Era para ser um dia comum, mas...

LEONEL CAMASÃO

Parecia apenas mais uma terça-feira comum naquele dia 3 de março. Como em todos os dias de aulas, cerca de 250 pais e mães acordavam seus filhos no bairro Espinheiros. Também era essa a rotina do casal Zenobia e Zenaldo Krüger, pais de uma menina de cinco anos. Eles tomaram café da manhã e levaram a pequena Kelly para o Centro de Educação Infantil (CEI) do bairro. Ela chegou a dizer que não iria para aula, estava com sono. Preguiça de acordar cedo, normal nessa idade e em todas as outras.

Tudo corria na absoluta normalidade até metade daquela manhã ensolarada. Porém, uma tragédia mudaria a vida da família Krüger. Por volta das nove horas da manhã, Kelly e uma amiguinha, Camila da Silva, também de cinco anos, brincavam no balanço do parquinho da escola. O acidente foi rápido e letal.

A trave horizontal do balanço – aquela onde as cordas dos assentos ficam presas – se desprendeu das traves verticais. Num primeiro momento, as duas meninas foram arremessadas para frente. Em seguida, a força da gravidade puxou as duas meninas para debaixo da trave. Kelly Krüeger morreu na hora. O instituto médico legal detectou traumatismo craniano e afundamento de face. A amiga Camila sofreu ferimentos no rosto e no peito, mas não teve sequelas.

Pais da menina ainda esperam por justiça

A tragédia chocou toda a comunidade joinvilense. Zenaldo, o pai, e Bia, como é chamada a mãe, procuraram ajuda, respostas e responsáveis. Kelly só foi retirada do local após a perícia da Polícia Civil e do Instituto Medico Legal. Ela foi enterrada em Lages, terra natal dos pais.

A primeira ação do secretário de educação, Marquinhos Fernandes, foi a de interditar os parquinhos dos 59 Centros de Educação Infantil (CEIs) da cidade.

Em homenagem a Kelly, as crianças plantaram uma camélia cor-de-rosa no dia em que ela completaria seis anos de idade, no dia 16 de março. O brinquedo foi retirado do local 23 dias após o acidente, em 28 de março.

A Vigilância Sanitária interditou três salas de aula duas semanas após o acidente. Em maio, sem respostas do poder público, interditou toda a escola, que permanece fechada até hoje. A Prefeitura de Joinville bancou o translado até a cidade, o caixão e outras despesas. De lá para cá, a família Krüger vem acompanhando cada etapa do caso, na espera que os responsáveis sejam punidos.

Prefeitura não aponta culpados

A sindicância da Prefeitura de Joinvile realizada para apurar os fatos por detrás do acidente concluiu que não há culpados para o caso. Dias antes, a família Krüger entrou com um processo indenizatório contra a Prefeitura de Joinville.

Os trabalhos foram conduzidos por uma comissão de sindicância formada por servidores públicos, em um processo de 155 páginas.

O prefeito Carlito Merss e a secretária de Gestão de Pessoas, Márcia Alacon, enviaram carta aos pais da menina quando o resultado da sindicância foi apresentado, na terça-feira passada.

Num dos trechos do documento, a prefeitura responsabiliza as fortes chuvas de novembro pelo acidente. “A quebra do brinquedo foi um trágico acidente ocasionado provavelmente pelo excesso de chuva nos últimos meses de 2008, levando ao apodrecimento precoce da trave de sustentação do brinquedo e acarretando sua quebra com o peso das duas crianças e o movimento repetido do balanço”.

Segundo a Prefeitura, houve a troca dos assentos de madeira do balanço em que ocorreu o acidente por assentos de pneus, não sendo percebido naquela oportunidade que o brinquedo apresentava algum risco para as crianças.
A comissão de sindicância também registrou que “não encontrou fundamento para responsabilizar a empresa contratada para fazer a manutenção dos brinquedos (Cia da Criança), pois o trabalho estava sendo feito regularmente desde o mês de janeiro de 2009, tendo iniciado pelas escolas da Zona Sul, onde se concentra o maior número de estudantes em escolas da Prefeitura”.

