PEDOFILIA: O perigo está mais perto do que se imagina

Jacson Almeida
jacson@gazetadejoinville.com.br


Enquanto a maioria dos meninos e meninas brinca e recebe bonecas ou carrinhos no Dia das Crianças, outras são exploradas ou vítimas de abusos e violência sexual em seu próprio lar. A internet virou inimiga dos pais e mães quando se trata de pedofilia.

O aumento dos casos de compartilhamento de imagens na internet de crianças nuas, muitas vezes em posição erótica e fazendo sexo com adultos, preocupa. Outro perigo são os "chats", onde se escondem muitos "fantasmas" desse crime.

Não é difícil encontrar alguém online que deseja conversar, de uma maneira maliciosa, com uma criança. Em salas de bate papo não há regras, entra quem quer. Já vídeos e imagens de pequenos, que ao invés de brincarem, estão nus, muitas vezes com os próprios pais, não são difíceis de encontrar principalmente em programas de troca de arquivo, como o conhecido Kazaa. Basta uma palavra para abrir centenas de vídeos e fotos, onde os menores perdem a inocência sem saber.

O assustador é que os números de casos aumentam rapidamente. Segundo a SaferNet, entidade que mantém uma Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, em parceria com o Ministério Público Federal, em 2005 eram registradas, em média, 286 denúncias por mês de crimes em sites de relacionamento. Já neste ano, o número é de 350 denúncias por dia, sendo que 220 estão relacionadas à pedofilia.

Já a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) tem dados alarmantes. Conforme o órgão, mil sites com conteúdo de pedofilia são criados mensalmente no Brasil e 76% dos pedófilos do mundo estão no país. Outra pesquisa, do site nacional Censura, divulgado na ISTOÉ, em 2006, mostrou que o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de pedofilia pela internet.

Conforme a Polícia Federal, há o crime de pedofilia e o de divulgação de imagens de cunho pornográfico infantil. Atualmente, posse de vídeos ou imagens de exploração sexual com crianças leva à prisão em flagrante.

A denúncia desse crime pode ser feita por telefone, discando o número 100.

Na internet

Há pouco tempo não havia uma maneira dos órgãos de combate à pedofilia acharem os fantasmas que andavam soltos pela internet. O mundo virtual que trazia ensino, aprendizado, entre outras coisas, passou a ser um caminho livre para criminosos conseguirem suas vítimas, colocando em prática suas táticas. A empresa americana Google, por exemplo, proprietária do site de relacionamento Orkut, achava que a internet era um território livre e não passava a identidade de alguns suspeitos.

Depois de ser criada a CPI da Pedofilia no Brasil, houve uma pressão para que a empresa quebrasse o sigilo dos internautas responsáveis por veicularem sites e comunidades de pedofilia. Agora, segundo a Polícia Federal, o Google compartilha a identidade, ou seja, o IP dos suspeitos.

Já nos programas de compartilhamento é mais fácil achar conteúdo de abuso contra criança. São vídeos variados, onde bebês de dois anos são molestados. Até mães aparecem tendo relações sexuais com os próprios filhos. Como em alguns países não é crime, o pedófilo brasileiro pode baixar o conteúdo de um computador de outro país. No entanto, a PF já tem softwares que chegam aos servidores que hospedam esse tipo de arquivo. Conforme a Polícia Federal, em Joinville já teve apreensões de computadores suspeitos.

A cidade catarinense com mais casos de pedofilia é Jaraguá do Sul. Quando há operações nacionais da PF sempre há alvos (pedófilos) na cidade.

Atualmente, possuir vídeo ou imagem de conteúdo pedófilo no computador é crime, não importa se apenas baixou-as. A pessoa pode ser presa em flagrante com pena de 1 a 4 anos de reclusão em regime fechado. Já se disponibilizar esse tipo de conteúdo a pena pode ser de 3 a 6 anos de reclusão em regime fechado.

Quanto mais se difunde a internet mais aumenta os casos de trocas de imagens ligadas a pedofilia.

O perigo pode estar ao lado

"Tem que observar quem está perto de nossos filhos". Assim alerta o psicólogo do Centro de Direitos Humanos de Joinville (CDH), Nasser Haidar Barbosa. Para ele, as pessoas que cometem esse crime quase sempre estão muito perto da família da criança, como padrasto, pai e tio. Mesmo assim, não há um perfil exato de um pedófilo.

Já na internet existem dados que mostram que muitos são garotos mais novos entre 17 a 24 anos, adolescentes e homens que se excitam com imagens de crianças nuas acabam incentivando a pedofilia. Embora seja grande parte masculino, também existem mulheres que praticam o crime.

Antigamente muitos casos que vieram à tona foram de pessoas casadas, de classe baixa, pais separados e família desestruturada. No entanto, hoje a pedofilia está em todo o lugar e em toda classe social.

Nasser conta que a pedofilia é um crime muito comum. Ele atende mulheres adultas que foram abusadas quando eram crianças e hoje tem algum tipo de transtorno.

O psicólogo destaca que muitas vezes a criança não tem noção do perigo e sente-se culpada quando é vítima de abuso. "Nem todo mundo que sofre o abuso será um abusador, mas aqueles que abusam, quase todos foram abusados", completa.

Nasser, que já trabalhou no Presídio Regional de Joinville, conta que presos por esse crime eram pais de família, padrasto e adulto que mora com a mãe.

Ele pede para que os pais tenham cuidado com seus filhos na internet. Para o psicólogo, muitos não controlam o acesso da criança e não estão presentes realmente no dia a dia delas.
A pior situação hoje é que muitas famílias "encobrem" o crime dentro de casa, ou seja, não denunciam quando, por exemplo, um pai ou um padrasto pratica o crime.

Você sabe com quem seu filho conversa no chat?

A tecnologia traz seus males. Hoje as pessoas têm acesso fácil à internet e isso, se não for moderado, faz com que crianças de até sete anos entrem em salas de bate papo ou em programas como o MSN. O perigo nesses lugares é constante e a equipe de reportagem da Gazeta de Joinville entrou com o nome "jaqueline11", dizendo ser uma menina de onze anos.

Logo no início, várias pessoas vieram conversar, com a idade entre 22 a 45 anos. Pensando ser uma criança de 11 anos, adultos não tiveram censura e faziam todo o tipo de pergunta obscena. Outros questionaram se os pais não estavam em casa. Muitas crianças chegam a passar o endereço de casa e de onde estuda para pedófilos. Depois de algumas horas, duas pessoas pediram o MSN de "jaqueline11" e a conversa continuou no programa.

