Um misto de amor e ódio

Dinilson Viera
especial para a Gazeta de Joinville

Endereço da residência do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, e entre os três núcleos populacionais mais antigos da cidade, o bairro Boa Vista é considerado por moradores um misto de desapontamento e orgulho. De acordo com a Secretaria Regional do bairro, a Associação de Moradores e Polícia Militar, no topo da lista de problemas está o caos no trânsito, que desafia autoridades e revela números preocupantes. "Já entrei na contramão porque o trânsito em Joinville é confuso e as vias mal sinalizadas. Isso vale para a cidade inteira, inclusive no Boa Vista", afirma o tenente coronel Edivar Antonio Bedin, comandante do 8º batalhão da Polícia Militar.

Entre 1º de janeiro e 22 de agosto deste ano, das 222 vítimas de acidentes de trânsito em Joinville registrados pelo batalhão, 40 tiveram origem no Boa Vista. Ainda de acordo com o batalhão, que cuida de 25 bairros, no mesmo período houve 2.100 acidentes, dos quais 94, com danos materiais foram no Boa Vista.

"O trânsito é horrível. Temos um acidente com moto ou bicicleta quase todos os dias. Cansei de pedir à Prefeitura para pintar as faixas de travessia de pedestres, que estão apagadas no asfalto. Os atropelamentos preocupam bastante", afirma o presidente da Associação, Ademir Mario Frisanco.

O secretário regional Michel Ubirajara Becker, cuja família reside no bairro há quatro décadas, admite a necessidade de iniciar uma campanha de humanização no trânsito. "Para ter um exemplo, no cruzamento das ruas Limeira e Albano Shimidt trafegam motoristas que não respeitam o sinal vermelho e o resultado são os acidentes. Alguns moradores sugerem que a poucos metros antes do local, na própria Albano (sentido centro-bairro), seja instalado um semáforo, o que poderia reduzir a velocidade na via. Mas depende de estudos técnicos da Secretaria de Infraestrutura", afirma Michel.

Só "Deus" para segurar os motoristas apressados

Comerciante e morador do bairro há 17 anos, Ademar Pereira conta que já testemunhou acidentes no cruzamento com a Limeira, onde fica sua papelaria. "O último foi recentemente. Duas ciclistas foram atropeladas e ficaram bastante machucadas. O motorista do carro disse que passou no sinal verde e elas disseram o contrário", afirma Ademar. Para o comerciante, o fato de ciclistas poderem trafegar pelas ciclovias nos dois sentidos de direção representa um perigo. "Isso confunde até quem deseja atravessar as ruas."

Na rua Helmuth Fallgatter o perigo de atropelamentos é tanto que o morador e ambulante Valdelino Martins se transforma em agente de trânsito pela manhã para ajudar crianças a atravessarem na faixa de segurança e chegar à escola. Detalhe: o local citado fica em frente à praça formada pelo encontro das ruas Helmuth e Erhard Wetzel, exatamente onde fica a casa do governador e o PA (Pronto-Atendimento Médico). "Ninguém respeita a faixa e os acidentes só não ocorrem com mais frequência por causa da mão de Deus". Para o ambulante, nem a família do governador é respeitada.

SAÚDE: Divididos entre elogios e queixas

Por causa do possível desaparecimento de um carimbo do clínico geral, que atende em um dos consultórios do Posto de Saúde Bakita, na rua São Miguel, a dona de casa Maria Ana Estácio, moradora do Boa Vista há 36 anos, foi obrigada a atrasar em pelo menos oito dias o eletrocardiograma que faria no Hospital Regional Hans Dieter Shmidt. "O carimbo sumiu do médico e minha guia ficou incompleta", afirmou a dona de casa.

Trapalhadas com essa relatada por Maria Ana, além da demora para se conseguir marcar cirurgias e consultas, fazem parte da rotina do posto.

O aposentado Osmar Azevedo, morador da rua São Miguel, diz que precisou esperar 30 dias para passar por uma consulta. No dia em que foi ao médico, esperou mais cinco horas para sair do posto com medicamentos para problemas respiratórios, causados pelos anos em que trabalhou com tinta. "Mas a demora compensou pela quantidade de remédios que recebi", diz Osmar. A Secretaria de Saúde foi procurada para falar sobre o assunto, mas não deu retorno à reportagem.

Infraestrutura: Alívio aos moradores do bairro

Já um dos motivos de orgulho – e alívio aos moradores – do bairro está a queda no índice de criminalidade. Também chamam atenção as suas 120 ruas geralmente bem varridas, das quais apenas cinco não são pavimentadas. Outro aspecto positivo é que 99% de seu território de 5,82 quilômetros quadrados, habitados por cerca de 18 mil pessoas, é coberto com luz elétrica e água encanada. Prevalece na vizinhança a política de que todos se conhecem e um ajuda o outro.

A distância média do bairro ao centro é 2,4 quilômetros, percurso que moradores costumam fazer em caminhadas para manter a forma, principalmente em fins de semana. A pujança econômica impressiona: são 575 pontos comerciais e 555 de serviços, que oferecem desde venda de automóveis, de pescados e material de construção até consultórios médicos, escritórios de contabilidade e correios. Alvo de reclamações, a exceção fica por conta da ausência de agências bancárias. No cadastro técnico da Prefeitura consta ainda que o bairro possui 85 indústrias, com destaque para a Tupy, que emprega mais de seis mil pessoas e ajudou a construir a cidade.

VAI DE BICICLETA Há ciclovias nas duas principais ruas, Albano Shimidt e Prefeito Helmuth Falgatter, além da Beira Mangue, em que os postes são equipados com duas lâmpadas, uma voltada para os carros e outra às bicicletas. As ciclovias beneficiam diariamente milhares de pessoas em direção ao trabalho, escola ou casa, o que significa uma economia de R$ 2,30 por passagem de ônibus. "Gosto do bairro porque encontro tudo o que preciso aqui e à noite é possível sair com a família a pé e comer uma pizza sem ser assaltado", diz o aposentado Osni Santos de Souza, que mora há 23 anos na mesma casa, na rua São Vicente.

Saneamento: Desrespeito ao mangue continua evidente no Boa Vista

De acordo com o site oficial da Prefeitura de Joinville, a Companhia Águas de Joinville não tem o registro da proporção de esgoto doméstico despejado nos remanescentes de mangue do braço do rio Cachoeira, área de proteção ambiental. Mas o despejo é feito à luz do dia, conforme verifica Everton Correa Soares, que trabalha e reside há 23 anos na esquina das ruas São Miguel e Beira Mangue, local em que desemboca uma rede de esgoto direto no mangue. O local ainda serve de depósito de entulho e outros tipos de materiais despejados por populares e pela própria Prefeitura, segundo denúncia de Everton.

A casa do comerciante e outras centenas no bairro contam com fossas sépticas, que retêm dejetos mais sólidos, mas destinam à rede de esgoto a água contaminada. "Essa água cai direto no mangue. É só olhar o que sai do cano", afirma Everton, mostrando o cano. Ele diz que procura convencer vizinhos a não jogar lixo no local. "É uma tarefa difícil, pois a própria Prefeitura joga material aqui."

O aposentado Osmar Azevedo, morador do número 903 da rua São Miguel, diz que também faz o que pode para impedir a degradação do mangue. Ele sugere que a Prefeitura mantenha caçambas em alguns pontos, a fim de impedir que o lixo se espalhe. "Já vi caçambas por aqui, mas não eram da Prefeitura", declara Osmar.

O secretário regional Michel Becker explica que o bairro não conta com uma ação específica para recolher o material, normalmente não transportado pela coleta feita três vezes por semana (às segundas, quartas e sextas-feiras). "As regionais não têm um aterro sanitário apropriado e o problema vai persistir por algum tempo", declara o secretário.

Segurança: Menos assaltos e mais alerta da polícia militar

O bairro comemora a redução da criminalidade. De acordo com o capitão Gelásio Pires, comandante pela 2ª Companhia do 8º Batalhão da Polícia Militar, os números caíram em quatro tipos de crime: assaltos em residência (foram 15 no primeiro semestre de 2008 contra cinco no mesmo período desse ano); furto em residência (23 a 16); furto a estabelecimentos comerciais (17 a três); e furto de veículos (21 a nove). "As operações barreira que realizamos têm relação com a redução da criminalidade", afirma o policial.

Mas quem já sofreu na mão de bandidos não esquece o trauma. Dono de duas lojas de móveis usados no bairro há 29 anos, Geraldo de Oliveira relembra da tarde em que teve um revólver apontado para a cabeça. "Estava eu e um empregado numa das lojas quando dois rapazes que chegaram de moto e entraram gritando por dinheiro. Meu empregado, que já faleceu, foi agredido e a dupla levou pouco dinheiro", relembra Geraldo.

Depois da experiência, o comerciante toma alguns cuidados. "Quando chove e começa a escurecer, redobro a atenção, porque fica mais fácil para os ladrões agirem". Ademar Pereira, outro comerciante, dono de papelaria, também não esquece quando dois motoqueiros assaltaram o salão comercial que mantém alugado ao lado de sua loja. "Agora, quando alguém entra de capacete na minha loja, eu mando tirar. Caso contrário, não atendo".

O capitão Pires confirma que, atualmente, a principal preocupação no bairro é com os assaltos. "Estamos para receber mais uma viatura, que vai reforçar de dois para três o número de guarnições no bairro", diz o policial. Sobre o policiamento realizado com bicicletas, uma reivindicação da Secretaria Regional do Boa Vista, Gelásio afirma que o assunto será estudado junto à Prefeitura.

Experiência inédita

Para tentar soluções para problemas como o de trânsito, o Boa Vista vive uma experiência inédita. A Associação de Moradores e a sede da Secretaria Regional passaram a dividir, desde março de 2008, o mesmo galpão situado na rua Albano Shimidt, 2.116. Significa que, pelo menos teoricamente, a demanda de reclamações e sugestões que chega à associação deveria aportar quase que imediatamente à secretaria, bastando apenas ao presidente da entidade atravessar um corredor e conversar pessoalmente com quem detém o poder de resolver problemas.
Na prática, porém, não é bem isso que acontece, já que de cada dez pessoas que procuram a associação, oito solicitam cestas básicas e material de construção para terminar suas moradias. Pedidos desse tipo não cabem ser atendidos diretamente pela secretaria, que prioriza reclamações de bueiros entupidos, buracos no asfalto, lixo acumulado em áreas de preservação ambiental e até de falta de médicos nas duas unidades municipais de saúde do bairro. "Para o nosso tipo de demanda não vejo a necessidade de atravessadores. Nosso atendimento melhorou e até criamos um blog (www.regionalboavista.blogspot.com) para interagir com a população", afirma o secretário Michel Becker. Já o presidente da associação lamenta: "Não conseguimos resolver 98% dos pedidos que chegam até nós".

Um pouco de história

Quando Eduardo Schroeder, filho do Senador Mathias Schroeder veio a Joinville, em 1851, com a finalidade de verificar as condições da Colônia Dona Francisca, encontrou algumas fazendas instaladas no Boa Vista. Com efeito, Carlos Ficker em "História de Joinville", relata na página 32: "No Boa Vista, encontramos o nome de Antônio Budal, do lado oposto do Rio Cachoeira(...)"
E acrescenta: "No morro da Boa Vista,(...) havia moradores". No primeiro mapa de demarcação de Joinville, elaborado pelo engenheiro Jerônimo Coelho, em 1846, já existia a denominação de Boa Vista para a região e o morro da Boa Vista era conhecido por Morro da Cachoeira. Estes dados confirmaram que o Boa Vista, juntamente com o Itaum e o Bucarein, constituem os mais antigos núcleos populacionais da cidade, dando uma pré-configuração aos atuais bairros.

EDITORIAL: A gripe nos ônibus

Desde abril desse ano, um assunto em comum tem dominado as conversas e os noticiários mundo afora. A virose conhecida por gripe suína – (H1N1) – que surgiu timidamente no México e nos Estados Unidos e logo ganhou status de pandemia.

Com dificuldade para conter um vírus de propagação aérea e a falta de uma vacina para a doença, autoridades do mundo todo se viram obrigadas a tomar atitudes drásticas para tentar evitar o alastramento descontrolado da nova gripe.

O governo mexicano proibiu aglomerações públicas e recomendou que a televisão não transmitisse qualquer imagem de beijos, que são uma forma fácil de contágio.

No Brasil a gripe chegou com atraso, mas não evitou o cancelamento de aulas, shows, eventos e até mesmo a proibição de aglomeração pública em locais fechados e que facilitem o contágio.
Em Joinville as ações mais eficazes para evitar a propagação do vírus foram de empresários, profissionais liberais e entidades particulares que disponibilizaram álcool em gel em seus estabelecimentos e dispensaram espontaneamente funcionários suspeitos de terem contraído a nova gripe.

