preso quando recebia R$ 40 mil do ex-secretário. Segundo Hess, ele agia como interlocutor do governo. Até então, o ex-secretário de Luiz Henrique dizia que não havia negócio algum com Nei Silva. Mas, com as incontestáveis provas em poder de Nei, Hess admitiu ter contratado a revista.

Outro pedido estranho

A segunda investida contra o livro foi de Danilo Prestes Gomes, sócio de Nei Silva na Revista Metrópole. Até então, Danilo se mostrava solidário com Nei Silva, chegando a guardar consigo as provas contra o governo. No entanto, no dia 21 de agosto, em uma audiência na 3ª Vara Criminal de Florianópolis, Danilo que figura como co-réu no processo que apura a extorsão atribuída a Nei Silva, surpreendeu ao pedir ao juiz Leopoldo Augusto Brüggemann, a proibição do livro. Sobre a intenção de Danilo, o juiz despachou o seguinte: “Sem nenhuma razão o co-réu Danilo Prestes Gomes quando persegue decisão no sentido de ser proibida a publicação do livro salientado na denúncia, intitulado de “A Descentralização no Banco dos Réus”. Leopoldo Brüggemann entendeu que aquela ação tinha apenas um objetivo. “Ademais, nenhum provimento, ao final, será dado em relação ao mesmo, ou seja, se poderá ou não ser publicado. Longe disso. Este juízo foi instado, mediante prévia distribuição, para deliberar, após regular instrução probatória, sobre um crime de extorsão, tão somente, dito praticado pelas pessoas referidas, em co-autoria.”, Deliberou o magistrado.

Pinho Moreira também entrou com ação

Eduardo Pinho Moreira, que assumiu o governo do estado durante a licença de Luiz Henrique da Silveira, no período de campanha eleitoral de 2006, e que hoje é o atual presidente das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), também não quer ver o livro publicado. De acordo com Nei Silva, em julho de 2007, o contemplado foi o presidente da Celesc, com a revista ‘A Força do Sul’: “Todas para enaltecer a presidência das instituições e o governo do estado, tudo com dinheiro público e de patrocinadores indicados por seus presidentes” afirmou Nei.

Com a ação indenizatória de número 008.08.018943-9, impetrada na comarca de Blumenau, Pinho Moreira tentou calar o dona da revista Metrópole. Mas, a juíza Fabíola Duncka Gêiser, da 3ª Vara Civil de Blumenau, determinou que Nei poderá continuar concedendo entrevistas sobre o assunto. “Nesses termos, como já salientado, não há comprovação cabalda inveracidade dos fatos publicados, mas um início de prova do direito alegado”, disse a juíza, que também solicitou que Eduardo Pinho Moreira prove os fatos inverídicos que impedem a publicação do livro.

Todos os institutos confirmam Carlito prefeito

Provável eleição de Carlito Merss a prefeito de Joinville representa o fim de uma era no poder em Joinville

A menos que todos os institutos de pesquisas estejam errados, o prefeito de Joinville a ser eleito no próximo domingo (26) será o petista Carlito Merss. Depois do Instituto de Pesquisas Sociais da Univali mostrar Carlito na frente com 74 pontos percentuais contra 26 pontos de Darci de Matos (DEM), e do Instituto Mapa retratar Carlito com 69 pontos contra 31 de Darci, e, nesta semana do Instituto Brasmarket também mostrar Carlito na frente com 67 pontos percentuais contra 33 de Darci, a reversão do quadro eleitoral em proporção suficiente para mudar a posição dos dois contendores ganha contornos de verdadeira impossibilidade a poucos dias do pleito.

E para confirmar os números, a Gazeta de Joinville contratou na capital paranaense o Instituto de Pesquisa Visão – Marketing e Opinião Pública, para confirmar ou não a tendência dos números em favor de Carlito. Nos dias 20 e 21 deste mês os técnicos do instituto ouviram 599 pessoas, de todos os estratos sociais, de diferentes níveis de formação, sexo e idade para saber quem ganha a eleição em Joinville. Conforme o estudo, Carlito vence o pleito com 67% dos votos válidos contra 33 pontos percentuais de Darci de Matos.