Com o nome de "Fábio", dizendo ser médico, a pessoa do outro lado disse "vc teria coragem de tirar uma foto nua ou só de calcinha?". "Jaqueline11" respondeu que sentia muita vergonha. Logo após foi questionado se ele gostava de meninas magras, pequenas e novinhas. Novamente uma resposta assustadora: "adoro meninas novinhas, sem muito corpo. Sempre gostei, eu até namorei uma menina assim, de 11 anos". Depois, "Fábio" começou a perguntar sobre as partes íntimas de "jaqueline11". Foi dito para o internauta que era uma investigação jornalística e o mesmo fechou a conversa.

A outra pessoa que conversou com "jaqueline11" mostrou ser "educado" e "prestativo", dizendo ser amigo. Com o nome de Everaldo, 40 anos, diz que mora em Joinville e é formado em administração. Faz perguntas sobre tudo e afirma que vai ensinar muitas coisas. Até um encontro foi marcado para ir ao cinema.

Depois de muito tempo de bate papo a pessoa do outro lado diz que pode se apaixonar pela "jaquelinee11": "sabe, pra ficar apaixonado é preciso ter química, quem sabe podemos ter uma química que nos atrai. Mas agora eu gosto de ti, te acho muito bonita e inteligente. Quero muito ser teu amigo". Logo depois o "amigo" começa a mudar e escreve: "sabe Jaqui (nome fictício) eu gosto muito de beijar... eu tenho bastante experiência, eu gosto de beijar a mulher por completa desde o cabelo até os pés... é uma sensação bem gostosa".

Ao ser questionado porque beijaria "jaqui", de 11 anos, ele enfatiza: "porque queria te ensinar, mostrar pra você como é gostoso". Everaldo continuou sempre enfatizando que era educado e queria ser amigo, pois ensinaria tudo.

Onde denunciar

Com o avanço desse tipo de crime é mais fácil achar órgãos para denunciar. No site da ONG SaferNet, qualquer cidadão pode fazer a denúncia, que é encaminhada para o Ministério Público e juiz. Se houver mandado de apreensão, a Polícia Federal vai na casa do acusado verificar seu computador. Se não constar nada no momento, a máquina é apreendida para um perito analisar vestígios de imagens de pedofilia. Outros órgãos que combatem esse tipo de crime são a Interpol, a Unicef, a Unesco, o site Censura, a Polícia Federal, o Conselho Tutelar e o Ministério Público Federal.

Alguns sites indicados para crianças

www.ziraldo.com.br
www.canalkids.com.br
www.divertudo.com.br

Sites sobre pedofilia

www.abranet.com.br
www.cecria.org.br
www.censura.com.br
www.denuncie.org.br
www.safernet.org.br

Dicas para os pais

Sempre verificar histórico de navegação
Supervisionar, acompanhar e conversar sobre a internet
Limitar o tempo de uma criança na internet
Peça para seu filho ler o que escreve e o que coloca no blog e em salas de bate papo, orkut e MSN.
Obter programas que filtram e bloqueiam determinados sites.
Ensinar para a criança que não se deve passar dados pessoais.
Verificar amigos virtuais

Onde denunciar

Denunciar por telefone: Disque 100 - Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes. Discagem gratuita em todo o território nacional.

Polícia: Em caso de flagrante, a polícia deve ser acionada imediatamente.

Conselhos Tutelares

Varas da Infância e Juventude

Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente.

Delegacias da Mulher.

Pela Internet
www.censura.com.br

Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (www.cedeca.org.br)

Departamento da Polícia Federal (aceita denúncia clicando em "fale conosco" ou pelo e-mail dcs.dpf.gov.br)

Rede Nacional de Direitos Humanos (www.rndh.gov.br)

Kids denúncia (www.portalkids.org.br)

Justiça determina exoneração de servidores por nepotismo

Gisele Krama
giselekrama@gazetadejoinville.com.br

A prefeitura de Joinville terá que fazer as primeiras exonerações por nepotismo desta gestão. Na última sexta-feira (09), foi expedida uma liminar para exonerar cinco pessoas que ocupavam cargos administrativos e têm parentes em funções comissionadas. Agora, Carlito Merss (PT), atual prefeito, irá recorrer na Justiça para que os funcionários continuem nas respectivas cadeiras.

O prefeito terá que escolher se demite o secretário de Educação, Marcos Fernandes (PT), ou a esposa, Ivana Maria Pereira Fernandes, gerente na Secretaria de Assistência Social. Também estão na lista: a secretária de Gestão de Pessoas, Márcia Alacon, casada com Pedro Alacon, diretor da Companhia Águas de Joinville, além do presidente do Ippuj, Luiz Alberto de Souza, marido de Simone Anderle, coordenadora na Fundamas.

PT defendia demissões

Uma das maiores críticas dos petistas ao ex-prefeito Marco Antônio Tebaldi (PSDB) era a contratação de parentes. No entanto, Carlito Merss afirma que nunca foi contra os casos de nepotismo na gestão tucana.

Já Marcos Aurélio Fernandes, em 2005, disse que "é um abuso o emprego de parentesco", ao se referir à moção feita pelo vereador Adilson Mariano contra o nepotismo na Câmara. Para Marquinhos, naquela época, não bastava dizer que era imoral e sim existir uma lei para provar a ilegalidade da contratação de familiares.

Em 1 de março de 2007, Marquinhos apresentou um requerimento e pedia ao presidente da Câmara, Darci de Matos, para demitir todos os parentes de vereadores, que ocupavam cargos comissionados.

O começo do processo

Essa ação que proíbe o nepotismo no Poder Executivo de Joinville foi movida, em 2007, contra o prefeito Marco Antônio Tebaldi (PSDB). Naquele ano, foram denunciadas oito contratações de parentes. Ficou determinado que tais servidores deveriam ser exonerados e que não seriam mais admitidos parentes de servidores com cargos comissionados.

No começo deste ano foi feita uma denúncia contra a prefeitura referente ao caso de nepotismo do Secretário da Educação e sua esposa. Carlito Merss, para resolver esse problema, fez o pedido de extinção da ação de 2007, que proibia contração de parentes. Mas não obteve resposta do judiciário.

Prefeitura recorre da sentença

Conforme o procurador geral do Município, Naim Andrade Tannus, a prefeitura vai recorrer assim que receber a intimação. "Entende-se que em três casos apontados na sentença tratam-se de servidores de carreira e por isso não é nepotismo", diz.