Na polícia Civil, o resultado foi o mesmo. O delegado Wanderley Alves da Silva concluiu não haver culpados para o caso. A revolta dos pais é explícita (veja entrevista na página ao lado). Ontem, o promotor Andrei de Cunha Amorim denunciou a diretora da escola, Elisete Zoboli, e o representante da empresa Cia. Da Criança, Maximiliano Alex Bianchin, por homicídio culposo (sem intenção de matar).

PROMOTOR IDENTIFICA CULPADOS

Segundo o promotor, houve negligência em não perceber que o brinquedo estava com a trave apodrecida. “É evidente que a diretora da escola não queria que ninguém morresse”, afirmou. Como a pena mínima é de um ano, o promotor vai oferecer a ambos o direito de suspensão condicional do processo. Isso significa que, se em dois anos, nenhum dos dois voltar a cometer o crime, o processo é considerado extinto.

ENTREVISTA: ZENALDO KRUGER

“É como se tivessem matado a menina da gente de novo”

O pai da menina Kelly, Zenaldo Kruger, está fazendo todos os esforços para cobrar medidas do poder público na conservação das escolas da cidade. Emocionado, ele concedeu duas entrevistas para a Gazeta de Joinville. A primeira ocorreu uma semana antes da polícia concluir o inquérito, que não aponta responsáveis.

A reportagem da Gazeta de Joinville voltou a conversar com Zenaldo na quinta-feira passada. De volta ao CEI onde tudo aconteceu, o pai da menina afirmou depositar todas as suas esperanças no Ministério Público.

Durante a entrevista, uma professora da escola deu de presente um CD contendo uma filmagem da menina Kelly feita para um trabalho escolar. O trabalho não tinha sido entregue para os pais e estava numa gaveta da escola.

A vida depois da morte da menina
A nossa vida mudou tudo. Você começa a questionar os seus valores de espiritualidade, de coisas materiais. Você começa a se questionar sobre essas coisas. Eu comecei a fazer teologia em janeiro, isso ajuda bastante porque você começa a entender o que está acontecendo na sua vida. Mas nós somos de carne e osso. Você tinha a presença física dela, hoje você tem a ausência física. Nós recebemos toda a assistência com o caixão, o translado para Lages, a despesa de combustível. Tudo isso eles nos deram. Quando veio a questão do tratamento psicológico foi bem complicado.

Reparação da prefeitura
Isso é complicado porque é via judicial. Eu seria leviano se eu estabelecesse um preço por um corpo. Isso não existe isso é ridículo. O que existe é um processo indenizatório, e quem vai dizer é o juiz. Nós estamos passando sim por dificuldades financeiras, e eu estou dentro de minhas possibilidades trabalhando, mas é difícil. Eu não tenho emprego, eu tenho trabalho. Tenho dois filhos aqui e dois filhos em Lages do primeiro casamento. Ela era a única menina.

Buscando o responsável
Isso é uma coisa que tem que ter muito cuidado quando você fala. A ABNT (Associação brasileira de Normas Técnicas) fala em oito linhas quais são as medidas de manutenção de parquinhos. Se nos últimos dois anos, só essas oito frases tivessem sido feitas, eu não estaria aqui falando o que estou falando, Joinville não estaria passando por isso, nem a minha família. Os seus parques e suas estruturas estariam devidamente cuidados. Precisou dessa morte dela, dela se transformar nesse símbolo de mudança. E eu disse para o secretário de educação Marquinhos Fernandes que, em cada processo licitatório, em cada procedimento, em cada situação de mudança, reforma e construção, que eles pensem que uma criança morreu porque isso não foi feito, porque não foi usado um material de primeira qualidade.