No entanto, apesar das ações da iniciativa privada, pouco se fez em relação aos serviços públicos, principalmente no transporte coletivo da cidade. Ônibus super lotados continuam a circular sem o menor controle ampliando consideravelmente o risco de contágio.

Essa situação, que coloca em risco todos os usuários decorre do fato da prefeitura não fazer qualquer fiscalização no sistema de transporte coletivo.

O que a sociedade espera é que a prefeitura passe a defender os interesses e a saúde da população mesmo que isto custe ao prefeito o enfrentamento com os interesses dos donos das empresas de ônibus.

Prefeitura desembolsa R$ 18 mil para assinar “jornais gratuitos”

Mesmo com a falta de produtos de limpeza, que culminou na realização de gincanas e rifas entre alunos para arrecadar dinheiro e suprir as necessidades das instituições, a Prefeitura de Joinville comprou assinaturas anuais de três jornais locais para a Secretaria de Educação distribuir em escolas municipais. O custo para os cofres públicos é de aproximadamente R$ 83 mil e a medida divide opiniões.

A maior fatia da verba, saída dos cofres públicos, ficou com o tablóide diário ANotícia. A prefeitura desembolsou R$ 67.580 para a aquisição de 155 assinaturas do periódico. Mesmo comprando em grande quantidade, o governo pagou R$ 1,21 cada edição do AN, sabendo que um usuário comum compraria o mesmo jornal por R$ 1,16. Ou seja, a prefeitura adquiriu as assinaturas por uma quantia maior do que a de mercado.

Essa estratégia de pagar a mais do que custa para os assinantes também foi adotado com o jornal Ponto a Ponto. Apesar de ser distribuído gratuitamente em vários locais da cidade, como edifícios residenciais e comerciais, a prefeitura adquiriu outras 155 assinaturas do semanário ao custo de R$ 8 mil por ano. No entanto, as escolas recebem o jornal com carimbo de cortesia, semelhante ao restante da população.

Nas bancas, o Ponto a Ponto é distribuído sem custo algum. Conforme a proprietária da Casa das Revistas, Cristina Ravache, toda sexta-feira chega edições do impresso com carimbo de cortesia.
Outro periódico distribuído gratuitamente é o tablóide Jornal dos Bairros, que também acabou abocanhando uma parte da verba pública. Para este, foram repassados pela prefeitura mais R$ 9 mil. Mas poucas escolas de Joinville recebem o jornal.

As informações sobre as assinaturas constam na edição nº 780 do Jornal do Município, do dia 14 de agosto deste ano.

O que diz a dona do Ponto a Ponto

A reportagem, se identificando como alguém que queria comprar assinaturas, entrou em contato com Elaine Melchert. Ela afirmou que era dona do jornal Ponto a Ponto e explicou que as edições eram distribuídas gratuitamente para a população. Mas ressaltou que só era cobrado para governos.

Na última quarta-feira (26), a reportagem voltou a entrar em contato com Elaine, dizendo que era da Gazeta de Joinville. Elaine Melchert não quis falar sobre o contrato com a prefeitura e destacou que não estava autorizada a falar sobre o assunto. Ela mencionou que não era dona, e sim sócia do jornal, e que precisava conversar com o outro proprietário Helmut Kleczewski.

Secretaria de Educação A Gazeta também procurou a assessoria de imprensa da Secretaria da Educação. Porém, na segunda e na terça-feira a assessora estava em reunião.

Para alunos, livros são mais importantes

A reportagem da Gazeta visitou algumas escolas municipais para esclarecer como é feita a distribuição dos jornais nas instituições.

A diretora da Escola Municipal Pastor Hans Muller, no bairro Glória, Regina Cátia Dominoni, diz que a unidade recebe edições do jornal A Notícia e Notícias do Dia. Segundo ela, o Ponto a Ponto só é recebido como cortesia, como em toda a região.

Falta de notícias estaduais

A diretora explica ainda que a Escola Hans Muller recebia as edições do Diário Catarinense, mas que este ano a assinatura foi cortada. Segundo ela, os alunos sentem falta de noticias estaduais.
Perguntada se as assinaturas dos periódicos, feitas pela Prefeitura interessavam ao corpo docente e aos alunos ela foi taxativa: "Seria importante para a unidade receber exemplares da Revista do Professor e Super Interessante". A Super Interessante chamaria mais a atenção das crianças e dos adolescentes.

Segundo Regina, a escola já foi assinante destas revistas, mas por falta de dinheiro não puderam mais receber os exemplares.

O estudante G.F., 13 anos, alerta que os livros são mais importantes do que jornais. Ele costuma ir à biblioteca, mas só lê os periódicos se encontrar "coisas boas" na capa.

Apenas anúncios

Juliana Borges, mãe de dois alunos da Escola Municipal Pastor Hans Muller, diz que a leitura de jornais como o Ponto a Ponto não é educativa. "Jornal deste tipo só serve para atiçar o lado consumista dos estudantes", alerta. Conforme Juliana, esse tipo de jornal somente divulga anúncios.

Neli Fernandes, que tem dois filhos na Escola Hans Muller, também apoia a opinião de Juliana. "Leituras deste tipo não interessam na escola", afirma.

A professora de Português da Escola Municipal Padre Valente, Dione Cristina Coppi Eller, diz que a escola não recebe o Jornal Ponto a Ponto e nem conhece a publicação. Conforme ela, a escola recebe os jornais A Notícia e Notícias do Dia.

Psicopedagoga preocupada com conteúdo dos jornais

A psicopedagoga Cleonice Zanluca explica que a leitura é importante para os alunos, no entanto, a preocupação são os assuntos e a forma de abordagem dos jornais. Para ela, os professores têm que filtrar o que a criança pode ler do impresso. "Tem que ser algo direcionado à criança", completa. Ela explica que teria que ser pequenos jornais destinados ao público infantil e com uma linguagem diferente.

Outro problema apontado por Cleonice é a violência geralmente abordada por jornais. Um exemplo de publicação voltada para os professores, que aborda diretamente educação, é o Jornal da Educação, que as escolas municipais também possuem assinatura.

COMPARE As três assinaturas para 12 meses custaram aproximadamente R$ 83 mil. Tomando como referência os valores de produtos mais baixos que a última pesquisa de preços do Procon Joinville encontrou nos mercados da cidade, realizada no dia 10 de agosto, a quantia daria para comprar 80 mil rolos de papel, 20 mil sabonetes de 50 gramas, 10 mil litros de água sanitária, cinco mil litros de detergente, 50 mil peças de sabão em barra e quase três toneladas de sabão em pó. Os produtos fazem parte da lista que as escolas pediram para os alunos adquirirem.

EDITORIAL: O 3° ultimato

O mais novo imbróglio da prefeitura envolve milhares de alunos que frequentam a Univille. Cansado de esperar pelos repasses prometidos, que desde janeiro tem sido solenemente ignorados por Carlito Merss, o reitor Paulo Ivo Koentopp se viu na situação desesperada de dar um ultimato ao prefeito.

Durante a campanha eleitoral, e mesmo depois de eleito, Carlito afirmou que a partir de janeiro de 2009 iria fazer os repasses em dia para a Univille e renegociar os valores atrasados. Não fez nem uma coisa nem outra. Aliás, o prefeito tornou-se mestre em descumprir promessas, mesmo aquelas feitas a seus aliados mais fiéis.

Vale lembrar que logo no inicio de seu governo, o prefeito arbitrariamente aumentou a tarifa de água, fazendo exatamente o contrário do que havia prometido. Foi cobrado pelo deputado Kennedy Nunes, na época seu principal aliado, que deu o primeiro ultimato: "Nós não vamos tolerar quebra de palavra dada aos nossos eleitores". Não adiantou. Poucos dias depois Carlito subiu também a tarifa de ônibus e Kennedy se viu forçado a romper com o petista.

O segundo ultimato veio justamente do seu ex-secretário de Infra-Estrutura, professor Nelson Trigo, que denunciou a farsa das planilhas fornecidas pelas empresas de ônibus. Não adiantou. Carlito validou as planilhas e deu aumento acima da inflação. O secretário Trigo então deixou o cargo para não pactuar com a ilegalidade.

Agora, novamente, um gestor sério, reitor da Univille, vem a público cobrar de Carlito a palavra dada. Para o reitor Paulo Ivo Koentopp, o que está em jogo é a sobrevivência da instituição que representa, e, para defendê-la, não há outra alternativa, senão dar um ultimato, para que a prefeitura volte a cumprir com suas obrigações.

Gincanas e rifas são comuns nas escolas municipais de Joinville

Gisele krama
giselekrama@gazetadejoinville.com.br

Depois que a Gazeta denunciou as cobranças de material de higiene e limpeza feitas pelas escolas municipais aos alunos, a Câmara de Vereadores chamou o secretário da Educação, Marcos Aurélio Fernandes, para dar explicações. No entanto, ele não compareceu, prorrogando o encontro para a próxima terça-feira (25). A reunião será realizada no plenarinho, às 14h30.

O secretário também terá que definir a situação das creches comunitárias e domiciliares. Conforme a vereadora Dalila Leal (PSL), da comissão de Educação, há boatos de que a Secretaria não iria renovar o convênio com as entidades.

Na rede municipal de ensino estão matriculados aproximadamente 62 mil estudantes. Conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal, 25% da arrecadação do município deve ser investida em educação. Além disso, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), do Governo Federal, repassou para Joinville aproximadamente R$ 112 milhões em 2009.

Mesmo com esses recursos, as instituições municipais de ensino ainda não recebem o material necessário para atender os estudantes. A maioria das escolas manda bilhetes aos pais para que doem produtos de higiene e limpeza, além de realizar gincanas e sorteios de rifas.

Cadernos de estudantes são repletos de bilhetes pedindo doações à escola

Os filhos de Jelson César Ladislau estudam no turno intermediário da Escola Municipal Joaquim Félix Moreira, no bairro Paranaguamirin. Ele comprou uma rifa que a instituição mandou para arrecadar dinheiro. Além disto, bilhetes são colados nos cadernos de avisos de cada criança. "Eu acho errado, pois é o governo que deve bancar a escola", lamenta.

Em alguns dos recados há uma observação de que vai ser cobrada nas salas de aula as contribuições. Outro aviso convida as crianças para participarem de uma festa junina, em que os produtos serão vendidos. No mesmo papel tem uma solicitação para que os pais doem bolos confeitados, valendo pontos para a gincana. Também pedem brindes para a festa. Ou seja, além da família enviar produtos para a escola, ainda será cobrado dos estudantes os alimentos consumidos.

Notas solicitam que os pais mandem detergente, sabonete e copos descartáveis. No entanto, Doval Carvallho, colaborador da APP (Associação de Pais e Professores), diz que o pedido de produtos faz parte de uma campanha para melhorar a limpeza da escola. Doval comenta que com a mudança de governo deu uma "diminuída" nos produtos de limpeza, mas não chegou a faltar.
Quando questionado se com o material recebido a escola não teria mais problemas com limpeza, o colaborador da APP respondeu que não haverá folga, pois têm muitos alunos para atender.

A aposentada Irani de Souza, 62 anos, leva a neta e a bisneta para a Escola Joaquim Félix Moreira. Segundo ela, os professores pedem diversos materiais de higiene. "A gente acha errado, mas eles pedem", lamenta.

Na lista mandada no mês passado ao vigilante Sebastião Alves dos Santos, 35 anos, foram solicitados sabão em pó, detergente e alvejante. Marta Antônio Fogaça, dona de casa, diz que não é obrigada a doar, mesmo assim dá R$ 1 todo mês.

Papel das APPs é fiscalizar recursos passados à escolas

Doval destaca o papel das APPs como intermediadoras e fiscalizadoras dos recursos repassados às escolas. Para ele, a associação deve discutir a melhor forma de utilização desse dinheiro. "A APP não pode pedir dinheiro, pois não tem fins lucrativos e é contra os princípios", afirma. Mesmo assim, mensalmente os alunos recebem bilhetes solicitando doações para a associação.
A equipe de reportagem foi verificar se o problema também estava em mais outra instituição municipal de ensino. Chegou até a escola João Costa, no Jarivatuba, onde também são pedidos produtos de limpeza e vendidas rifas para arrecadar fundo.

A dona de casa Terezinha Venâncio comprou para os netos toalha e álcool conforme foi solicitado no bilhete. Além disto, os alunos trouxeram uma rifa para vender. "Cada número custava R$ 2", afirma.

Para não ter problemas com a doação de materiais, o aposentado Carlos Aguiar, 51 anos, paga todo mês uma quantia de R$ 20 para a enteada que estuda na escola João Costa. Ele entrega o dinheiro diretamente na secretaria da escola.

A vereadora Dalila Leal afirma que é errado solicitar material de limpeza. Para ela, o governo está fazendo exatamente como as administrações que tanto condenava.