Para Naim, ninguém pode ser taxado de criminoso só por ser parente de alguém. Conforme ele, o prefeito pensa que não existe nepotismo em nenhum destes casos.

EDITORIAL: Decisão acertada

Nesta quarta feira (14) a redação da Gazeta recebeu a confirmação da Justiça Eleitoral sobre a decisão do juiz Davidson Jahn Mello a respeito da posse de mais seis vereadores na Câmara de Joinville.

O magistrado havia recebido uma batata quente para decidir e optou em atuar em linha com o pensamento do judiciário nacional. Assim, decidiu que o aumento de 19 para 25 vereadores, só passa a valer a partir de 2012.

Na verdade, os próprios suplentes sabiam que suas chances eram remotas depois das declarações, contrárias a posse imediata, dos ministros Carlos Ayres Britto, presidente do TSE, e Carmen Lúcia, relatora do processo no STF.

No entanto, inflados pelo governo petista de Joinville, que vislumbrava obter maioria na Câmara de Vereadores, os suplentes apelaram ao judiciário local em busca de mandato.

Com a decisão de manter 19 vereadores até 2012, o juiz Davidson atende duas questões importantes: adota a mesma posição já definida pelos ministros dos tribunais superiores e vai de encontro aos anseios da população que desaprova esta artimanha.

A Gazeta já tinha se manifestado contrária a decisão do Congresso que, arbitrariamente, criou algo como 7.300 a 7.700 novos vereadores em uma porção de Câmaras Municipais. Em Joinville seis novos vereadores irão representar 78 novos assessores, já que, aqui, cada vereador nomeia treze assessores parlamentares, que na prática nada mais são que cabos eleitorais.

A sentença do juiz não impede que se aumente, a partir de 2012, o número de vereadores, mas consegue barrar a manobra de antecipar esta lei que só beneficiará os próprios parlamentares.

PRESÍDIO: Terror para detentos e funcionários

Gisele Krama
giselekrama@gazetadejoinville.com.br
 
A rebelião da manhã do dia 4 de outubro no Presídio Regional de Joinville serviu para mostrar mais uma vez a realidade do sistema prisional de Santa Catarina. A maior cidade do estado encarcerava 750 pessoas num lugar que mal podia abrigar 350.

A ala nova, chamada de contêineres, mantinha as pessoas consideradas de alta periculosidade. O prédio foi inaugurado no mês de abril e teve as paredes construídas com isopor e revestidas de microfibras de vidro.

"Como dez agentes penitenciários vão dar conta de mais de setecentos presos?" questiona um dos funcionários. Assim é a situação dos agentes prisionais que trabalham no presídio e dos três policiais militares que fazem a ronda em oito guaritas, por turno.

SEM TREINAMENTO

Para trabalhar sem armas, sem coletes a prova de bala e sem treinamento, cada agente ganha o salário-base de R$ 781. Também não recebem adicional de insalubridade e nem adicional de periculosidade.

Na porta do presídio não tem detector de metais. É feita somente uma revista nos visitantes, mas não é suficiente para barrar a entrada de armas, serras de cortar ferro e drogas.
"Pode trazer uma metralhadora se quiser. É fácil" diz outro agente. Para eles, o aumento do presídio, com a construção de outra ala, só irá piorar a situação e causar mais transtornos. "Vai ficar um inferno", ironiza.

Com a expansão, o Presídio Regional pode ter mais de mil detentos usando o mesmo espaço, como cozinha e pátio.

Um domingo de pânico

A fuga aconteceu na troca de plantão de domingo (04), às 8 horas. Quando os agentes prisionais chegaram, os detentos já tinham tirado as grades.

Para fazer a rebelião, os presos queimaram colchões. O hidrante não funciona e os extintores estão vencidos. Toda a ala dos contêineres ficou carbonizada.

Dois agentes foram rendidos no motim, mas eles não puderam pegar licença e ainda foram obrigados a ficar no tempo de folga prestando depoimento.

Os presos pularam o muro e a Polícia Militar atirou. Dos que fugiram, quatro foram recapturados e estão em isolamento, dois foram mortos e cinco permanecem foragidos.

Conforme o diretor do presídio, Jonas Cavanhol, não havia motivo aparentes para a rebelião.
Naquele dia, os contêineres tinham 165 detentos, num local feito para 176. Ou seja, não faltava espaço.

Já foi solicitada reforma para o local. Enquanto isso, os detentos foram colocados no pátio usado para "banho do sol".

Jonas explica que o maior problema é o muro, que foi construído há 20 anos, e não oferece nenhuma segurança. "Está muito próximo das celas e isto facilita a fuga", diz.

Negligência leva detentos à morte

Gilmar do Santos, 26 anos, morreu de pneumonia no Presídio Regional de Joinville, no mês de junho. Ele estava doente há dias e pedia ajuda para ser levado ao hospital, mas não era atendido.
O detento foi levado com dor de cabeça e tosse. Gilmar teve insuficiência respiratória antes de sair do presídio e morreu no hospital.

Conforme a advogada do Centro de Direitos Humanos de Joinville, Cynthia Pinto da Luz, a morte só aconteceu por negligência do Governo de Santa Catarina, que é responsável por oferecer atendimento médico a todos que estão sob custódia.

"O falecimento no presídio por falta de médico é recorrente", diz a advogada.

Quando é preciso atendimento, os detentos são levados para pronto-atendimentos e hospitais. São necessários policiais e viaturas, além disto, a população também corre perigo.

Segundo o diretor Jonas Cavanhol, foi feita a solicitação para a contratação de profissionais da saúde, mas até agora não houve resposta do Governo Estadual.

Visita da Comissão de Justiça da AL

Para resolver o problema, foi realizada uma visita dos deputados estaduais que fazem parte da Comissão de Segurança. Essa medida já tinha sido solicitada pelo Deputado Soares, mas foi barrada pelo presidente da mesa, Darci de Matos (DEM).

Com a fuga de onze presos, com a morte de dois deles e o falecimento de um policial, fez com que o democrata enfim consentisse a visita.

"Constatamos que falta uma muralha, faltam profissionais e uma nova ala", diz Kennedy Nunes (PP). Ele destaca que o Presídio Regional de Joinville é só um monte de remendos. Conforme o pepista, a situação não é única e se repete em todo o estado.

Kennedy explica ainda que a situação do Parque Guarani é o reflexo da sociedade, onde se tem de um lado o "favelão", para representar o Presídio Regional, e o primo rico, a Penitenciária Industrial. Ambos são mantidos pelo Governo do Estado.