Sentimento de pai
Raiva eu não sinto. Não tenho raiva [silêncio]. O que eu tenho hoje é saudade. É a falta da minha pequena, e isso tudo gente, é o que ficou. Nós não estamos nessa luta porque temos raiva ou ressentimento. Porque o que eu e a minha família estamos passando aqui em Joinvile, sinceramente, eu não quero para nenhum pai, nenhuma família. E meu apelo é que os pais observem isso, que olhem isso. Porque se não for a cobrança dessa forma, as autoridades não vão se mobilizar. Vê o que está acontecendo no Congresso Nacional, no Senado. Nós estamos pagando um preço por isso. Aí não tem verba para a Educação. Não tem, mas tem para esse tipo de coisa. A corrupção é uma coisa violenta, você leva flechada todos os dias, todos os dias você é agredido em sua dignidade. A população de Joinville parece que perdeu a indignação. Parece que não percebem que poderia ser a filha deles. E vai ser, se isso continuar assim.

Respostas da polícia
Com o Wanderley eu não conversei, eu conversei com o delegado regional. Foi bom ter conversado com ele, porque ele disse que não são conclusões, o inquérito vai pra frente né? Daí seria desesperador. Assim mesmo é, porque um delegado que conclui dessa forma, que chega a essas conclusões, diante de tantos fatos e tantas coisas, é bem complicado. Nossa esperança agora é o promotor né? Estamos bem chateados. Eu já disse, é como se tivessem matado a menina da gente de novo.

A carta de Carlito
Essa conclusão eles tinham que ter chegado antes, não agora. Porque isso ali estava ali, não teve apodrecimento precoce coisa nenhuma, já estava podre. Aquilo lá, pelo amor de Deus, quem viu as fotos, é só olhar para aquilo ali. Não tem como olhar aquilo ali e não perceber o perigo iminente naquele brinquedo.

Resultado das “investigações”
Não conversei com ele ainda a respeito de tudo, mas ele já esperava por esse tipo de situação. Sobre isso eu acredito que eles estavam acompanhando para sair no mesmo dia para não dar dois fatos relevantes na imprensa, para não levantar questionamentos. É dolorido, você lê aquilo ali, vê que ninguém tem responsabilidade, e segundo eles, foi tudo feito de forma correta. Se foi feito de uma forma correta e chegou no resultado de uma morte, o que é que está errado?

Atitude da Câmara de Vereadores
Acho também que a Câmara de Vereadores deveria abrir uma investigação paralela.

22 comentários:

Anônimo disse...

Essa é a Sindicância das Pessoas Capacitadas pelo Carlito, orientadas pela Procuradoria. Nota Zero.

Anônimo disse...

O que vocês esperavam de um Governo incapaz, amador e corrupto?
Fora Carlito.

Anônimo disse...

PIOR QUE OS DOIS ANONIMOS ESTÃO CERTO, NÃO PODEMOS ESPERAR NADA DESSE GOVERNO.

Anônimo disse...

Eu também acho que a queda do avião da Air France é culpa do Carlito. p-e-l-o a-m-o-r d-e d-e-u-s Vão aprender a fazer jornalismo

Anônimo disse...

Só faltou a Gazeta querer culpar o Papa.

jota o disse...

nunca na historia de joinville teve um governo tão mediocre como o atual.
sr prefeito tu es um fanfarrão.
a cada dia que passa temos novidades desagradaveis,que belo discursso tu tinhas na campanha mais agora quanta diferença,a cada dia que passa tu tem menos tempo para fazer valer os nossos votos.essa conta o povo vai cobrar.

Anônimo disse...

A queda do Avião certamente não é culpa do Carlito, agora dizer que ninguém é culpado pelo queda do avião e pela morte da menina é demais.

Anônimo disse...

Tem que processar a Comissão que fez a sindicância um bando de servidores mal orientados pela procuradoria, que não sabem de nada. Vão estudar.

Leonir Cesar disse...