MORRO DO MEIO: 60 ruas...apenas três asfaltadas

Dinilson Vieira
especial para a Gazeta de Joinville

A falta de rede de saneamento básico, que na prática funciona há décadas pelo arcaico modelo de valas correndo a céu aberto por dezenas de quilômetros, tira o sono de moradores do Morro do Meio e deixa no ar a sensação de que a Prefeitura abandonou o bairro. Como forma de apontar soluções para problemas crônicos como esse, a Associação de Moradores do Morro do Meio criou uma jornada de reuniões individuais com vereadores de Joinville. Toda segunda-feira, após intervalo de três semanas, um vereador convidado previamente se dirige à sede da entidade para ouvir a lista de reivindicações de um bairro que, apesar da distância de apenas seis quilômetros do Centro, estacionou no tempo quando o assunto é urbanização. O município tem 19 vereadores e a agenda de reuniões está lotada até o fim do ano.

Para o presidente da entidade, Lucio Dias da Silva, a atual administração municipal despreza o Morro do Meio, como se o bairro, cuja denominação tem origem por estar situado numa região alta e plana em relação ao nível dos rios Lagoinha e Piraí, não fizesse parte de Joinville. "Por causa dos problemas, oferecemos um café com bolo a cada vereador. Foi o jeito que encontramos para a população ser pelo menos ouvida", afirma Dias.

Apenas três das cerca de 60 ruas do bairro são pavimentadas, somando seis quilômetros de asfalto: as principais Minas Gerais e Pitaguaras, que faz a ligação com a estrada Barbante, e parte da Antonio Alves. As três vias contam com redes de águas pluviais, mas o sistema, segundo Lucio, mostra entupimentos em vários pontos e não suporta chuvas intensas. "Se cair água três dias seguidos, o bairro ganha várias piscinas", diz.

As demais ruas, que equivalem a aproximadamente 23 quilômetros de extensão, costumam receber saibro a cada seis meses, isso se a moto-niveladora a serviço da Secretaria Regional Nova Brasília, que cuida do Morro do Meio, não estiver parada com algum defeito. "Cuidamos da região mais crítica da cidade. O saneamento é precário e as valas abertas predominam", admite o secretário regional Alido Lange.

Estacionado no tempo

Originalmente de vocação agrícola, com predominância para a cultura de arroz, o Morro do Meio assistiu sua população praticamente triplicar de 3.326 habitantes em 1991 para 9.608 em 2008. O que se verifica, no entanto, é que a urbanização não acompanhou o boom populacional. Uma realidade cruel desse cenário são as valas de esgoto a céu aberto que correm nas laterais de ruas em saibro.

Endereço da família da dona de casa Marlene Oliveira da Silva, a Rua da Chácara é um bom exemplo do descaso. Ladeada de valas, onde é despejada boa parte do esgoto doméstico das moradias, que contam apenas com fossas em quintais, a rua é motivo de atenção de Marlene em relação aos netos pequenos. "Tenho que cuidar das crianças o tempo inteiro para que elas não brinquem na água. Nas enchentes do ano passado, as valas transbordaram e um filho meu ficou doente com suspeita da doença dos ratos (leptospirose)", afirma Marlene. "Também tenho medo que numa dessas enchentes, alguma criança se afogue na vala". A própria prefeitura informa em seu site oficial que a Companhia Águas de Joinville não possui informações a respeito do esgoto domiciliar do Morro do Meio. Em compensação, garante que a água e a luz elétrica chegam em 99% dos lares.

Membro de uma família tradicional da região, Vanilda Benevenutti não quer asfalto na rua de sua casa, mas espera que a Prefeitura pelo menos molhe a via em dias de sol. "É muita poeira. O serviço de espalhar água já existiu, mas parou", afirma ela.

Saúde
Comunidade sofre com os mesmos problemas de outros bairros

O atendimento público de saúde no Morro do Meio é oferecido por um posto municipal que leva o nome do bairro e de outro denominado Lagoinha, além do Módulo Odontológico que funciona na escola municipal Dr. Ruben Roberto Schmidlin. Uma rápida visita ao posto homônimo ao bairro revela usuários satisfeitos em alguns aspectos e descontentes em outros.

Faz seis meses que o morador Edson de Oliveira sofreu um acidente de moto perto de casa e desde então se trata na unidade, que fica na Rua do Campo, via que também serve de endereço ao Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) e do único Centro de Educação Infantil (CEI) do bairro. De cadeira de rodas, Oliveira diz que "o posto é ótimo" porque nunca ficou sem medicamentos, mas que "já faltou médico".

A dona de casa Maria Roma Santana diz sofrer de vários problemas de saúde e que o posto representa seu único meio de tratamento. Ela diz que sempre foi bem tratada pelos funcionários, mas reclamou da demora para se submeter a exames clínicos. "Chega a três meses".

A Associação de Moradores luta para que a Prefeitura pelo menos amplie o horário de funcionamento das três unidades de saúde do bairro, que funcionam de segunda a sexta-feira em horário comercial. Hoje, se algum morador precisar de atendimento médico após as 18h, precisa se deslocar a uma unidade distante do bairro. A Secretaria de Saúde foi procurada, mas não deu retorno à reportagem.

Segurança

Entre as ocorrências mais atendidas no Morro do Meio pela Polícia Militar, ganha destaque as de perturbação de sossego público. No primeiro semestre de 2008 foram atendidos 22 casos, contra 35 no mesmo período desse ano. Já os homicídios, crimes que mais preocupam as autoridades policiais, sofreram uma redução de sete para três durante o mesmo período.
Aconteceu o mesmo com os portes ilegais de armas de fogo e assalto em residências (um contra zero para cada tipo) e com os furtos de veículos (três a um). Já os furtos em residências aumentaram de nove para 14; os de roubo à pessoa de dois para quatro; e de assalto a estabelecimento comercial (zero a um). A PM não registrou casos de tráfico de drogas nos dois períodos.

Projeto social
Cozinha comunitária serve mais de 100 crianças

Mais de 100 crianças e 20 mães carentes estão cadastradas na Cozinha Comunitária do Morro do Meio, que oferece a elas, de segunda a sexta-feira, almoço de graça a partir do meio-dia. O programa funciona há oito anos como braço social da Fundação Pauli-Madi, que faz o repasse de carnes, arroz, feijão e o gás usado no cozimento dos alimentos. Frutas e legumes descartados para vendas são doados por pequenos comerciantes do Morro do Meio e Nova Brasília.

A voluntária Neusa Maria Zendron, que coordena a cozinha, diz que boa parte das crianças atendidas tem no almoço servido na sede da Associação de Moradores como única refeição do dia. "Tem criança que chega de manhã, junto com as cozinheiras, e ficam à espera de algum pão e um gole de café com leite. Essas crianças não têm o que comer em casa, principalmente após o meio de cada mês, quando o salário dos pais acaba", declara Neusa, que conta com a ajuda de outras 25 voluntárias que se revezam diariamente.

Ao meio-dia em ponto Neusa faz soar o apito que leva pendurado no pescoço. É o som preferido das crianças, pois as chama para comer. "É o aviso que a comida está pronta. Isso aqui é a salvação da minha família", diz Carmem Lucia Carneiro da Silva, que aproveita o benefício com quatro filhos entre 1 e 13 anos de idade. Após lavar as mãos com água e sabão e rezarem o Pai Nosso e Ave Maria rapidamente, mães e filhos aproveitam o cardápio, que numa recente terça-feira era o seguinte: arroz, feijão preto, polenta, batata e frango fritos, farofa e salada de cenoura, rabanete, brócolis e pepino. "É uma delícia", diz Juliano Ribeiro, 12 anos.

Valas a céu aberto

As ruas também não contam com ciclovias e nem calçadas, obrigando ciclistas e pedestres a disputarem espaço com veículos. Também há trechos sem iluminação pública. O secretário Lange diz que de cada dez reclamações que chegam à sua regional, oito se referem a pedidos de limpeza de valas e para manter transitáveis as vias, pelo menos as que por onde circulam as duas linhas de ônibus que fazem a ligação com o terminal em Nova Brasília. O secretário afirma que a situação deverá melhorar se verbas federais oriundas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) forem liberadas para projetos de saneamento em Joinville, conforme está previsto.

Enquanto isso, benfeitorias acontecem lentamente. Para se ter uma idéia, somente nos próximos dias é que o Morro do Meio deverá ganhar seu primeiro posto de combustíveis. O bairro não conta com agência de correio, banco e nem qualquer praça pública equipada com brinquedos ou aparelhos de ginástica. "Áreas de lazer também são uma velha reivindicação", acrescenta Lucio Dias, presidente da associação que representa os moradores.

Confirmação

A situação precária do Morro do Meio vai ao encontro do levantamento inédito realizado pela Fundação Getulio Vargas e pela organização não-governamental (ONG) Trata Brasil, que aponta que o esgotamento sanitário é o serviço público de pior qualidade oferecido no país. O levantamento, com o ano/referência de 2007, revela que Joinville, num ranking das 79 cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes, ocupa a 53ª posição na qualidade de serviços prestados. Segundo a ong, o Brasil melhorou o alcance da prestação dos serviços de coleta e de tratamento de esgoto com a retomada dos investimentos no setor em 2003, mas não avançará sem o engajamento das prefeituras.

Carlito tem duas semanas para cumprir promessa de campanha

Jacson Almeida
jacson@gazetadejoinville.com.br

O prefeito Carlito Merss tem até o final do mês para começar a pagar a dívida com a Univille (Universidade da Região de Joinville), caso contrário a instituição pode suspender todos os serviços prestados à comunidade, incluindo na área de saúde. Esta informação foi passada com exclusividade pelo reitor da universidade, professor Paulo Ivo Koehntopp.

O pagamento da dívida referente às bolsas de estudos dos alunos da Univille foi prometido pelo prefeito Carlito Merss. "Vamos pagar em dia a partir de janeiro e renegociar o atrasado", afirma em publicação do Jornal da Educação. Até agora, nenhum valor foi repassado para a instituição.
A dívida, que em junho deste ano estava em R$ 21,151 milhões, se arrasta desde o começo da gestão Tebaldi. Nesse período, sem o repasse do governo, a Univille conseguiu bancar os descontos que eram de responsabilidade da prefeitura. Paulo Ivo conta que só no ano passado foram disponibilizadas 2,7 mil bolsas, ou seja, 25% dos alunos foram beneficiados.

O reitor explica que a Procuradoria do município pediu um plano de aplicação para esse valor, ou seja, onde a universidade investiria essa quantia de aproximadamente R$ 21 milhões. Faz duas semanas que a instituição fez o relatório e agora espera mais duas semanas para saber a posição de Carlito.

O reitor adianta que o acordo feito com o prefeito seria o pagamento parcelado de aproximadamente R$ 4 milhões por ano. Paulo Ivo garante que precisa dessa quantia até o começo do próximo mês. Ele lembra que infelizmente a espera desse dinheiro foi grande.
Se o petista não começar a pagar a dívida, além dos alunos que serão afetados, o caos na saúde vai aumentar. Sem dinheiro em caixa, devido ao pagamento das bolsas, a Univille terá que ser reestruturada. Conforme o professor Paulo Ivo, isso acabaria com alguns serviços prestados à comunidade. "Preciso de uma solução até o mês que vem", completa.

Pagamento está no plano de governo

Uma das propostas de Carlito na campanha de 2008, foi a quitação da dívida. No seu plano de governo o prefeito garante "regulamentar os repasses financeiros para a Univille". Agora estudantes esperam aflitos pela decisão do petista.

Em abril, a Univille fez um acordo com a prefeitura para suspender uma ação que cobrava na justiça o pagamento para a universidade, pois o prefeito Carlito se comprometeu em saldar a dívida. Conforme Paulo Ivo, a instituição entrou com o processo, pois o prefeito Tebaldi dizia que não iria pagar.

SERVIÇOS COMUNITÁRIOS

A universidade atende aproximadamente 800 pessoas por mês gratuitamente, com odontologia. Na Farmácia Escola, alunos da Univille entregam medicamentos do Governo Federal para 1,5 mil pacientes, toda semana. Além disso, o reitor afirma que os estudantes de medicina estão em todos os setores da saúde pública da cidade, como os PAs.

Dono do posto APA narra como foram as 12 horas que passou dentro do presídio

Dinilson Vieira
especial para a Gazeta de Joinville

Após 12 horas dividindo uma cela com outros oito homens no Presídio Regional de Joinville, sob acusação de cometer crime ambiental, o dono de posto de combustíveis do bairro Anita Garibaldi, Fernando César Garcia, de 37 anos, disse que ficou "muito assustado" com a situação. Ele afirmou que foi o pior momento de sua vida, porque saiu cedo de casa para trabalhar, num dia como outro qualquer, e no outro acordou dentro de uma cadeia.

Fernando não tem curso superior e dividiu o espaço com presos comuns, acusados por diversos tipos de delitos, que o trataram bem e souberam ouvi-lo com paciência, a respeito do que chama de infortúnio, por ter sido preso por um crime que ele garante que não sabia ser inafiançável. No café da manhã, um detento lhe "emprestou" a manteiga para passar no pão e mais tarde, em grupo, almoçou arroz, feijão, macarrão e salsicha ao molho.