"Qual a diferença? De quem é a culpa? O estado não quer investir", diz o parlamentar.
A Comissão de Justiça da Assembléia Legislativa vai pedir a construção de um muro de 4 metros no subsolo e 6 metros acima do solo. Mas os agentes alertam que não é só esse o problema. Os presos também cavam túneis porque os pisos das celas têm somente 30 cm de concreto.
A maioria dos detentos são pedreiros, auxiliares de obras ou pessoas que já tiveram contato com a construção civil e atualmente foram detidos por tráfico de drogas. "Eles não fogem porque não querem", diz um agente.

Depois de escolas, agora prefeito abastece CEIs com jornais diários

Da redação
redacao@gazetadejoinville.com.br

Os Centros de Educação Infantil (CEIs), mantidos pela Secretaria Municipal de Educação, recebem atualmente exemplares de diversos jornais da cidade. O argumento da prefeitura é de que os professores precisam se atualizar e que o material também é usado para crianças fazerem recortes. Mas pais, alunos e profissionais da área de educação alertam para o perigo de crianças terem acesso a conteúdos relacionados à violência, principalmente os alunos de séries iniciais.

No mês de agosto, a prefeitura tirou dos cofres públicos mais de R$ 39 mil para fazer 155 assinaturas do jornal Notícias do Dia para diversas escolas do município. Assim, alunos da 1ª a 9ª série, ou seja, crianças de 6 anos até adolescentes de 14 anos terão acesso a essas informações.
A única assinatura que se enquadra no padrão didático pedagógico é o Jornal da Educação, onde foi gasto somente R$ 7.068 para fazer as 155 assinaturas. Assim, a Secretaria de Educação, que já havia desembolsado outros R$ 83 mil com o A Notícia, Jornal dos Bairros e Ponto a Ponto, agora tira dos cofres públicos outros R$ 39 mil para comprar o jornal Notícias do Dia.

Ao todo, são R$ 122 mil investidos em periódicos que perdem a utilidade no dia seguinte e são descartados.

Leitura para "momentos de folga"

A diretora do CEI Doce Infância, Sônia Nemer, do bairro Nova Brasília, conta que recebe diariamente os jornais Notícias do Dia e A Notícia. "Esse material serve para os professores se atualizarem nos momentos de folga", diz. Porém, ela destaca que há a necessidade de renovar brinquedos, jogos e livros de literatura, muito usados pelas crianças. Já os jornais, explica a diretora, são enviados para a coleta seletiva.

Enquanto isso, materiais que são necessários para as escolas são deixados de comprar, como alerta a diretora da Escola Municipal Pastor Hans Muller, no bairro Glória, Regina Cátia Dominoni. Segundo ela, seria importante para a unidade receber exemplares da Revista do Professor e Super Interessante. "A Super Interessante chamaria mais a atenção das crianças e dos adolescentes", diz.

Revistas que poderiam ser compradas

Se for enumerar as revistas da Editora Abril que seriam relacionadas à educação teria: Aventuras na História, que custa R$ 131 a assinatura anual, National Geografic por R$ 179, Nova Escola por R$ 34, Recreio por R$ 517,40 e Super Interessante por R$ 138,70.

Já da Editora Segmento, poderiam ser adquiridas as Revistas Escola Pública, que custa R$ 43, e a Revista Língua Portuguesa por R$ 98.

Custo semelhante

Para fazer as sete assinaturas de revistas mensais relacionadas à educação e ao interesse dos estudantes e professores, o Governo Municipal gastaria R$ 1.141 por escola. Bem diferente dos quatro jornais que foram adquiridos pela Secretaria de Educação, que no dia seguinte não têm mais utilidade e são jogados no lixo.

Além é claro, de que os R$ 122 mil gastos em jornais poderiam ser utilizados para comprar livros de literatura, didáticos, gramáticas e dicionários para rechear as prateleiras das bibliotecas das escolas.

Qualidade da educação cai, segundo Ideb

Enquanto a Secretaria de Educação investe o orçamento em jornais, os índices de qualidade da educação básica caem e Joinville fica atrás de cidades pequenas. Conforme dados do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), em Santa Catarina, a cidade que ganhou maior nota foi Iporã do Oeste.

Joinville obteve a média de 5,5 pontos para os anos iniciais e 4,8 para os anos finais. Já Iporã do Oeste, no extremo oeste do estado, teve a média de 6,5 para os anos iniciais e 5,4 para as series finais.

Mesmo Joinville sendo a maior cidade do estado e pólo industrial, ou seja, com maior arrecadação e possibilidade de investimentos em educação, obteve menores notas do que uma cidade que vive da agropecuária e agricultura familiar.

Conforme o secretário de Educação de Iporã, Nereu José Barth, a cidade investe em educação por mês aproximadamente R$ 200 mil. Destes, R$ 120 mil são para a folha de pagamento dos funcionários e R$ 55 mil para transporte dos estudantes. Nereu destaca que quase todos os alunos da rede municipal são carentes.

Lacerdópolis ficou em segundo lugar no quesito séries iniciais, pois obteve nota 6,3, igual a cidade de Vargeão. O município de Meleiro tirou nota 6,2 para séries iniciais e 4,6 nas séries finais. Joinville também perde no ranking para as cidades de Itá, Ipira e Ipuaçu.

Iporã do Oeste tem 1º lugar nas séries iniciais

"Quando soubemos do resultado, em 2007, tratamos a notícia com naturalidade e com preocupação", comentou o secretário de Educação. Para ele, o planejamento foi o responsável pelas boas notas.

Além do mais, Nereu destacou que desde 2002 a cidade tem um plano de carreira para os professores e que este ano irão aderir a mais melhorias. "Todos os profissionais da educação básica são formados e com especialização", destaca.

Conforme ele, o salário inicial de um professor em Iporã do Oeste é de R$ 1,5 mil. Depois de algum tempo passa para R$ 2 mil e tem aumento de 50% a cada nível de especialização.

SEU BAIRRO/ SANTO ANTÔNIO: Melhor idade quer ser lembrada

Dinilson Vieira
dinilson@gazetadejoinville.com.br

Com 36% de seus 5,5 mil habitantes – 1.980 pessoas – com idade acima de 50 anos, o bairro Santo Antônio prefere, através da parcela mais organizada entre seus moradores, concentrar esforços para tentar melhorar a qualidade de vida da terceira idade e até assegurar maior comodidade e conforto quando o assunto é a morte. Como somente 5,6 quilômetros do total de 25,4 quilômetros de extensão das 70 ruas e uma avenida do bairro ainda permanecem sem pavimentação, índice que o coloca em vantagem sobre outras regiões de Joinville, além do Santo Antônio se manter razoavelmente seguro e sem maiores problemas na área de saúde, o jeito foi eleger outras prioridades.