Considerando os votos totais, com nulos e brancos, Carlito deve chegar na frente com 58,76% contra 29,22% de votos atribuídos a Darci. A pesquisa constatou que 8,01% dos entrevistados ainda estão indecisos e 4,01% anulam o voto.

O Instituto Visão também constatou o crescimento nos índices de rejeição do candidato do DEM nos últimos dias. Segundo os técnicos do instituto, 46,58% dos entrevistados disseram que não votam em Darci de jeito nenhum. O índice de rejeição de Carlito esta em 22,20%.

Independentemente de seu voto, quem vai vencer?

Mas, o número que efetivamente chama atenção na pesquisa do Instituto Visão está na percepção do eleitorado quando se pergunta quem deve ganhar a eleição. A resposta segue a tendência em favor do candidato do PT. Para 81,64% do eleitorado a eleição de Carlito no próximo domingo é uma certeza. Por outro lado, apenas 12,69% dos entrevistados ainda acham que Darci é o candidato que deve vencer. 5,68% disseram não saber quem vai ganhar.

A pesquisa do Instituto Visão ouviu 599 pessoas entre nos dias 20 e 21 em todos os bairros de Joinville. A margem de erro é de quatro pontos percentuais tanto para mais quanto para menos. A pesquisa está registrada na 96ª Zona Eleitoral de Joinville, autos 970/2008, protocolo 114491/2008.

A eleição de Carlito Merss a prefeito de Joinville representa o fim de uma era no poder em Joinville, a interrupção de uma fórmula de governar fundada menos na instituição e mais no arco de alianças e círculo de amizades. O ciclo Marco Tebaldi chega ao fim com a eleição de Carlito, colocando um ponto final numa administração envolvida em escândalos, como o da fraude na Saúde, desvios como o do cheque de R$ 35mil depositados e reapresentados na conta pessoal do prefeito, truculência como a empreendida contra a comunidade do Boemerwaldt e contra os padres que protestaram contra o aumento da água.

A pesquisa completa está na edição 225 da Gazeta, nas bancas desde as primeiras horas desta quinta-feira 23

Cassação de LHS pode entrar em pauta a qualquer momento

Testemunhas requeridas pelo vice-governador Leonel Pavan já foram ouvidas e não há mais como embarrigar processo no TSE

O processo de cassação que corre no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) volta a atormentar o sono do governador Luiz Henrique, agora mais curto com o novo horário de verão. E com dias mais longos, mais tempo tem para técnicos e ministros despacharem o processo que, a qualquer momento, pode entrar novamente em pauta para julgamento no pleno da corte eleitoral. Todas as seis testemunhas requeridas para serem ouvidas pelo vice Leonel Pavan já se manifestaram, as alegações de sua defesa já integram a grande pilha de papéis do Recurso Contra a Expedição de Diploma 703 e não há mais o que falar para continuar empurrando o dito processo com a barriga. Agora é esperar, rezar, e torcer para que, em caso de quatro votos pela condenação, sobre algo para reclamar no STF. A tarefa não é fácil.

Conforme o procurador da coligação progressista que acusou Luiz Henrique e cuida do processo em Brasília, o advogado Jackson Domenico, a última das seis testemunhas apontadas por Pavan, que teriam declarações importantes sobre o caso, o deputado Jorginho Mello (PSDB), foi ouvido no dia 9 deste mês, uma quinta-feira, no TRE catarinense. Segundo o advogado, assim como as outras testemunhas, Jorginho Mello não disse absolutamente nada de importante. “Foram depoimentos todos sem substância e que evidenciam a intenção de atrasar o processo. Tudo não passa de mais uma manobra para protelar uma decisão que é evidente”, responde o advogado, insistindo que ninguém trouxe nada de objetivo que pudesse reverter a sorte de Pavan e do governador.