A prisão ocorreu na tarde do último dia 12 (quarta-feira) e o comerciante saiu da cadeia na manhã seguinte, mediante um mandado de liberdade provisória, já que é réu primário, possui trabalho e residência fixos. Segundo a acusação, o estabelecimento funcionava sem os alvarás da polícia e dos bombeiros. Também não tinha autorização para trabalhar com os serviços de conveniência, troca de óleo e lavação.

Tudo isso somado ao fato dos fiscais encontrarem estocados, de forma irregular, sete mil litros que não seriam de gasolina, e sim de álcool, conforme alegação de Fernando. O combustível estava guardado num tanque subterrâneo que deve permanecer desativado, de acordo com a Fundema (Fundação Municipal de Meio Ambiente). O dono do posto foi autuado por não cumprir a lei de estocagem.

Entrevista exclusiva • Fernando César Garcia

Momento da prisão
Entrei no presídio (Regional de Joinville) às 22h30 do dia 12 (quarta-feira), após ficar horas na Delegacia Regional de Polícia. São momentos que eu prefiro nem comentar muito.

Tratamento na cadeia
Fiquei preso com presos comuns porque sou uma pessoa comum. Talvez tenha tido uma infância parecida a das pessoas com quem estive preso. Só que eu corri atrás para ter minhas coisas. Ninguém me deu nada. Cada um segue o seu caminho, eu segui o meu e aquelas pessoas seguiram os seus. Não tenho nada para reclamar dos agentes, da cadeia, dos presos, foi uma lição importante.

Sem dormir
Não consegui dormir (da noite do dia 12 para 13) absolutamente nada. Fiquei conversando, pensando, refletindo, dividi os assuntos com os presos. Eram presos por diversos tipos de crimes. Dividi a cela com mais oito, mas não estava superlotada. Estava tranquila.

Piores horas
Fiquei preso por aproximadamente 12 horas. Estou muito assustado. Apesar de ter sido bem tratado, foram as piores horas da minha vida. Tenho uma filha, sou natural de Joinville, tenho uma história aqui. Você acorda todos os dias às 6 horas para trabalhar. Na quarta acordei cedo e na quinta amanheci num presídio. Não me acho melhor do que ninguém, mas é uma coisa a ser questionada.

Crime inafiançável
Não sabia que estava cometendo um crime inafiançável, não fiz isso visando mais lucros. Não pensei em ganhar mais em cima dos meus clientes, que podem pedir para fazer o teste do combustível a qualquer hora, e meus frentistas estão sendo muito solidários. Se você perceber, não para de entrar carro no posto, mesmo fechado. O que aconteceu não vai ajudar em nada, mas vamos reverter isso com trabalho. Não acredito em vingança, não acredito em ódio. Hoje não acredito em perseguição, talvez futuramente eu vá descobrir alguma coisa.

Almoço e liberdade
Deixei a prisão por volta de 11h30 (horário em que um oficial de Justiça já tinha ido ao presídio com o mandado de liberdade provisória de Fernando). Mas às 13h50 cheguei a fazer uma refeição: arroz, feijão, macarrão e salsicha. Foi no patiozinho do banho de sol. A comida já chegou pronta. De manhã também comi um pão. Um preso me emprestou a manteiga dele. Tomei um café junto.

Sobre o negócio
Primeiro quero falar que o posto foi fechado por falta de documentação. Estava faltando o alvará sanitário, que já estava encaminhado na Vigilância Sanitária, o da Polícia Civil, cujas guias já foram pagas, e a documentação do Fundema (Fundação Municipal do Meio Ambiente) também já está normal. O posto foi fechado por falta da renovação de licença ambiental.

Sem adulteração
No dia em que fui preso, a gasolina estava com o percentual aceito, de 25% de álcool anidro. Nesse dia estavam aqui o Comitê de Qualidade do Estado de Santa Catarina, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros e um fiscal da Prefeitura pedindo os alvarás. Ele queria que eu tivesse o alvará da loja de conveniência, da troca de óleo e lavação. Lavação é uma coisa que nem cobro, é gratuito. No final de semana chego a colocar dois funcionários para dar lavação gratuita. Te confesso que o alvará da Polícia de funcionamento é específico e não tinha esse documento. Sei que num ano pediram o alvará, em outro foi revogado. O sindicato dos postos pediu que esse alvará não fosse pedido. Eu só tinha o alvará da venda de combustíveis e lubrificantes.

A luta para reabrir o posto
O posto não teve qualquer problema com a qualidade dos produtos. É bom frisar isso para eu não ser comercialmente prejudicado. Estamos correndo atrás de toda documentação para tentar reabrir o posto o mais rápido possível. Acredito que posso conseguir isso até esta quinta-feira (20). Sobre a acusação de crime ambiental de que encontraram sete mil litros de álcool (e não de gasolina) realmete estavam estocados de forma irregular. Os policiais encontraram 7 mil litros de gasolina sem declaração fiscal.

Empregados
Tenho 10 funcionários e não mandei ninguém embora. Nem de férias eu botei. Enquanto o posto não funciona, estamos fazendo uma reforma na parte visual do posto. Enquanto as grandes (bandeiras conhecidas) pagam para os donos de postos essas reformas, se amarram em contrato de 10, 15 anos, eu faço por minha conta.

Combustível mais barato
Eu tenho um preço competitivo. Como eu não tenho um contrato com companhia e o combustível é um comoditie, consigo um preço mais barato, tanto no álcool como na gasolina. Porque ninguém investe nada no meu posto. O meu combustível é carregado direto na base de Itajaí ou na base de Guaramirim. Não tenho transporte próprio, isso é feito pelas transportadoras. (o empresário fica em silêncio quando questionado se vender mais barato mexe com quem vende combustíveis mais caros, os chamados postos de bandeiras conhecidas).

Gripe suína: álcool gel vendido nos supermercados não é o ideal

Jacson almeida
jacson@gazetadejoinville.com.br

O álcool gel, produto procurado facilmente em todos os lugares, agora é raro nos mercados e farmácias de Joinville. Tanto estabelecimentos de grande porte quanto os menores sofrem com a falta do produto. O medo de contrair a Gripe A fez com que cada vez mais pessoas procurem a mercadoria e o preço aumente.

No entanto, Jeane Regina Vieira, gerente da Unidade Vigilância em Saúde, esclarece que a orientação para a população é lavar as mãos com água e sabão. "O gel é só para ambientes onde não há a oportunidade de lavar as mãos", completa.

O álcool gel para os casos de contaminação tem uma concentração de 70% de álcool e 30% de água. Ele não evapora tão facilmente, como o líquido, por isso fica mais tempo agindo no local da aplicação.

No Hipermercado Big, o produto estava em falta há duas semanas. Agora, o álcool gel, da marca Cocamar 70%, no valor de R$ 3,64, é encontrado nas prateleiras. Mesmo assim, outras quatro marcas estão em falta. O encarregado pelo setor conta que em apenas 30 minutos, 12 unidades foram vendidas.

Até o momento, de acordo com a Vigilância Sanitária, ninguém morreu por causa da Gripe A na cidade. São 262 suspeitos e 13 casos confirmados porém, os números mostram que a gripe normal também mata. Só no ano passado, em Joinville, 70 pessoas faleceram devido à doença.

População tem de ficar atenta na hora de comprar

Em todos os estabelecimentos de Joinville houve aumento na procura de quase 100%. No Angeloni existe apenas uma marca do álcool gel, a Veja, que custa R$ 5,89. Mas esse produto tem na composição apenas 46% de álcool, não indicado para os casos de combate às bactérias e ao contágio de vírus. O mesmo acontece no Comprefort, onde a marca encontrada é a Veja.

Situação é pior nos bairros

Depois da Gripe A, ficou difícil encontrar o produto. Tanto no Mercado Campos, no bairro Costa e Silva, como no Catarinão, no bairro Floresta, não existe mais o produto. É a mesma situação: os fornecedores não conseguiram suprir a necessidade da comunidade.

Um privilegiado é o mercado Diasville, no bairro Fátima. No estabelecimento, apesar de pouco, se vê o produto da marca Topmax Clean, que custa R$ 3,49.

Já no Mercado Farturão, no bairro Guanabara, desde que começou o assunto da Influenza A (H1N1), não se vê mais álcool gel para comprar. Rosane Maria Fermino, proprietária, já fez vários pedidos, mas não obteve sucesso.

Rosimeri Aparecida Danelli, gerenciadora do Comprefort, assegura que o supermercado manteve o preço do período antes da gripe A. Como em toda a cidade, fazia aproximadamente duas semanas que o produto estava em falta. O último pedido do mercado foi de 120 caixas com 12 unidades cada uma. O preço da unidade da marca Veja, colocado como "oferta", é de R$ 6,49.
Devido às reclamações e a grande procura do produto, o Procon de Joinville fez uma pesquisa no último dia 14 com os preços do álcool (gel e líquido) e disponibilizou em sua página na internet: www.proconjoinville.com.br.

Álcool "caseiro" deve ser evitado

O medo das pessoas é tanto que na internet é só procurar a palavra álcool gel que há várias receitas para se preparar o produto em casa. Mas a gerente da Vigilância em Saúde, Jeane Vieira, adianta que as pessoas devem tomar cuidado com essas fórmulas, pois não há nenhuma garantia.

Para comprar o álcool gel correto, o consumidor tem que olhar o grau de INPM, que quer dizer a porcentagem de álcool em peso ou grau alcoólico. Esse valor é a quantidade em gramas de álcool absoluto contida em 100 gramas de mistura com água. Por exemplo, um frasco de álcool com 70 graus INPM tem 70% em massa de álcool e 30% em massa de água.

SAIBA MAIS

O QUE É IINDICADO: A Vigilância Sanitária orienta que para diminuir os riscos de contágio basta lavar bem as mãos com água e sabão.

QUAL ÁLCOOL COMPRAR: Álcool gel, desinfetante recomendado, caso não houver possibilidades de lavar as mãos, é aquele que contém 70% de álcool.

Preços ao consumidor:

Comprefort
Veja (46%) R$ 6,49

BIG
Cocamar R$ 3,64

Diasville
Topmax Clean R$ 3,49

LAIR RIBEIRO: Leis da riqueza — Investir

O que você ainda não fez, mas que, se fizesse, teria um impacto positivo na sua vida financeira? Talvez esteja na hora de escolher um tipo de investimento em que aplicar o seu dinheiro. Conheça, neste artigo, um pouco sobre os quatro investimentos mais comuns do mercado.

Os quatro investimentos mais comuns do mercado

1. Caderneta de Poupança Em geral, é o investimento preferido pelo pequeno investidor. Tradicionalmente conhecido como sinônimo de economizar, aplicar em Caderneta de Poupança não requer nenhum conhecimento prévio de investimento, mas tem a inflexibilidade do prazo fixo. Se o investidor sacar antes de trinta dias, perde o rendimento do período.

A melhor maneira de investir na Caderneta de Poupança é ter a disciplina de fazer depósitos mensais. Como diz o ditado, “de grão em grão, a galinha enche o papo”.

2. Fundos Mútuos de Investimento Um pouco mais complexo, esse tipo de investimento exige um administrador para decidir que tipos de ativos o fundo deve adquirir. É um investimento atrativo, pois a diversificação é automática, o que gera mais segurança.

Se você nunca investiu em Fundos Mútuos, talvez necessite da orientação de um consultor financeiro. As aplicações nesses fundos podem ser feitas a partir de valores relativamente baixos, facilitando a participação de pequenos investidores. As instituições financeiras costumam prestar as orientações necessárias.

3. Imóveis O segredo de investir em imóveis está em fazer uma boa compra. Se você tiver tempo para “garimpar” oportunidades, vale a pena. A localização do imóvel é fator crucial na compra para a sua valorização.

A pior casa bem localizada, tende a valorizar-se muito mais que a melhor casa mal localizada.

A segurança do investimento, de modo geral, é alta com rentabilidade e liquidez baixas. Se usar o imóvel para alugar, o investidor poderá obter, mensalmente, entre 0,8% a 1,2% do seu valor.

Isso se aplica a todos os tipos de imóveis: comerciais, industriais, residenciais e rurais.

Existem alguns riscos embutidos no investimento imobiliário, tais como desvalorização pela obsolescência, depreciação pelo uso, as tendências de mercado que não se sustentam (chamadas booms imobiliários), etc.

4. Ações Se você quer investir em ações, é melhor procurar um consultor financeiro que entenda desse mercado. Comprar ações é apropriar-se de parte de uma empresa, com ou sem direito a voto na assembléia dos acionistas, dependendo do tipo de ações adquiridas: ações ordinárias dão direito a voto; e ações preferenciais, não.