Basicamente residencial, bem localizado e servido pelo Terminal Norte (estação de integração do transporte coletivo), o Santo Antônio anda reivindicando das autoridades municipais a instalação de uma academia da melhor idade; a construção da sede de um centro comunitário, onde mães possam se reunir para o chá da tarde e oferecer cursos de corte e costura e os aposentados se divirtam com suas partidas de bocha; e até um prédio para velar seus mortos antes que sejam sepultados, a exemplo do que acontece no Iririú, que tem sua própria capela mortuária.

"Temos uma área que a Prefeitura nos cedeu e onde poderíamos construir uma sede comunitária e também um local para os velórios, desde que os espaços fossem devidamente separados. Hoje, vários moradores do bairro que falecem são velados na capela do cemitério Dona Francisca, mas o lugar está muito acanhado, é pequeno", afirma a dona de casa Edela Mahs, moradora do Santo Antônio há 60 anos e presidenta do Clube de Mães, que funciona com espaço emprestado do Clube 25 de Agosto, uma das agremiações mais tradicionais da cidade.

IDEIA APROVADA

O terreno citado por Edela fica no final da rua Dr. Jerkes de Sellos Rocha. Ao saber da sugestão de que o local poderia ser usado para velórios, a também dona de casa Iracema Tromm, com 22 anos de Santo Antônio e atualmente morando na rua Alexandre Humbolt, gostou da ideia. "O velório na capela do cemitério é pequeno, desconfortável. Precisamos mais atenção e respeito para nossos mortos e suas famílias", disse ela.

Só promessa de campanha

Presidente do Grupo Momentos da Vida, que reúne 50 moradores com mais de 60 anos, o aposentado Baldos Mahs diz que vários políticos já ganharam votos no bairro prometendo que se empenhariam pela construção da capela. "O velório no Dona Francisca é pequeno e quando chove, o pessoal se molha porque não tem espaço suficiente", diz ele. "Se ampliarem as instalações no cemitério já está bom. O problema é que a promessa vem de anos".

Pedro Campos, secretário regional do Costa e Silva, unidade administrativa que cuida do Santo Antônio, afirma conhecer a reivindicação da capela e adianta que o problema poderá ser resolvido do jeito sugerido por Baldos. "Existe um projeto em andamento no Ippuj (Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville) para que a capela do cemitério seja ampliada, pois o espaço é realmente pequeno. Só não arrisco com prazos para a obra", afirma o secretário.

Para Campos, a construção de uma capela mortuária no próprio bairro implicaria em problemas de trânsito e sanitários. "Imagine um féretro com uma fila de dezenas de carros, isso prejudicaria o trânsito no próprio Santo Antônio", afirmou o secretário.

Já o vereador Manoel Bento, que nas últimas eleições teve parte dos votos oriundos do Santo Antônio, reconhece a demanda pela capela. "Conheço essa reivindicação, mas não temos recursos suficientes, pois assumimos o governo há apenas oito meses", diz ele, que pertence à base aliada ao prefeito Carlito Merss.

‘Faltam saneamento e posto de saúde’

O vereador Manoel Bento não reside no Santo Antônio, mas afirma que tem intimidade com o bairro por ter amigos e pessoas com quem já trabalhou morando na região. "Sempre freqüentei o Santo Antônio e conheço as vantagens e desvantagens de morar no lugar", diz Bento. Sobre a reivindicação de uma capela mortuária para o bairro, ele explica que o assunto é complexo porque implica com questões ambientais. Segundo o vereador, a Fundema (Fundação Municipal do Meio Ambiente) possui um projeto de ampliação da capela do cemitério Dona Francisca.

A seguir, um pequeno depoimento de Bento:

"O bairro Santo Antonio é considerado por muitas pessoas como uma área nobre. Trata-se de um lugar bom para se viver, onde moram muitos operários das indústrias. Em relação à estrutura oferecida aos moradores, ainda faltam serviços básicos como um posto de saúde e saneamento. Hoje, apenas 16% da população de Joinville tem acesso à coleta de esgoto. Mas com a vinda dos R$ 68 milhões liberados pelo Ministério das Cidades, a cobertura de coleta e tratamento de esgoto sanitário será ampliada para 50% nos próximos três anos. Dentro do PAC saneamento esta ação visa também despoluir o Rio Cachoeira, desde o bairro Costa e Silva no trecho onde fica a nascente do rio, até o centro da cidade, cortando o Santo Antônio".

Praça Linear, a trilha ecológica para caminhadas

Inaugurada em março de 2004, a Praça Linear localizada entre o rio Cachoeira e a Avenida Vice-prefeito Luiz Carlos Garcia, é o principal ponto de referência dos moradores do Santo Antônio, quando o assunto é buscar qualidade de vida através de caminhadas ou pedalar uma bicicleta.
Na verdade, apenas um pequeno trecho da avenida pertence ao Santo Antônio, sendo a maior parte da extensão da via pertencente ao bairro Costa e Silva. Mas a população dos dois bairros convive em harmonia na hora de utilizar o espaço para atividades físicas. "Pela segurança que oferece, este lugar é apropriado para as crianças andarem de bicicleta", afirma a dona de casa Ercília Gragefe, moradora do Costa e Silva.

"O único problema, que não chega a ser um grande obstáculo, é a distância de onde eu moro. Mas aproveito o trajeto para o aquecimento antes da caminhada pela praça. Nosso bairro já merecia uma pista, mas fazer o quê" declara a também dona de casa Iracema Tromm, do Santo Antônio.
O secretário regional Pedro Campos afirmou que está prevista para 2010 a implantação de uma academia da melhor idade em uma área pública anexa à praça. A novidade deverá ser contemplada pelo orçamento participativo. "O Santo Antônio não possui associações de moradores, o que dificulta o acesso a melhorias pelo OP", afirma o secretário.

Região é ligada à Colônia Dona Francisca

Moradores são unânimes em afirmar que o bairro recebeu essa denominação em função da Igreja Santo Antônio, construída na década de 60, embora de acordo com a planta da cidade, o templo não esteja localizado no bairro. Esta região já recebeu outras denominações, ligadas diretamente ao desenvolvimento da Colônia Dona Francisca.