Além do deputado Jorginho Mello, também foram arrolados por Pavan em sua defesa o presidente da Associação dos Diários do Interior (ADI), Amer Felix, a presidente da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão, Marise W. Hartke, o presidente da Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina (Adjori-SC), Miguel Ângelo Gobbi, o ex-diretor de A Notícia, Osmar Schlindwein e o ex-presidente do Sindicato das Agências de Propaganda de Santa Catarina Saulo Silva.

O Recurso Contra a Expedição de Diploma 703, agora com a juntada dos novos depoimentos, deve chegar às mãos do relator da ação, o ministro Felix Fischer, ainda neste início de semana. E, com a diminuição das disputas relativas ao período eleitoral, o processo contra o governador, assim como outros que também acertam outros chefes do executivo, voltam para serem discutidos em plenário. E como não se pode olvidar que há uma disposição da corte pela cassação – afinal Luiz Henrique já tinha quatro votos declarados pela ceifa de seu mandato quando o julgamento foi suspenso para ouvir Pavan – a preocupação da defesa tem sua lógica. Os esforços agora miram na possibilidade de se insistir em um novo Recurso Extraordinário ao Supremo Tribunal Federal (STF), isso, claro, no caso da cassação.

Ainda há dúvidas sobre quem assumiria o governo

E agora fica a pergunta: Quem vai assumir o governo caso Luiz Henrique seja realmente cassado? Não existe um entendimento pacífico sobre quem assume em caso de vacância do cargo do governador. Há quem acredite que assume o segundo colocado na eleição de 2006, no caso Esperidião Amin; também há quem defenda uma nova eleição, e aqueles que estão certos que a definição fique nas mãos da Assembléia Legislativa.
Como o motivo da perda do cargo se deve a um processo eleitoral, segue o entendimento do artigo 224 do Código Eleitoral (Lei 4737/65): “Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias”. E, como Luiz Henrique se elegeu com menos da metade do total de votos (foram 1.685.184 votos, ou 47,69%) a nulidade não alcançaria os votos dados ao segundo colocado Esperidião (que fez 1.511.916, ou 42,79%) que herdaria o cargo.

Mas, como o preceito vale somente para os dois primeiros anos do mandato (2007 e 2008), o dispositivo não servirá mais para o próximo ano (a partir de 2009), quando a escolha do novo governador passaria a ser decidida em eleição indireta na Assembléia Legislativa.

No caso, vale o que preceitua a Constituição Federal. O parágrafo 1º do artigo 81 da Carta Magna diz que, “ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial (claro que aqui se lê período de governo estadual), a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional (aqui, pela Assembléia Legislativa), na forma da lei”.

Mas, isso tudo dependerá da decisão do TSE, se cassa ou não o mandato de Luiz Henrique.

Crise financeira deixa psiquiatras em alerta

A discussão sobre a crise financeira mundial ganhou espaço entre psiquiatras do mundo inteiro reunidos em Brasília no Congresso Brasileiro de Psiquiatria. O sobe-e-desce das Bolsas de Valores, a incerteza no mercado, as grandes perdas de capital, para especialistas, podem ter efeitos graves sobre a sociedade, que vão desde o agravamento de sinais de depressão e de distúrbios mentais até o aumento de casos de suicídio.

O tema não chegou a ser título de alguma palestra, mas permeou várias discussões. Entre os especialistas, há um consenso: quanto mais uma sociedade coloca o dinheiro como um valor maior, mais transtornos psíquicos ocorrem em tempos de crise financeira.

“É sim uma questão de valor. O indivíduo coloca o dinheiro como um grande fim, como um valor maior, quando ele vê isso desmoronando, quando vê tudo isso ruindo, fica sem perspectiva, se vê sem saída”, disse o psiquiatra Marco Antônio Brasil, especialista no tratamento da depressão e professor do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para Marco Antônio Brasil, é necessário lembrar que as doenças mentais ocorrem por um série de fatores, inclusive, externos ao indivíduo.

No caso de uma crise financeira como a que vem se desenhando no cenário internacional e com efeitos sentidos nas negociações na Bolsa de Valores no Brasil, as pessoas da classe média acabam tendo menos condições de lidar com a nova realidade.