A rentabilidade desse investimento é muito variável e imprevisível; a segurança costuma ser baixa e a liquidez é relativa. É o tipo de investimento que deve ser realizado tendo o longo prazo em mente.

Começar algo, como investir, por exemplo, nem sempre é tão fácil quanto parece. Quando começamos, estamos apenas dizendo para nós mesmos que é pra valer. Sem começo, não existe meio ou fim.

Afirmação para a Lei do Economizar (escreva-a três vezes, durante 21 dias):

Todos os meus investimentos são rentáveis.

“Maria da Penha” completa três anos, mas mulheres permanecem no silêncio

Gisele Krama
giselekrama@gazetadejoinville.com.br

Desde que a Lei Maria da Penha foi sancionada pelo presidente Lula, em 7 de agosto de 2006, muitas mulheres que sofriam violência doméstica tiveram mais argumentos para delatar os agressores. No entanto, após três anos de vigência, elas ainda permanecem no silêncio e sofrendo com agressão física e psicológica. Falta estrutura do Poder Público para atender a demanda que procura ajuda nas delegacias, Assistências Sociais e no Judiciário.

Em Joinville a situação não é muito diferente. A Delegacia da Mulher, por exemplo, é responsável por mais de 500 mil habitantes, não tem uma equipe de investigação e policiais treinados para entregar as intimações. Além disto, não tem técnicos especializados suficientes para a tarefa. Essa situação não é diferente de todas as delegacias em geral e de segurança pública.

SC não tem defensoria pública e Vara Civil adequada

Outra questão que faz com que a Lei Maria da Penha não tenha total eficácia em Santa Catarina é porque garante a toda mulher em situação de violência doméstica e familiar o acesso aos serviços de Defensoria Pública ou de Assistência Judiciária Gratuita. Mas no estado não são disponibilizados gratuitamente os serviços de advogados.

Para a membro do Conselho da Mulher em Joinville, Cyntia Pinto Luz, também do Centro de Direitos Humanos, o nível de violência contra a mulher é tão grande, que devem ser criados mecanismos, como a Lei Maria da Penha, para proteção.
A Lei enfatiza ainda a criação de uma Vara especial para a mulher. Em Joinville, ela está alocada na 4º Vara Especial Criminal, sendo que os casos são analisados com outros processos.

Mudanças com a Lei

A lei priorizou a prisão em flagrante do agressor e cabe agora ao Poder Público desenvolver políticas que visem garantir os direitos humanos das mulheres no âmbito das relações domésticas e familiares, para resguardá-las de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
É entendido como violência contra a mulher a agressão física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

Mulheres ainda têm medo

Apesar da Lei, muitas mulheres não denunciam, por medo ou preconceito. Conforme Cyntia, esse preconceito pode ser tanto da sociedade, quanto das pessoas que trabalham com o tema, e inclusive das que fazem parte da estrutura de justiça. “É muito fácil dizer que esta mulher gosta de apanhar, mas é difícil tirá-la deste processo de violência, até porque ninguém gosta de ser oprimido, de sofrer e apanhar”, explica.

Atualmente, a maioria das mulheres que procuram ajuda por causa de violência acabam voltando para o marido e para o ambiente violento. As poucas conseguem se libertar somente com apoio. O perfil destas mulheres é de pessoas que não tiveram educação básica, não têm trabalho, e nem profissão, tem muitos filhos e estão sem opção de sobrevivência. “Elas dependem do marido e da estrutura familiar para existir”, afirma Cyntia.

Apesar dos problemas, Joinville tem uma política diferenciada para o cuidado com a mulher. Existe um programa para as vítimas de violência, mantido pela Secretaria de Assistência Social, e um abrigo para retirar temporariamente a mulher da situação de violência. Esse abrigo só existe em Joinville e em Blumenau. “Deveria ter um casa em todas as cidades de Santa Catarina”, destaca Cyntia.

Joinville não tem medidas preventivas

Deve-se intervir nos bairros, nas associações de moradores, nas escolas, na associação de pais e mestres, é necessária essa discussão e oferecer outra opção de vida para os jovens, para que a violência contra a criança e a mulher faça parte do passado. “A sociedade tem que se transformar para que a mulher possa encontrar um espaço para conseguir igualdade de condições”, diz Cyntia.

Porque mesmo com a lei Maria da Penha, muitos órgãos esperam que a mulher chegue “quebrada” na delegacia para se tomar uma providência. Se ela só reclama, não significa que haverá uma investigação para ajudá-la. Cyntia explica que ela tem que estar machucada para receber atendimento.

No entanto, em Joinville não há medidas preventivas de violência contra a mulher, principalmente nos bairros e nas regiões mais carentes, onde existe maior grau de agressão. Além do mais, não há um sistema de saúde que priorize a mulher.
Em caso de estupro, por exemplo, a pessoa deve ir até a delegacia, depois ir a um hospital, para só então procurar o Instituto Médico Legal. Esse processo leva tempo, e sem o apoio psicológico, leva a mulher a omitir a violência.

Estatísticas

Na cidade ainda não há nenhum controle de informações sobre violência contra a mulher. Há pouco tempo as delegacias foram informatizadas, a partir de ações da Secretaria de Segurança Pública. “Faz dois ou três anos que começaram a recolher dados, como boletins de ocorrência sobre violência doméstica”, comenta Cyntia.

História de Maria da Penha

O nome Maria da Penha é em homenagem a uma farmacêutica, também conhecida como Letícia Rabelo Maia Fernandes, que foi agredida pelo marido durante seis anos. Ele tentou assiná-la duas vezes, somente em 1983. Da primeira vez, ela ficou paraplégica com um tiro. Já na segunda tentativa, quase morreu por afogamento e choques elétricos.

Maria da Penha fez uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, com apoio do Centro pela Justiça pelo Direito Internacional e o Comitê Latino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher.

O marido ficou dois anos preso, sendo encarcerado somente 19 anos depois do julgamento. A Lei nº 11.340, conhecida como Maria da Penha, tem por finalidade aumentar o rigor nas punições das agressões contra a mulher, principalmente se ocorrem no ambiente doméstico e familiar.

Lado negativo

Uma das maiores críticas à Lei Maria da Penha é que a mesma só trabalha o cuidado à vítima e à punição. Mas o homem agressor também deve ser tratado, pois pode prejudicar outras mulheres que convivem com ele.

A membro do Conselho da Mulher em Joinville, Cyntia Pinto Luz explica que na maioria das vezes tanto o homem quanto a mulher que participam da situação de violência já passaram por isso nas famílias. Conforme ela, o marido reproduz o que viu o pai fazer e a mulher agüenta a violência doméstica porque acha isso normal.

Conselho é criado sem obedecer norma do Ministério das Cidades

Jacson Almeida
jacson@gazetadejoinville.com.br

A conferência para a criação do Conselho da Cidade, instrumento criado pelo Ministério das Cidades, com o objetivo de democratizar discussões sobre o planejamento urbano, gerou polêmica neste sábado (08) em Joinville. Para muitos que estavam na reunião, houve erros na organização e faltou transparência do poder público, principalmente com os movimentos sociais.

O Conselho da Cidade é formado por um presidente e 14 delegados. Desses, sete são da prefeitura e sete da sociedade civil. Cada delegado representa uma câmara setorial, que vai discutir e até sugerir assuntos como zoneamento, questões ambientais, entre outros. Ao todo, são 140 pessoas distribuídas entre as câmaras, sendo 70 pessoas da prefeitura e 70 da sociedade. Essas pessoas são voluntárias e não recebem nada por isso.

Várias cidades do Brasil criaram seus conselhos para ser um fórum onde todos os segmentos sociais estejam representados, em especial os ligados aos movimentos sociais. Entretanto, isso não aconteceu em Joinville.

Conforme informações da 2ª Conferência Nacional das Cidades, os conselhos estaduais e municipais devem garantir a proporcionalidade de 60% dos membros da sociedade civil e 40% do poder público. Em Joinville, o poder público possui 50% dos membros, ou seja, contrariam a determinação federal.

Foi pedido ainda o CNPJ para os movimentos sociais, impossibilitando muitas participações. Por exemplo, um centro acadêmico e uma Associação de Pais e Professores (APP), reconhecidos pela imprensa e pela sociedade joinvilense, não puderam participar porque não possuíam o documento.

Para especialista, população não foi informada corretamente

Para Willian Luiz da Conceição, membro do Centro Acadêmico Livre de História “Eunaldo Verdi”, (CALHEV), a participação dos movimentos era legítima. A cobrança do CNPJ fez com que trabalhadores e outras organizações não pudessem participar. Segundo o arquiteto e urbanista Sérgio Gollnick, Instituto Joinville, a maioria da população de Joinville não estava atenta, não foi informada corretamente e a publicidade oficial foi falha. “Eu, particularmente, tenho dúvida sobre a legalidade desta exigência do CNPJ como único instrumento de reconhecimento de representação da sociedade”, completa.

Já a assessoria de imprensa do Ippuj esclarece que houve uma votação com aproximadamente 400 pessoas para aceitar o regulamento, que tornava legítimo o pedido de CNPJ.

No Ministério das Cidades fica claro que a elaboração do instrumento legal de criação do Conselho Municipal da Cidade deve pressupor a participação da sociedade, não se restringindo ao mero cumprimento de uma burocracia por parte do governo local. Além disso, a estrutura e a organização dos conselhos devem expressar o consenso de todos os segmentos da sociedade.

Para Gollnick, o governo está contrariando a Constituição, o Estatuto das Cidades, as diretrizes que a sociedade propôs para o Plano Diretor, todas as orientações do Ministério das Cidades, das Conferências Nacionais e dos bons exemplos espalhados no Brasil. “O discurso do Prefeito sobre o início da administração e uma gestão democrática acabou por se tornar um ato monocrático pela sua própria caneta”, enfatiza.

Estava presente ainda na conferência o Movimento Passe Livre (MPL), que não pode participar. Outro fato curioso foi a não participação de sindicatos.

Conselho privilegiou classe empresarial

Para muitos presentes na conferência, o Conselho da Cidade de Joinville acabou não permitindo a participação de movimentos sociais, e sim de pessoas do poder público e do empresariado joinvilense. Por exemplo, a Associação Comercial e Industrial de Joinville (Acij) tem dois delegados, sendo um deles Udo Döhler.

Houve ainda uma grande confusão em conceituar o que era ONG e o que era movimento social. Além disso, colocaram a Associação de Joinville e Região de Pequenas, Micro e Média Empresas (Ajorpeme) como ONG e associações de moradores como movimentos sociais.
Para o arquiteto, a legitimidade do conselho é amplamente questionável, pois não tem a representação do conjunto da sociedade requerida pela lei. Então, o processo participativo e democrático, citado pelo Ministério das Cidades, em Joinville, não passou mais uma vez de uma tentativa de marketing em cima do fator transparência.

EDITORIAL: A parábola do Monge

O papa da comunicação, Dr. Lair Ribeiro, garante que as parábolas conseguem passar suas mensagens porque como “histórias” elas furam o bloqueio racional do nosso cérebro.

Conta uma delas que um monge ensinava biologia a seus discípulos na área externa do mosteiro. Ao passar por um pequeno córrego, o monge percebeu que um escorpião se debatia, em vão, e estava se afogando.

Ele não teve dúvidas, arregaçou as mangas do seu hábito, colocou uma das mãos sob o escorpião e o retirou da água. Assim que a água escorreu por entre os dedos do monge e o escorpião ficou no seco deu uma ferroada na mão que o salvara.

Com a dor, o monge abriu repentinamente a mão e o escorpião caiu novamente no córrego e voltou a se afogar. O mestre tratou rapidamente do ferimento, procurou um graveto para tentar retirar o escorpião da água.

Com o graveto, o monge pescou o escorpião e levou-o até a margem.

Em seguida, o monge voltou a caminhar pelo pátio do mosteiro, seguido pelos seus discípulos. Um deles, após alguns instantes, não suportou a curiosidade e indagou: “mestre, eu não entendi seu comportamento ali atrás. O senhor salvou o escorpião e ele lhe retribuiu tentando matá-lo com uma ferroada. Apesar disso, o senhor voltou para salvá-lo novamente? Eu não entendo.”

O mestre pensou um pouco e respondeu: “meu jovem, o escorpião agiu de acordo com a sua natureza e eu, de acordo com a minha.”

A natureza é determinante no comportamento e nas ações das pessoas. Após perder quatro eleições consecutivas, sem ao menos ir para o segundo turno, o então candidato Carlito Merss, estava “se afogando” e resolveu mudar sua natureza, prometendo aos joinvilenses aquilo que eles esperavam que o seu prefeito fizesse.

Prometeu baixar a tarifa de água, que é a mais cara do Estado, prometeu baixar a passagem de ônibus, prometeu acabar com a TLL, investir mais na saúde e na educação.

No entanto, assim que se sentiu seguro, na cadeira de prefeito, Carlito voltou a agir conforme sua verdadeira natureza descumprindo promessas, enganando e mentindo para os seus eleitores.