Sua principal artéria, também em homenagem à Princesa, se denominava Dona Francisca e era conhecida ainda por "Serrastrasse" ou Estrada da Serra, por ligar a então colônia a outras localidades. O cultivo e a produção em pequena escala obrigava a população a comprar produtos de estabelecimentos comerciais no centro e no próprio bairro.

Entre as décadas de 30 a 50 ocorreu uma mudança significativa na infra-estrutura e nos serviços oferecidos ao bairro, como transporte coletivo, energia elétrica e água encanada. A água encanada veio fazer parte do cotidiano da população a partir da década de 40. Até então, era usada a água da nascente do Rio Cachoeira, para lavar roupa. Antes do chuveiro elétrico, os banhos eram tomados em banheiras de madeira.

A pavimentação da Estrada Dona Francisca foi um dos acontecimentos mais marcantes da região, merecendo uma festa em comemoração.

Uma curiosidade a ser citada é a presença da Orquestra da Fiação joinvilense nos bailes que eram realizados no Salão Catarinense. Essa mesma orquestra acompanhava o prefeito Dr. João Colin em seus comícios.

O bairro ocupa uma posição geográfica privilegiada em Joinville, próximo à Zona Industrial. Cresceu rapidamente tornando se uma região predominantemente residencial. O Grêmio Esportivo 25 de Agosto antes era conhecido por Arsenal Futebol Clube, e por desavenças entre seus participantes, foi desativado, sendo substituído a partir de 25/08/1961 pelo Grêmio Esportivo 25 de Agosto, local muito freqüentado por moradores de toda cidade.

Carlito admite “acerto” com donos de mídia

O prefeito Carlito Merss (PT), confessou durante entrevista em um programa de televisão, na quinta-feira (01), que tem como filosofia de trabalho chamar proprietários de empresas de comunicação para entrar em acordo sobre o tom das notícias que falam sobre sua gestão. O modus operandi de Carlito para que a mídia elogie a administração é semelhante ao adotado pelo seu antecessor, Marco Tebaldi (PSDB), com a diferença de que o segundo tratava com jornalistas empregados das empresas, enquanto o petista prefere fazer os acertos com seus superiores.
"Essa emissora aqui (de TV) , porque não fazia elogios ao prefeito não tinha mídia. Nós estamos fazendo... nós chamamos o dono da televisão, do rádio e do jornal e fazemos a mídia com o dono", admitiu Carlito a apresentadora do programa.

Carlito, que costumava criticar esta prática no governo Tebaldi, agora estaria utilizando a mesma fórmula para manipular a imprensa. Ou seja, continua a farra com o dinheiro publico irrigando as emissoras de radio e TV em troca de reportagens favoráveis ao mandatário do município.

Pagando pelo grátis A generosidade da prefeitura não fica restrita apenas a direção das rádios e TVs, os jornais também foram agraciados com recursos públicos na ordem de R$ 120 mil utilizado para fazer assinatura dos periódicos para as escolas municipais e Secretarias Regionais.

Fica evidente o caráter de negociata da prefeitura quando vem à tona através do Jornal do Município a informação de que mesmo aqueles jornais com distribuição gratuita são pagos como assinatura anual.

MENSALINHO: Devido ao escândalo, vereadores pedem saída de Toninho Neves

Da redação
redacao@gazetadejoinville.com.br

Vereadores de Joinville esperam que o presidente da Câmara, Sandro Silva (PPS), exonere o radialista e diretor de comunicação da Casa, Antonio Viana Neves, mais conhecido como Toninho Neves. Na semana passada veio à tona um escândalo envolvendo o radialista, que segundo a denúncia do Ministério Público, recebia "mensalinho" da Prefeitura de Joinville. Além de radialista, Toninho ocupa o cargo de Diretor de Comunicação na Câmara, com o aval de Sandro Silva.

Segundo denúncia do promotor Assis Marciel Kretzer, da 13ª Promotoria de Justiça, a prefeitura proporcionou o enriquecimento ilícito de Toninho Neves e Juliane Maia, enteada do radialista, em troca de "bajulação" em seu programa de rádio.

No começo desse ano Sandro exonerou o jornalista Luiz Fernando Battisti, assessor de imprensa do vereador Manoel Francisco Bento (PT), por causa de um erro. O assessor passou uma informação equivocada para um repórter do jornal Notícias do Dia.

Na época Sandro afirmou que "qualquer assessor, seja de A ou B, situação ou oposição, a postura seria a mesma: manchou, maculou a imagem da câmara, tá fora". Agora cabe ao presidente exonerar ou não Toninho Neves.

O vereador Bento lamenta que a escolha de exonerar Luiz Fernando tenha partido do presidente sem consultar ninguém. Para ele, a decisão foi absurdamente arbitrária e exagerada. O petista defende que seu assessor de imprensa não passou a informação errada para prejudicar. Bento vai pedir uma reunião para a Câmara tomar uma decisão com relação a Toninho.

IMORALIDADE

O vereador Patrício Destro (DEM), da mesa diretora, explica que a pessoa que trabalha no setor público não pode receber repasse do governo por outro trabalho fora, pois é imoral. Aí já estaria o primeiro erro apontado pelo parlamentar. Para ele, a decisão de exonerar o radialista será do presidente, mas destaca que Sandro não pode usar "dois pesos e duas medidas", ou seja, se exonerou o assessor do Bento teria que tomar posição igual agora. O democrata conversou com Sandro para o presidente tomar uma posição.

Sandro Silva não deixa claro sua posição. Ele explica que é apenas uma denúncia e verá se o juiz vai acatar. Já o companheiro de bancada, Patrício Destro, conta que conversou bastante com o promotor Assis e diz que ele sempre tem prova do que fala. "Assis é um homem que não fala sem ter certeza", enfatiza.

Sandro adianta que vai conversar com a mesa diretora e não tem problema nenhum em exonerar Toninho. Verá a gravidade do caso e verificará no jurídico da Câmara.

Denúncia repercute entre profissionais da comunicação

O coordenador do curso de jornalismo da Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc, Silvio Melatti, lamenta um episódio assim num momento em que o jornalismo está tão questionado. Acha preocupante o caso, mas garante que é melhor que fatos assim venham à tona. "Esperamos que não fique só nisso", completa.

O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murilo, deixa claro que todos são inocentes até que se prove o contrário. Mas reconhece que é uma denúncia grave. Conforme ele, atualmente qualquer um pode ser jornalista e é por isso que ocorrem fatos assim.