Sabe quem são os culpados ?
Somos todos nos, você que é pai e que tem um filho em uma escala, seja ela municipal, estadual ou particular, já esteve algum dia no interior desta escola, já acompanhou seu filho até a sala de aula, a quadra, o banheiro etc...?
Este acompanhamento é um direito seu e uma obrigação como pai. Nesta escola estuda cerca de 250 crianças, mas nenhum pai notou qualquer perigo, bastasse um pai ter notado que aquele brinque estava para cair e comentasse com outro pai que comentasse com outro e assim todos juntos poderiam ter evitado o pior. Sr. Pai, você já visitou a escola de seu filho?

Luis fernando disse...

Concordo em gênero, número e grau com Leonir. Todos nós cidadãos devemos ser mais atuante em todos os setores da administração e parar de só reclamar e "procurar culpados"! É isso aí...

Anônimo disse...

Então vamos lá, vamos pedir para abrir novo processo, para processar a Comissão, o Procurador-geral que orientou mal e etc, nós cidadãos temos que fazer algo.

clarice disse...

o problema que o prefeitp atual desde a campanha prometeu e prmeteu e nada fez ate agora morreru esssa menina e agora os cei estao sendo interditados em vez de arruama interdito ele nao ve que tem mas que precisam trabalhar .... eu mesmo estou de prova que o prefeito atual so mentiu se mentiu praque trabalho pra ele nao va mentir para as outras pessoas pelo amor de des carlito ninguem quer mais ouvir suas mentiras e seja mais educado com as pessoas q te procuram na prefeitura ... se te procuramos é pra falar com vc nao com tua esposa..

roberto disse...

Esses anônimos que estão culpando o Carlito pela tragédia criada e implantada pelo Tebaldi, são uns mesquinhos aproveitadores políticos. Fazem parte do grupelho político de uma gestão corrupta e muito "esperta". Tão esperta que deixa o caixa da prefeitura com uma dívida em CPI.
Anônimos vagabundos vão trabalhar!
Meu nome é Roberto. Não sou anônimo, e não faço parte e não lambo botas de políticos corruptos.
Obs: Também não sou PTzinho.

Anônimo disse...

PREZADO ROBERTO. QUE ISSO BOFE, TÁ NERVOSA PORQUE? ROUBARAM SEU BATOM FOI? EU TAMBÉM NÃO SOU POLÍTICO, NÃO QUERO E NUNCA TIVE CARGO POLÍTICO, MAS ALGUEM TEM QUE SER RESPONSÁVEL PELA MORTE DA MENINA, NÃO É SÓ OS ANÔNIMOS QUE DIZEM ISSO NÃO O MINISTÉRIO PÚBLICO TAMBÉM. TOMA UM PROZAC BOFE.

roberto disse...

Com certeza esse anônimo aí de cima desfilou na Avenida Beira Rio.

Anônimo disse...

Concordo com a "Anonima".

Indianara Traudt disse...

Boa materia do jornalista. Achei que apesar de terem passado meses da tragédia ela continua atual.

Jornalismo com todos os aspectos humanos que chocam pelo absurdo de seu desfecho.

Anônimo disse...

Na minha opinião ´so existe dois culpados,e eles são,

1) A diretora do colégio por não ver que aquele brinquedo estava podre e o pessoal que fez a vistoria no brinquedo. Talvez essa vistoria nem existiu na pratica. A grande culpada nessa historia é sem duvidas a DIRETORA DO COLEGIO.

Anônimo disse...

Se eu pegar esse Roberto vou sujar ele todo com meu baton, que grosso. É culpa do Carlito e da Diretora sim.

Anônimo disse...

A Gazeta tinha que pedir mais esplicações ao Prefeitura sobre o caso. Tem como?

Anônimo disse...

ACHO QUE TINHAMOS QUE APOIAR A FAMÍLIA E PEDIR AO CARLITO PARA ABRIR UM PROCESSO CONTRA A COMISSÃO E CONTRA O PROCURADOR-GERAL. CADÊ O MINISTÉRIO PÚBLICO? CADÊ A CONTROLADORIA DO MUNICÍPIO?

Anônimo disse...

O Carlito não fala nada, acho que a Mulher dele ainda não autorizou. Vamos Carlito, seja Homem.