Juiz João Marcos Buch: por que os “intocáveis” têm medo dele?

Gisele Krama
giselekrama@gazetadejoinville.com.br

O juiz João Marcos Buch, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Joinville, já é reconhecido pela população da cidade por trabalhar em casos complicados proferir sentenças contra personalidades políticas que tinham na cidade a fama de “intocáveis”.

Agora, está nas mãos deste juiz condenar ou não Darci de Matos, Norival Silva e outros participantes do esquema de corrupção na Secretaria da Saúde de Joinville.

A suposta relação do deputado Darci de Matos veio à tona quando escutas telefônicas, autorizadas pela Justiça, feitas pela Polícia Civil, flagraram ligações e trocas de mensagens de texto comprometedoras entre o então candidato a prefeito de Joinville Darci e o secretário da Saúde de Joinville, na época, Norival Silva.

Conforme a denúncia do Ministério Público, no dia 5 de dezembro de 2007, Norival Silva recebeu uma ligação do deputado Darci de Matos avisando que logo a seguir lhe passaria uma mensagem deixando claro, inclusive, que o assunto somente poderia ser compartilhado entre os dois e o prefeito Marco Tebaldi.

Mensagem de celular

A mensagem, que ambos achavam que não seria rastreada dizia: “O Dep Nilson deve 55 mil na prefeitura o Tebalde ajudou um pouco e parou esta meio chateado. O Dep falou comigo. É muito importante para o nosso projeto Debito ate dia 20.12. Talvez uns 2 ou 3 fornecedores da saúde. Resolvemos e depois informamos o Tebaldi”.

Além disso, outra escuta, gravada pela polícia, no dia 12 de dezembro de 2007, mostra Darci dizendo ao ex-secretário que teria marcado um encontro com Nilson para fechar o acordo. “Vô senta com ele e. vô bate o martelo”. Para a promotoria isto leva a crer que estaria equacionado o projeto político objetivado, e o solução de aludida dívida. Nesta ligação, Norival explicou que a pretensão do deputado havia sido atendida (“ta resolvido”, sacramentou) e que seria consumada, por alguém na prefeitura”, relata o MPE. Já no dia 14 de dezembro, nova ligação entre Norival e Darci combina a forma de quitar o débito e que um tal de “Ricardo” estaria encarregado da solução da dívida.

Buch decretou prisão de Norival Silva

Em outubro de 2008, Buch decretou a prisão de Norival Silva por fraude, junto com o empresário João Batista Soares dos Santos e o ex-superintendente administrativo da Secretaria Estadual de Saúde Ramon da Silva.

Eles são acusados de desvio de verba pública, num esquema em que se exigia dinheiro de fornecedores de medicamentos. Outras seis pessoas também podem ser condenadas no mesmo processo.

As prisões ocorreram a pedido do Ministério Público ao apresentar a denúncia, com a entrega de documento pelo promotor Assis Kretzer, no dia 30 de setembro. Ele denunciou nove pessoas por formação de quadrilha, tráfico de influência, corrupção passiva e ativa, fraude e quebra da ordem cronológica de pagamentos.

O processo também envolve o ex-prefeito de Joinville Marco Tebaldi, e atualmente segue em segredo de Justiça.

Pena de 3,4 anos de reclusão para ex-deputado

O ex-deputado estadual João de Oliveira Rosa também já foi condenado na 2ª Vara Criminal da Comarca de Joinville, por João Marcos Buch.

João de Oliveira contratou Raquel Reinert da Maia para o cargo de secretária, mas ela nunca exerceu a atividade. Raquel era uma “funcionária fantasma” da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, entre abril de 2000 e fevereiro de 2003.

João Marcos Buch condenou o parlamentar a três anos e quatro meses de reclusão e 15 dias de multa, no valor de um salário mínimo a cada dia. Já Raquel teve a pena de dois anos de reclusão e 12 dias de multa, de um salário mínimo cada.

Atuação como juiz eleitoral

João Marcos Buch também trabalhou como juiz eleitoral no pleito do ano passado. E já mostrou resultado no começo da atividade. Multou candidatos como Darci de Matos (DEM), Rodrigo Bornhold (PDT), Osmari Fritz (PMDB) e até Marquinhos Fernandes (PT), atual secretário da Educação. Todos eles foram fizeram campanha política antecipada.

O juiz também atuou nas eleições de Santa Catarina em 1994, 1996, 1998 e 2002.

Prefeitura manda escolas pedirem produtos de limpeza para os pais

GISELE KRAMA
giselekrama@gazetadejoinville.com.br

As escolas municipais de Joinville estão sem o mínimo de materiais de higiene, mesmo em época de doenças infecciosas, como gripe A. Na última sexta-feira (07), um aluno, R.G, de 13 anos, foi levado para o Hospital Infantil Jesser Amarante Farias, com sintomas de gripe. Ele estuda no turno intermediário da Escola Municipal Eladir Skibinski, no Aventureiro.

O garoto começou a passar mal em sala de aula. Funcionários da escola verificaram que ele estava com febre, mas disseram que era para ele retornar à aula. No período da tarde, R.G. piorou e foi levado pela mãe ao hospital, com dor no peito, falta de ar e febre.

O aluno ficou internado até domingo de manhã e deveria ter retornado para a escola na última quarta-feira (12), mas ainda não se sentia bem. Conforme a mãe do garoto, os médicos descartaram a possibilidade de gripe A e disseram que é uma provável pneumonia.
Questionado sobre a situação da escola, R.G. destaca que não tem álcool em gel e nem papel higiênico para os alunos. “Quem quiser ir ao banheiro, tem que pedir papel para a diretoria ou serventes”, afirma.

Como única forma de prevenção da gripe, os bebedouros da escola foram desativados. “Cada criança deverá trazer um garrafa com água”, diz o diretor Reinaldo Dutra da Silva.

Situação se repete em outras escolas

Na escola municipal Padre Valente Simioni não tem álcool em gel, justamente no período em que as gripes são mais comuns. A diretora, Maria Zenir Niehues, alega que há dificuldade em encontrar o produto. Foi mandado um bilhete para cada aluno pedindo que os pais comprassem sabonete e álcool. O bebedouro coletivo também foi desativado.

Conforme Maria Zenir, a Secretaria de Educação não fornece álcool em gel. “O papel higiênico, por exemplo, que a Secretaria manda não é suficiente, e a APP (Associação de Pais e Professores) tem que comprar o restante”, explica. Atualmente a escola tem 1,2 mil alunos.

Sem Álcool gel

Na escola Saul San’Anna de Oliveira Dias há somente álcool em líquido. No entanto, foi pedido para os pais comprarem toalhas e sabonetes para as crianças. Segundo a diretora, Jandira dos Reis Cidral, os pais também devem mandar água para os filhos, já que os bebedouros serão desativados.

O caso mais grave está na escola Joaquim Félix Moreira, no Paranaguamirin. A instituição atende ainda alunos no turno intermediário. Além de problemas estruturais, como falta de sinal eletrônico, o local não tem álcool em gel. Uma funcionária admitiu que a Secretaria não manda regularmente o material de limpeza. Mesmo assim, a diretora Edilene Pereira não quis falar com a imprensa.

Pedindo dinheiro

Os pais reclamam, recebem bilhetes pedindo material de higiene e limpeza. “Sempre pedem sabonete, detergente e mais R$ 1 todo mês”, diz a dona de casa Ana Rosa Paulino.

Já a auxiliar de serviços gerais Elisete Aparecida Costa comenta que não pode mandar os produtos mensalmente. “A gente tem que dar um duro para ganhar o salário e ainda tem que mandar dinheiro para o colégio”, lamenta. Ela questiona se não é função do governo comprar esses produtos.

GINCANA PARA ARRECADAR MATERIAL DE LIMPEZA

Ana Rosa lembra ainda que o filho participou há três meses de uma gincana para arrecadar alimentos e produtos de limpeza para a escola, há três meses. “As crianças levaram muita coisa”, afirma. Além disto, Ana Rosa menciona também que sempre são enviadas rifas para os alunos venderem. “Dizem que é para conseguir dinheiro”, explica.

Cobrança de mensalidade é ilegal

O vereador Adilson Mariano (PT) criou uma lei no ano passado que obriga as escolas públicas a fixar um cartaz explicando que é ilegal pagar mensalidades. Para ele, qualquer tipo de pressão para pagamento é irregular e deve ser denunciado.

Em 2005, houve uma polêmica em relação à cobrança de donativos pelos Centros de Educação Infantil (CEIs). “O Ministério Público disse que era ilegal, mesmo assim os pais continuaram reclamando que havia mensalidade”, alerta Mariano.

“Sempre foi proibido qualquer tipo de cobrança”, explica o vereador. Mariano diz ainda que é responsabilidade da Secretaria de Educação fornecer todo os produtos de higiene e limpeza para as escolas.

Já a vereadora Dalila Leal (PSL) lembra que muitas famílias da rede municipal de ensino não têm condições de comprar os materiais que são pedidos. A vereadora alerta ainda que é perigoso pedir para que uma criança trazer álcool para a escola. “Existem crianças que não têm condição nem de ter um sabonete em casa”, lamenta. Para ela, é necessário que a Secretaria de Educação tome uma posição sobre este assunto.

Explicação da Secretaria da Educação

A Gazeta entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação para falar sobre os avisos pedindo a compra de material de higiene para os alunos e álcool em gel. A assessora disse que a explicação do secretário Marcos Fernandes já tinha sido publicada na coluna de Jefferson Saavedra, do Jornal A Notícia, na última terça-feira (07).

O secretário diz que não é obrigatório o envio destes produtos. “Só recomendamos aos pais que queiram que mandem lenços e sabonetes para uso exclusivo de seus filhos, como forma de prevenção à gripe A”, diz. Mesmo assim, as escolas mandam bilhetes solicitando que cada aluno tenha um kit com garrafa de água, lenço descartável e sabonete.

Documento comprova realização de gincana

Detergente, sacos de lixo e lustra-móveis são alguns dos itens
que as crianças precisam arrecadar


Gisele Krama
giselekrama@gazetadejoinville.com.br


Mesmo que o secretário de Educação, Marcos Fernandes, tenha tentado desmentir a arrecadação de produtos de limpeza, o fato é que as escolas municipais mandaram bilhetes para os alunos solicitando diversos produtos. Foram pedidos sabão em barra, papel higiênico, sabonete, esponja, álcool e ainda saco de lixo de 100 litros.

Tais produtos não são de uso pessoal dos alunos, e servem para a limpeza da escola. Mas para compensar os estudantes que conseguem mais mercadorias são prometidas visitas ao Zoobotânico e ao Parque Caieiras.

O secretário reafirma que não são feitas gincanas e que os materiais de limpeza são fornecidos pela Secretaria de Educação. No entanto, escolas, como a Paul Harris, enviaram diversos comunicados no decorrer do semestre pedindo dinheiro para realizar trabalhos em sala de aula.
Em junho, foi enviada a lista com uma série de produtos e a quantidade que era necessário. Por exemplo, água sanitária (dois litros), bombril (um pacote), esponja de louça (uma unidade) e papel higiênico (dez rolos). Além de alimentos como açúcar e óleo de soja.

Como premiação, a instituição ofereceu para turmas que cumprirem todas as tarefas da gincana uma sessão de cinema, com direito a pipoca.

Essa medida faz com que alunos, interessados em assistir um filme, busquem diversas mercadorias para encher os depósitos das escolas municipais.


UM DOS BILHETES ENTREGUES AOS PAIS

Câmara aprova projeto de mototáxis

A Câmara de Vereadores aprovou hoje (06/08) o projeto 162/2009, que retira da Lei 3.806 de 1996 a proibição do serviço de mototáxis e dá ao município a responsabilidade de regulamentar o setor. O vereador Adilson Mariano (PT) lembrou que, com a nova lei, a atividade não poderá mais ser vedada. “Agora, cabe ao Executivo, junto com a organização de vocês (mototaxistas), preparar a regulamentação”, falou.

Uma emenda da Comissão de Legislação ao projeto definiu um prazo de 90 dias para o Executivo regulamentar o serviço. O projeto de autoria da bancada do Partido dos Trabalhadores tramitou em caráter de urgência e teve os pareceres elaborados pelas comissões de Legislação Justiça e Redação e Urbanismo na tarde de hoje.

EDITORIAL: A “malufada” de Carlito

A consolidação da democracia no Brasil, tão defendida pelos brasileiros e que serve de modelo para diversos países mundo afora, deve-se em grande parte ao trabalho de fiscalização do poder público pela imprensa livre, que repercutiu e ainda repercutem na população os atos de seus governantes.