A vereadora Tânia Eberhardt (PMDB) espera que o presidente da casa use o bom senso e repita a atitude tomada no início do ano e também exonere o diretor de comunicação. Conforme a peemedebista, um dia esses fatos têm que acabar.

O ex-diretor de comunicação da Prefeitura de Joinville Benhur de Lima foi procurado pela reportagem, mas não quis falar sobre o assunto. Apenas destacou que o que sabe está na denúncia do promotor.

Para professora, Toninho comete erro ético grave

A professora das disciplinas teóricas e práticas de rádio da faculdade de jornalismo do Bom Jesus/Ielusc, mestre em História, Izani Mustafá, diz que o radialista comete um erro ético: "Se ocupa um cargo no Legislativo, não deve comandar um programa numa rádio da cidade". Para ela, ele não tem isenção para trabalhar emissora como um profissional de comunicação, como um radialista.

Segundo ela, se ele ocupa um cargo na área de comunicação e a denúncia é voltada a esta área, cabe ao diretor da Câmara dos Vereadores avaliar até que ponto vale a pena mantê-lo no cargo, já que existe uma denúncia contra um funcionário da casa.

Boca alugada

Para o radialista Sared Buéri, é muito clara a posição de alguns radialistas com determinados grupos políticos que têm abertura nesses programas.

No caso de Toninho Neves não há uma sentença, mas há uma investigação. Sared acha arriscado manter o radialista até que tudo esteja apurado. "Fatos como esse deixa frágil a credibilidade da nossa profissão", alerta. Ele explica que um radialista pode ter um lado, mas não obter vantagem com isso.

Estudantes de jornalismo cobram pessoas formadas em cargos públicos

A estudante de jornalismo Emanuelle Carvalho acompanha o escândalo envolvendo Toninho Neves. Para ela, as denúncias são graves e partem de uma promotoria séria e atuante. "Muito se ouve falar sobre patrocínios a radialistas em Joinville sob pena de acusações em programas da cidade", completa.

Como outras pessoas, afirma que é evidente que qualquer escândalo envolvendo a Câmara de Vereadores é prejudicial a sua imagem, que existe para ser representante do povo.

"O afastamento do Toninho independente do veredicto só trará benefícios. A democracia se exerce com alternância de poder, além disso, é preciso que pessoas capacitadas e formadas na área assumam cargos de tanta responsabilidade", alega.

Para ela, como diretor de comunicação da Câmara é inadmissível que ele tome atitudes que beneficiem financeira ou politicamente a si próprio ou seus familiares.

Punição

O estudante Jacson Alves de Lima diz que se o fato for verídico, tem que haver uma punição. Para ele, o dinheiro público é para todo cidadão. Mas alerta para o jogo político.

Uma espera de oito anos

Gisele Krama
giselekrama@gazetadejoinville.com.br

Cabelos brancos e rugas que marcam todo o rosto demonstram os 68 anos de Lídia de Moraes, moradora de uma das ocupações do Jardim Paraíso. Ela sobrevive com os R$ 465 que recebe de pensão e ainda sustenta os dois netos que moram na mesma casa, uma menina de 12 anos e um menino de 8.

A residência é cercada por lama, esgoto e lixo. Lugar onde as crianças brincam, moram e convivem com o abandono do Poder Público e as contínuas enchentes que assolam o local.
Nas cheias de novembro do ano passado, dona Lídia teve que abandonar o "barraco", junto com diversas outras famílias, e se abrigar na escola próxima até que a água voltasse a descer.
"Toda vez que chove, a vala enche e quase transborda", diz a moradora. Nas chuvas da semana passada essa situação voltou a se repetir.

Ela é obrigada a conviver com esse drama até que a Secretaria de Habitação de Joinville decida dar um novo lar para todos os moradores da ocupação. "Eu estou na lista de espera por uma casa há oito anos", diz.

Ademar de Souza, 26 anos, genro de Lídia, está desempregado e com seis filhos para sustentar. Ele também mora na ocupação do Jardim Paraíso, no final da Avenida Urano. Ademar espera há dois anos na fila por uma casa da Secretaria de Habitação. "A rua está cheia de lama e se não for nós arrumarmos, ninguém faz. Não dá para depender do governo", explica.

Mas Lídia de Moraes e Ademar de Souza tem mais coisas em comum do que simplesmente morar em uma ocupação. Eles são indigentes, ou seja, ganham menos do que um quarto de salário mínimo por pessoa da família, aproximadamente R$ 116.

Nesta situação estão outras 20 mil pessoas em Joinville. A cidade tem intensidade da indigência em 66,5%, acima de média nacional que é de 53,87%, conforme dados divulgados no Diagnóstico Habitacional feito pela Prefeitura de Jonville, em julho deste ano. Essa informação mostra a diferença entre a renda per capta e a renda de um indigente.

Esse diagnóstico também apontou que o índice de pobreza chega a 11,07%, ou seja, quase 54 mil pessoas que ganham até meio salário mínimo. Ao todo, são 74 mil, ou quase um sexto do povo que não ganha nem um salário mínimo. Para estes cálculos, a população de Joinville foi estimada em 487.003, assim como está no relatório.

Ainda nesta pesquisa, 97% da população total vivem na cidade. Com isso, foi feito um levantamento das deficiências de moradias. Considerando assim: casas sem condições de habitação em função da precariedade, necessidade de aumento na quantidade de residência e por causa da coabitação familiar.

Conforme dados da prefeitura, 14.411 famílias moram em imóveis alugados. Outros 5.747 em casas cedidas. E mais 2.613 famílias dividem o espaço com outras pessoas, ou seja, coabitação.
Em 2006, o déficit de moradias em Joinville era de 9.654 casas. No mesmo relatório da prefeitura, o número de famílias que moram em ocupações era de 3,6 mil. Já os domicílios particulares que estão vagos na área urbana em 2000 chegavam a 9,2 mil. Sendo assim, há casas para todos morarem, mas falta condições para adquiri-las.

O PSol divulgou dados informais da Secretaria da Habitação de que haveria 19 mil famílias sem residência. Mesmo com o Programa Minha Casa Minha Vida, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Joinville será beneficiada com somente quatro mil casas.

Em resposta ao pedido de informação do vereador Juarez Pereira (PPS), a Secretaria da Habitação divulgou que existem 7.528 pessoas esperando por um terreno, e destes, 892 são idosos e 103 deficientes físicos.

Já na fila por uma casa há 3.095 pessoas, em que 228 são idosos e 258 são deficientes físicos. Ao todo, na Secretaria de Habitação, 10.623 pessoas esperam por alguma ajuda e por um lugar para morar.

