Sofrimento com calçadas continua

Jacson Almeida
jacson@gazetadejoinville.com.br

Andar pelas calçadas de Joinville virou uma aventura, com buracos, poças de água e elevações. Mas a situação piora quando se trata de deficientes físicos se deslocando por essas vias. No centro e nos bairros, a falta de orientação e fiscalização fez com que as calçadas fossem construídas sem um padrão. O piso táctil, para acessibilidade, é colocado de forma desigual e ao invés de ajudar, acaba causando acidentes.

A estudante Jaqueline Mello conta que calçadas estão em falta na cidade e as que existem estão danificadas ou cobertas por jardins, quando não por mato. "Sem falar que não tem acesso para deficientes físicos", completa.

Uma batalha todos os dias

Há sete anos e meio, José Souza de Santos não imaginava que ir tomar banho no rio Piraí mudaria sua vida. Ao mergulhar, ele sofreu um acidente e quebrou duas vértebras da coluna, ficando tetraplégico. O trabalhador da construção civil ficou dois meses e oito dias na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).

Ao acordar, não sabia que jamais voltaria a mexer o corpo. Quando sua irmã contou-lhe, o sofrimento foi maior do que o próprio acidente. "Tive muitas convulsões depois da notícia", lembra José.

Agora, já em uma cadeira de rodas, para não deixar a deficiência abater, começou a fazer curso de pintura na Casa da Cultura, aonde vai todas as terças-feiras. Ele pinta quadros com a boca.
Sua batalha semanal são as calçadas de Joinville. Tanto para ir à fisioterapia, como para ir ao banco, tem que usar calçadas sem acessibilidade nenhuma. "Tenho vontade de sair de casa, mas é impossível", lamenta.

Já na saída de sua residência, no Morro do Meio, é um verdadeiro drama. A via é de barro e cheia de buracos. No lugar de calçadas há saibro e mato. Por isso, José não sai na rua. Quando vai ao centro, a estratégia que o cadeirante usa é andar na rua juntamente com os carros, pois na calçada é difícil.

Ele vive com um salário mínimo do auxílio doença, que ajuda sua mãe em casa e paga uma mulher para cuidar dele, pois não consegue empurrar, sozinho, a própria cadeira de rodas. Seu pai, que o ajudava, faleceu nesse último mês. "Aprendi a me virar", diz.

Depois de sair da UTI, José teve escaras, grandes feridas que aparecem no corpo pelo não movimento. Ele lutou com as feridas durante cinco anos e fez três cirurgias. Agora, a batalha é contra uma infecção urinária.

Questionado se isso o deixava triste, enfatizou: "o bom é que a gente está vencendo". Para ele, a única coisa que o deixa infeliz é que as ruas de Joinville não são adequadas para os cadeirantes.

Melhoria pode demorar

A Prefeitura de Joinville chegou a apresentar no dia 14 de outubro o Programa Calçada Legal. De acordo com o presidente da Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville (Conurb), Tufi Michreff Neto, o projeto visa primeiramente revitalizar a rua XV de Novembro, implantando ciclovias e calçadas padrão.

Mesmo com esse programa, vai demorar muitos anos para que idosos, mulheres grávidas, crianças e deficientes físicos andem por calçadas acessíveis.

2 comentários:

Anônimo disse...

POVO PAGA IPTU E TANTOS OUTROS IMPOSTOS
PRA ONDE VAI ESSE DINHEIRO?????
15 MILHOES EM PUBLICIDADE
SAUDE NADA
EDUCAÇAO NADA

VAMOS ACORDAR POVO

roberto disse...

No tempo do Tebaldi as calçadas de Joinville eram uma maravilha. Vocês não lembram ?

As arvores do aeroporto no tempo do Tebaldi não passavam de 1 metro de altura, quando o Carlito assumiu elas cresceram desesperadamente, chegando a fechar o aeroporto.

O hospital São José no tempo do Tebaldi era uma maravilha, inclusive, o secretário da Saude era extremamente probo. Voces não lembram ?

O POVO JÀ ACORDOU , o problema é que só acordou a partir de 01 de Janeiro de 2.009.