Hoje, com o avanço da liberdade de expressão e da democracia no país, as tentativas, por parte dos políticos, de controlar ou punir a imprensa que bem informa diminuíram, mas não acabaram.
Quando foi prefeito de São Paulo (1993-1996), Paulo Maluf era conhecido como tocador de obras e chegou a alcançar 93% de aprovação popular, maior índice na história da cidade. Tudo ia bem até que jornais, como a Folha de S. Paulo, começaram a denunciar irregularidades e falcatruas na administração municipal. Maluf, então, iniciou uma cruzada pessoal contra o veículo.

Cansado da atitude do jornal, que só estampava matérias desfavoráveis ao seu governo, Maluf decidiu que não falaria, não forneceria informações e sequer explicaria seus atos à FOLHA ou a jornais que não estivessem aliados com os seus interesses.

A discriminação imposta pelo prefeito Paulo Maluf à Folha de S. Paulo tornou-a um símbolo do jornalismo combativo e independente.

Passados mais de uma década do episódio envolvendo a Folha de S. Paulo parece que a prefeitura de Joinville não aprendeu a lição. Desde que esta Gazeta começou a mostrar que o prefeito Carlito tem descumprido sistematicamente seus compromissos de campanha que este jornal passou a receber o mesmo tratamento dispensado a FOLHA por Paulo Maluf.

BULLYING: Mais de 60% dos estudantes já

POR Gisele Krama



A agressão praticada no ambiente escolar por crianças e adolescentes é uma realidade brasileira e tem sido alvo de discussões no mundo todo. Um fenômeno chamado bullying já preocupa país e professores, principalmente depois que casos de assassinatos e suicídios repercutiram na mídia, como nos atentados de Columbine e Virgínia, nos Estados Unidos. No Brasil, aproximadamente 45% dos estudantes foram vítimas ou agressores dentro das escolas, e no mundo a estatística aumenta para 60%.

Bullying é um fenômeno que representa uma ação agressiva, feita repetidamente e com a intenção de machucar fisicamente ou psicologicamente. A palavra significa tirano. Conforme a psicóloga Roberta Balsini, a violência praticada por crianças sempre aconteceu e não é algo moderno. No entanto, ela ressalta que antes essa realidade era deixada escondida e não se dava importância.

A situação mudou quando a imprensa de todo o mundo anunciou o assassinato de 15 adolescentes em Columbine, nos Estados Unidos, em 1999. Os estudantes Eric Harris e Dylan Klebold entraram no colégio armados e atiraram em alunos e professores. No incidente, 15 pessoas foram mortas e 24 feridas.

Investigações apontaram que Eric e Dylan sofriam agressões dos colegas, e principalmente da equipe de esportes da escola. Pois os alunos preferiam estudar que praticar exercícios, além de serem mais tímidos. Os agredidos começaram a arquitetar um plano de vingança, ocasionando o massacre do dia 20 de abril.

Até então não eram repercutidas as conseqüências do bullying. Conforme a psicóloga, as pessoas que sofriam a violência ficavam caladas. "A situação não era denunciada por medo que a perseguição piorasse e o que o grupo agressor prejudicasse ainda mais", destaca.

Nem sempre as conseqüências do bullying serão mortes ou suicídio, mas mesmo assim tiram a tranquilidade das vítimas, fazendo com que as crianças agredidas tenham falta de sono, pesadelo, medo, apavoramento e dificuldades escolares. Nestas situações, cabe aos pais observar o comportamento dos filhos em casa.

Joinvilenses relatam suas experiências

Quando a criança que sofreu o bullying se tornar adulta pode ter depressão, pânico, fobia social, insegurança e desajustes relacionais. No entanto, a violência e perseguição também acontecem na idade adulta, porém neste período a pessoa tem maior formação e está fortalecida para falar e resolver o problema. Conforme a psicóloga, a criança e o adolescente não têm estrutura para resolver essa questão e para distinguir se isso é normal ou não.

C.S., 13 anos, já participou de teatro sobre bullying em que era agressora. Mas na vida real já viu piadinhas, xingamento e "zoação" com outros alunos. Foi com a peça que estudante percebeu quanto essa atitude pode prejudicar muita gente. Ela conta que antes o bullying ficava por isso mesmo, ninguém denunciava, agora é o contrário.

Já B.R., 13 anos, também sofreu violência. Ela diz que na sala de aula havia pessoas que só zoavam e julgavam os alunos que não eram "iguais". A estudante tem uma amiga que já apanhou de colegas por causa da aparência e das notas. "Ela teve que mudar de colégio", lamenta. A aluna também já viu gente zoando e implicando com assuntos sérios, principalmente quando uma garota contou para os colegas que apanhava da mãe em casa.

"Vocês me levaram a isso", diz em carta Cho Seung-Hui, estudante que matou mais de 30 pessoas e se suicidou nos Estados Unidos, em 16 de abril de 2007. O aluno era de origem asiática e estudava letras na Universidade Politécnica da Virgínia. Os investigadores acharam estranho o fato de que o jovem estava a tempo na universidade e não conhecia quase ninguém.

Ainda em 2007, um aluno do ensino fundamental do Texas levou no dia 24 de abril uma granada para a escola. Professores e alunos tiveram que sair correndo e se abrigar numa igreja ao lado.

Agressores, normalmente, são os mais "populares"

Os adolescentes entrevistados pela reportagem montaram um perfil-padrão para os agressores. Eles destacam que essas pessoas normalmente são as mais populares e que "se destacam" das outras, dando direito de maltratar. Normalmente, os padrões físicos são os maiores motivos de "chacotas". "Eles excluem todos que não estão na linha de interesse, como gordinhos e pessoas com acnes", explica uma adolescente.

O perfil do agressor na maioria é de crianças sem limites. "A tendência é ser mais agressiva, mais corajosa", ressalta Roberta Balsini. Conforme a psicóloga, se este jovem não tiver "freio" a tempo, será um adulto sem limite e poderá se tornar alguém que passa por cima dos outros para ganhar dinheiro, para trabalhar e para amar. "A pessoa que cresce sem limites, não vai se relacionar bem com o mundo e não vai dar continuidade às relações", afirma.

Cyberbullying e válvula de escape para quem sofre na vida real


A frustração de quem passa pela violência e de quem a comete vão acumulando com o tempo e só servem para aumentar a agressividade, por isso uma vítima de bullying pode se tornar um agressor. A válvula usada para extravasar essa raiva pode ser tanto em jogos de videogame sobre bullying, quanto cyberbullying.

No jogo, o cenário de uma escola é reproduzido e a criança persegue e briga com os colegas, se colocando no papel de "valentão". Já na internet o agressor começa a perseguir outra pessoa, xingar usando e-mail e redes de relacionamento. Roberta conta que já ouviu de alunos que se não fizesse (a agressão) no jogo, teria que fazer em outro lugar.

Pressão dos pais aumenta agressividade da criança

No entanto, para as vítimas que não se tornam agressoras resta usar alguma compensação, que pode ser tirar notas altas na escola. Ou seja, a criança, que não se destaca por ser um líder ou por não ser bom no esporte, tira nota dez. "As boas notas viram uma espécie de compensação emocional, mas não recupera o sofrimento causado pelo bullying", explica Roberta Balsini.

O que há hoje em dia é uma pressão dos pais para que os filhos fiquem bem, que estudem e façam cursos. "Essa cobrança vai tirando a inocência das crianças", alerta a psicóloga. Roberta diz ainda que a sensibilidade e convivência destas pessoas são trocadas por atividades cada vez mais individuais.

A conseqüência desta mudança é que a relação entre as pessoas não fica clara. Para Roberta Balsini, essa situação gera desconforto na criança, deixando mais rebelde e agressiva. Quando a violência é detectada nos estágios iniciais permite à família questionar e rever os padrões de comportamento.

O tratamento para o bullying deve ser feito em família, já que muitos dos pais já passaram pela mesma situação, tanto como vítimas como agressores. A denúncia é outro fator importante e que deve ser incentivado. Ainda hoje 70% dos casos são silenciados.

Lei obriga escolas a ter programa de prevenção

Em Santa Catarina há a lei nº 14.651, sancionada no começo deste ano, que prevê a criação de um Programa de Combate ao Bullying, de ação interdisciplinar e de participação comunitária, nas escolas públicas e privadas do estado. Em Joinville, o projeto é de responsabilidade do Núcleo de Educação e Prevenção de Joinville (NEPRE), criado em parceria com o Ministério da Saúde e da Educação.

A equipe de reportagem procurou a Gered (Gerência Regional de Educação), mas o responsável pelo Nepre e pelo programa de bullying está de licença e ninguém mais tem dados sobre o núcleo. Já a Secretaria Municipal de Educação não enviou as informações sobre a aplicação do projeto em Joinville e sobre a situação do bullying na cidade.


Suposto crime eleitoral de Darci de Matos está pronto para ser julgado

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) não aceitou novas provas no processo que investiga o deputado estadual Darci de Matos (DEM) de suposto crime eleitoral praticado nas eleições de 2008. A juíza relatora, Eliana Paggiarin Marinho, achou desnecessárias demais provas para julgar o democrata. "Já constam dos autos os subsídios necessários para avaliar a suposta ocorrência de ilícito eleitoral", afirma a magistrada. No despacho, não fica claro que "novas provas" seriam estas que o Ministério Público Eleitoral quer incluir no caso.

Suposto esquema com dinheiro da Saúde

Para a promotoria, Darci beneficiou-se na campanha, pois Nilson Gonçalves (PSDB) teria deixado de candidatar-se à prefeitura por ter uma dívida quitada com a prefeitura, no valor de R$ 58.062,82. A quantia teria sido arrumada por Darci, através do ex-prefeito Marco Tebaldi (PSDB) e do ex-secretário da Saúde, Norival Silva.

Em outubro de 2008, a Gazeta mostrou as escutas telefônicas de Darci de Matos pedindo dinheiro para Norival Silva. A Operação Falcatrua,da Polícia Civil, que investigava o ex-secretário, acusado de cobrar propina para fraudar a lista de pagamento dos credores da pasta que comandava, revelou que ele ficou responsável de conseguir dinheiro com fornecedores da Secretaria para quitar impostos municipais do deputado Nilson Gonçalves e assim dissuadi-lo de concorrer à Prefeitura.

Com esta manobra, Darci de Matos esperava contar com o apoio do comunicador e de seus aliados tucanos. Em todas as oportunidades em que se manifestou o deputado Nilson Gonçalves negou veementemente que concordasse com este esquema. Mesmo antes de vir à tona o escândalo dos telefonemas se manteve imparcial na disputa ao ponto do PSDB pedir sua expulsão do partido.

Ligação comprometedora

Conforme a denúncia do Ministério Público, no dia 5 de dezembro de 2007, Norival Silva recebeu uma ligação do deputado Darci de Matos avisando que logo a seguir lhe passaria uma mensagem deixando claro, inclusive, que o assunto somente poderia ser compartilhado entre os dois e o prefeito Marco Tebaldi. A mensagem, que ambos achavam que não seria rastreada dizia: "O Dep Nilson deve 55 mil na prefeitura o Tebalde ajudou um pouco e parou esta meio chateado. O Dep falou comigo. É muito importante para o nosso projeto Debito ate dia 20.12. Talvez uns 2 ou 3 fornecedores da saúde. Resolvemos e depois informamos o Tebaldi".

Além disso, outra escuta, gravada pela polícia, no dia 12 de dezembro de 2007, mostra Darci dizendo ao ex-secretário que teria marcado um encontro com Nilson para fechar o acordo. "Vô senta com ele e. vô bate o martelo". Para a promotoria isto leva a crer que estaria equacionado o projeto político objetivado, e o solução de aludida dívida. Nesta ligação, Norival explicou que a pretensão do deputado havia sido atendida ("ta resolvido", sacramentou) e que seria consumada, por alguém na prefeitura", relata o MPE. Já no dia 14 de dezembro, nova ligação entre Norival e Darci combina a forma de quitar o débito e que um tal de "Ricardo" estaria encarregado da solução da dívida.

No programa "Tribuna do Povo", do dia 9 de outubro, Nilson admitiu que devia para a prefeitura mais de R$ 20 mil. O deputado explicou a situação e afirmou que não fazia parte do "grupo do prefeito". Também ameaçou se desfiliar do partido. "Esse grupo do PSDB aqui de Joinville é o grupo do prefeito Tebaldi com o qual eu não tenho ligação nenhuma", desabafou Nilson Gonçalves.

Regulamentação de mototáxis segue sem definição em Joinville

Gisele Krama
giselekrama@gazetadejoinville.com.br

Apesar do presidente Lula ter sancionado no dia 29 de julho a lei que regulamenta a atividade de mototaxista no Brasil, a situação destes profissionais ainda não está definida em Joinville. Falta um projeto municipal para adaptar a Lei Federal conforme as necessidades da cidade. Os vereadores têm organizado reuniões semanais com o Sindicato dos Mototaxistas e Secretaria de Infraestrutura (Seinfra).

Para o vereador Osmari Fritz (PMDB), é necessário discutir principalmente se haverá empresas para transporte com motocicletas ou se os mototaxistas irão trabalhar em pontos, com concessões controladas pelos números das placas. Conforme o parlamentar, a Câmara enviará o projeto de regulamentação municipal até setembro para o Executivo aprovar.

O presidente do sindicato, Osmar Victor, espera que as notificações feitas pela Seinfra no mês passado sejam anuladas. Osmar prefere a criação de uma agência para agrupar os mototaxistas. Ele afirma que em cidades como Rio do Sul, em que há regulamentação municipal, foi escolhido o modelo por pontos. Porém, muitos profissionais desistiram da atividade.

Conforme o promotor que solicitou as fiscalizações, Genivaldo da Silva, a ação agora é improcedente porque não há mais objeto, já que a atividade é regulamentada. Genivaldo diz ainda que a iniciativa partiu de uma Associação a nível estadual, mas não lembra o nome.

No entanto, a Seinfra poderá ainda fiscalizar as empresas e pontos de mototaxi para exigir alvará. A reportagem procurou a secretaria para saber como ficará a situação dos pontos notificados, mas ninguém quis falar sobre o assunto.

PA entra em reforma antes de começar a atender pacientes

Jacson Almeida
jacson@gazetadejoinville.com.br

A obra do mais novo Pronto-Atendimento (PA) de Joinville está concluída, mas atualmente o local permanece fechado. A grande estrutura, no bairro Aventureiro, foi inaugurada pelo ex-prefeito Marco Tebaldi no fim de seu mandato, no ano passado. Entretanto, em outubro começou a funcionar no local apenas a Unidade I do Posto de Saúde do Aventureiro.

Apesar de novo, o prédio já tem infiltrações. Segundo o vereador Adilson Mariano (PT), da Comissão de Saúde da Câmara, existe uma perspectiva de que seja feita uma reforma antes mesmo de começar a funcionar o PA.

Já moradores da região estão inconformados. Eles reclamam da distância que percorrem para irem aos PAs da zona Sul, sabendo que já existe uma estrutura no bairro.

A dona-de-casa Terezinha Resende espera há muito tempo o começo das atividades do PA. Ela tem que se deslocar até o bairro Costa e Silva para ser atendida por algum médico. Conforme a moradora, nas eleições aparecem políticos com várias promessas. Uma delas era de que até o final do ano a unidade médica funcionaria.

O problema do morador Edson Mendes dos Santos, 38 anos, também é a distância. Seu filho está doente em casa e não dá para levá-lo aos outros PAs, pois são muito longe e sempre estão lotados. Por enquanto, ele mesmo vai medicar o garoto.

A Secretaria da Saúde informou ao vereador Adilson Mariano que o Pronto-Atendimento do Aventureiro pode iniciar suas atividades no final deste ano. No entanto, atualmente não há equipamentos e nem servidores para o PA começar o atendimento às pessoas. "O governo não tem recursos", afirma. Mariano conta também que o município foi buscar verbas em Brasília.

O vereador Joaquim Quinzinho (PSDB), que também faz parte da Comissão de Saúde da Câmara, pediu uma moção apelando à abertura do PA do Aventureiro. A moção já foi aprovada na CVJ (Câmara de Vereadores de Joinville) e seguiu à prefeitura. Não há um prazo para o governo acatar a solicitação.

A Gazeta tentou contato com o secretário da Saúde, Tarcisio Crócomo, mas a assessoria de imprensa não retornou as informações à equipe de reportagem.

Postinho do Floresta não funciona

A situação do PA do Aventureiro se repete no bairro Floresta, onde a estrutura de um posto de saúde também está pronta, mas não começou atender a população. O vereador Quinzinho fez um pedido de informação para saber o porquê de não atender a comunidade, que deverá ser aprovada pela Câmara. Após isto, a Secretaria de Saúde terá 30 dias para responder os questionamentos.

A estrutura do postinho atual do bairro é pequena e não suporta todos os pacientes. O morador Evaldo José Hostin Junior, da rua em que fica a nova unidade médica, lembra que o ex-prefeito Tebaldi também inaugurou a obra do posto de saúde no ano passado e atualmente o local não atende pacientes.

Para o morador, é preciso força de vontade dos órgãos competentes. Um problema apontado por Evaldo, é o estado precário da rua sem asfalto. Ele lembra que o local é de difícil acesso para doentes e idosos. "Estão gastando com uma estrutura que está pronta e não está sendo usada", afirma.

Mulher que acusa médico de crime sexual não tem antecedente criminal

Dinilson Vieira
especial para a Gazeta de Joinville

A mulher que acusou o médico José Carlos Mansur Ferreira, de 43 anos, de cometer contra ela atentado violento ao pudor dentro do Ambulatório Central de São Francisco do Sul, em 12 de junho de 2008, nunca respondeu a qualquer processo por tráfico de drogas ou por outro tipo de crime. Também não esteve presa. A ficha limpa de A.S., 32 anos, foi divulgada pelo promotor criminal Cristian Richard Oliveira e contraria a versão de Mansur, que alega em sua defesa que a paciente possui antecedentes criminais e cumpre pena em regime aberto. Além disso, o médico, que chegou a ficar quatro dias preso, alega que a paciente tentou extorqui-lo em R$ 3 mil através de chantagem, por "saber muito a seu respeito".

Na terça-feira à tarde (4), A.S foi localizada pelo Gazeta em seu local de trabalho, no centro de São Francisco, e interrompeu um silêncio que durava desde o momento em que denunciou o médico na delegacia do município, em 12 de junho de 2008, logo após deixar o consultório dele. "Ele vai usar de todas as formas para me atingir, mas não tenho medo", afirmou, acrescentando que o fato prejudicou seu casamento, que teve pesadelos, mas acredita na justiça divina. Ela mandou um recado a mulheres que venham a passar pelo que ela afirma ter sofrido: "Não fiquem caladas, não precisa ter vergonha de denunciar. Isso acontece com várias mulheres e elas ficam caladas. Daí eles (médicos) continuam fazendo, mas a justiça precisa ser feita". Disse ainda que vai processar Mansur e não descarta a possibilidade de exigir indenização.

Médico e suposta vítima mostram versões diferentes

Mansur exerce a medicina há 13 anos e recebeu voz de prisão em 24 de julho passado, quando atendia pacientes no Ambulatório de Araquari, onde também trabalha. Foi o promotor Richard que ofereceu denúncia contra o clínico geral médico sobre o caso de A.S., pedindo sua prisão preventiva. Quatro dias depois, o médico deixou a cadeia através de habeas corpus concedido pelo Tribunal de Justiça. No mesmo dia, ele alegou em entrevista que a paciente insistiu por exame ginecológico. "Disse que não era minha especialidade. Não fiz toque vaginal e nem toquei os seios da paciente. O consultório não possui mesa para esse tipo de exame".

Já o depoimento de A.S à polícia diz o contrário: "(...)O médico mal olhou para o exame e pediu que a depoente deitasse na maca, pois ele ia examiná-la. Que o doutor Mansur começou a examinar a depoente sem luvas, começando em apalpar a barriga, abrindo o zíper da depoente, introduzindo o dedo na vagina da depoente, provocando movimentos como se estivesse apertando seu útero. Que no momento da consulta o médico fechou a porta e que não havia nenhuma enfermeira no local. Que a depoente ficou muito constrangida".

Suposta vítima tem três homônimos

Existe a hipótese de Mansur, através de seu advogado, não medir conseqüências para tentar desqualificar os antecedentes de A.S. Em depoimento feito à Promotoria de Justiça da São Francisco, com data de 18 de outubro de 2008, ao qual a reportagem teve acesso, o médico é enfático: "(...)A senhora Andréia é natural de Araquari, onde reponde por processo criminal com condenação em trânsito e julgado; que a mesma cumpre pena em regime aberto(...)".

Mansur nunca deu pistas concretas que pudessem levar ao paradeiro da mulher que dizia ter se consultado com ele, mas fez questão de certificar que a mesma tinha envolvimento com drogas e não era confiável. Em pesquisa no sistema judiciário, a reportagem chegou a três homônimos com implicações na Justiça na região de São Francisco.

Na segunda-feira (3), uma mulher com as iniciais A.S. acabou localizada em Barra do Sul. Surpresa, ela disse que nunca se consultou com médicos em São Francisco, confirmou que já tinha sido presa por tráfico de drogas e que estava em liberdade condicional. Ela suspeitou que seu nome pudesse estar sendo usado inadequadamente. A reportagem ainda foi atrás de outra homônima na margem do Canal do Linguado, em Araquari, mas não a encontrou.

A dúvida foi esclarecida pelo promotor Cristian Richard, que na terça-feira (4) cruzou os dados de paternidade da verdadeira A.S. que denunciou o médico e constatou que ela não tem antecedentes criminais. "Com essas novas informações, vou ficar de pé atrás com o médico", disse o promotor. Segundo o defensor público, os crimes sexuais são difíceis de serem apurados: "São terríveis, pois nenhum de nós está livre de sofrer uma acusação em falso. Mas não posso desprezar a palavra de uma que se disse violada", afirmou o promotor.

Entrevista exclusiva • A.S.

Acusação de chantagem
Nunca houve nada disso. Fui lá para me consultar pela primeira vez. Ela já foi muito indelicado, mal-educado comigo.

A consulta
Nunca passei por isso, foi a primeira vez, uma situação constrangedora que nem gostaria de estar repetindo, de falar. Tive duas consultas com ele (o médico Mansur). (A. prestou depoimento ao delegado titular de São Francisco, Ivan Brandt, em que expõe com detalhes os ataques sexuais que afirma de ter sofrido).

Sem antecedentes
Jamais, pode ir em uma delegacia e ver se tem alguma ficha minha. Pode ir à delegacia e ver se tem algum registro meu. Estou com minha consciência limpa, só quero que se faça justiça, porque o que o médico fez comigo, ele fez com mais pessoas. Só que eu tive coragem de denunciá-lo. Tem pessoas que não tiveram coragem.

Uso de homônimo
Isso só que dizer que ele está com medo. Estou com a minha consciência limpa. Ele vai usar de todas as forma para me atingir. Não tenho medo, porque ele sabe que no fundo ele fez isso. E não foi só comigo, foi com outras pessoas.

Queixa na delegacia
Saí do consultório direto para a delegacia. Foi eu e minha amiga, prefiro não falar o nome dela (trata-se da funcionária do ambulatório que foi arrolada como testemunha favorável a paciente). Antes de ir à delegacia falei com ela sobre o que aconteceu comigo, se já havia acontecido. Não sabiam de nada, mas é porque é uma coisa muito constrangedora. O povo se esquiva de falar. Vou levar até o fim, porque pelo quê ele fez tem de ser punido. Porque a justiça tem de ser feita.

Médico fora da cadeia
Ele devia estar preso e vou levar o processo em diante. Ele vai fazer isso com outras pessoas, porque dá para ver que ele não tem escrúpulos. A justiça no Brasil é assim mesmo, o que a gente pode fazer. Mas eu tenho Deus, sou evangélica e a justiça de Deus não falha.

O estrago
Sou casada e não tenho filhos. Tive muitos pesadelos, me esquivei muito do meu marido, me afastei muito dele por um tempo, porque é uma coisa muito difícil. A gente vê as coisas pela televisão e nunca imagina que um dia vai acontecer com a gente. É complicado.

Outras mulheres
Não fiquem caladas, essas pessoas precisam ser punidas, não podem ficar impunes. Não precisa ter vergonha. Isso acontece com várias mulheres e elas ficam caladas. Aí eles continuam fazendo, mas a justiça precisa ser feita. Porque é muito fácil para quem tem dinheiro falar o que ele falou. Ele diz que vai me processar, mas eu é que vou processar ele.

Indenização
Ainda não sei sobre isso, vou conversar com meu advogado, que vai me direcionar sobre o que fazer.

Médico nega tudo

"Por que ela não gritou na hora em que estava sendo examinada? Indagações como essas são feitas pelo clínico geral José Carlos Mansur quando questionado a respeito da balconista A.S., que o acusa de cometer contra ela atentado violento ao pudor. Mansur nega que tenha realizado exame ginecológico em A. dentro do Ambulatório central de São Francisco do Sul em 12 de junho de 2008 e alega que foi chantageado. "Ela queria R$ 3 mil".

"Toquei o abdômen dela e não havia enfermeira na sala porque não faço esse tipo de exame", disse o médico. Mansur afirmou que um clínico geral normalmente não realiza exame ginecológico, embora o código de ética da profissão não proíba a prática.

Questionado sobre uma possível tentativa de difamar os antecedentes de A. utilizando informações criminais de uma mulher homônima, de Barra do Sul, Mansur se justificou: "Não sei se a mulher que se consultou comigo se tratava dessa mesma pessoa (de Barra do Sul). Imaginei que pudesse ser". Ele disse ainda que não conseguiria identificar a mulher que o denunciou através de fotografia.