Enquanto isso, Lídia e Ademar são vistos como mais um número entre as milhares de famílias que não têm lar e que hoje vivem em uma casa cercada de pedaços velhos de madeira.

EDITORIAL: Os sucessores de Freitag

Esta semana os principais jornais do país estamparam um anúncio de página dupla, espelhada, onde a empresa criada pelo ex-prefeito Wittich Freitag presta contas aos brasileiros sobre suas promessas feitas exatamente um ano atrás.

Para não deixar dúvidas, o grupo Whirlpool, que agora controla a Consul, republicou o anúncio com as promessas e compromissos feitos há um ano e, ao lado, declararam: "um ano depois, a Whirlpool fez exatamente o que sempre se comprometeu a fazer". A empresa lista seus feitos que comprovam o cumprimento da palavra empenhada com seus colaboradores e, principalmente, com seus consumidores.

Cumprir a palavra era ponto de honra para Freitag, tanto na vida empresarial como na atuação política.

Em sua campanha para se eleger prefeito de Joinville, Freitag prometeu que o valor do IPTU seria reduzido ao preço de um maço de cigarros.

Prometeu e, um ano depois, sua promessa estava cumprida.

O ex-prefeito Freitag tinha apenas dois temores: ser chamado de mentiroso ou ser acusado de não cumprir sua palavra.

Hoje, se ainda estivesse vivo, Wittich Freitag veria seus sucessores na Consul continuarem seu legado de honrar compromissos assumidos, mesmo em tempos de crise, mas estaria frustrado, como estão os joinvilenses com seu sucessor político que atualmente ocupa o prédio da prefeitura que ele construiu.

Isto porque, um ano depois de prometer reduzir as tarifas da água, baixar a passagem de ônibus e resolver em 100 dias a situação da Saúde, o atual prefeito só tem a apresentar nos jornais desculpas e mais desculpas por mentir e descumprir seus compromissos de campanha.

No vermelho: Univille deixa de investir em manutenção por falta de dinheiro

Gisele krama
giselekrama@gazetadejoinville.com.br

“A universidade ultrapassou todos os seus limites financeiros”. Essa informação é do pro-reitor da Universidade da Região de Joinville (Univille), Raul Landmann. Conforme ele, a situação pode piorar até o final do ano. Essa defasagem é causada pela dívida da prefeitura com a universidade que chega a R$ 21 milhões.

Um exemplo do problema financeiro da Univille é que no ano passado foram investidos R$ 8 milhões em manutenção do campus. Mas neste ano, serão somente R$ 3 milhões. “A manutenção da universidade é cara e teremos que deixar de investir para ajustar as nossas contas”, admite pró-reitor Raul Landmann.

Na última reunião realizada entre o prefeito Carlito Merss e a Universidade da Região de Joinville, feita há um mês, a regularização da dívida ainda não ficou definida. O prefeito pediu para que a universidade prorrogasse a suspensão do processo contra o Governo Municipal, por mais 60 dias, enquanto seguem as negociações, que começaram no início deste ano.
Além disto, o prefeito pediu também que o reitor da Univille apresentasse um plano de investimento para este ano. Enquanto isso, a prefeitura irá fazer um repasse para a Sociesc no valor de R$ 400 mil, para que sejam investidos em bolsas de estudos para alunos dos ensinos Médio e Superior.

SEM REPASSE A TRÊS ANOS

A Univille foi criada pela prefeitura municipal. Assim, tem um artigo da Lei Orgânica do município que determina o repasse de 4% do orçamento destinado à educação. O último pagamento, no valor de R$ 200 mil, foi feito em 2006.

O repasse é destinado a bolsas de estudos e manutenção da estrutura. “Esse é um bem da prefeitura”, diz o pró-reitor da Univille.

Prefeitura deveria arcar com 400 bolsas de estudo


Aproximadamente dez mil alunos estudam na instituição. Destes, quase três mil têm bolsas de estudos, que ao todo chegam a R$ 8,5 milhões por ano. A prefeitura deveria ser responsável pelo pagamento de 400 bolsas, no valor de R$ 1,5 milhões, mas atualmente a Univille desembolsa esse montante.

Ao todo, são 2.150 bolsas com recursos próprios, que chegam a R$ 6 milhões. Conforme o pro-reitor, a universidade teve que recorrer a empréstimos para poder pagar os salários e décimo terceiro salário dos mil funcionários. "Se não houver repasse, ano que vem teremos que reduzir o número de bolsas", destaca.

Instituição envia dinheiro para a saúde

A administração da Univille faz outro questionamento: "se tivermos que deixar de fazer dez mil consultas gratuitas por mês, como fica a situação da saúde em Joinville?"

A universidade tem parceria com a Secretaria Municipal de Saúde para que alunos dos cursos de medicina, odontologia, psicologia e farmácia atendam gratuitamente à população. Além disto, envia recursos para o Hospital São José, Hospital Regional Hans Dieter Schmidit, Maternidade Darci Vargas e Hospital Infantil Jesser Amarante Farias, no valor de R$ 750 mil por ano.
Só para o Hospital São José, a Univille repassa R$ 200 por ano para que alunos do curso de medicina atendam os pacientes.

Foram investidos R$ 300 mil para o consultório de odontologia, R$ 200 mil para a farmácia-escola, R$ 200 do ambulatório de medicina, R$ 100 do escritório modelo de direito e outros R$ 450 mil para o Juizado Especial Cível. Todos esses serviços são oferecidos gratuitamente à comunidade pela Univille.

Argumentos da prefeitura

O prefeito Carlito Merss disse no encontro com o reitor, Paulo Ivo Koentopp, que o repasse ainda não foi feito porque as contas não tinham sido fechadas e que a situação financeira da prefeitura ainda não estava clara.

Carlito também sinalizou em fazer serviços para a Univille em troca da quitação da dívida. Um destes trabalhos poderia ser a terraplanagem do novo parque tecnológico que será implantado na universidade em 2010, com recursos do PAC.

Os municípios de São Bento do Sul e São Francisco, onde também têm o campus da universidade, fazem os repasses proporcionais sem atraso.

Saneamento oficial sem data para chegar

Dinilson Vieira
especial para a Gazeta de Joinville

A instalação completa da rede oficial de coleta de esgoto e o destino adequado dos dejetos sanitários não têm data para acontecer no Floresta, um dos bairros mais antigos e tradicionais de Joinville, com 18,6 mil habitantes e área de 5,01 quilômetros quadrados. Pegou de surpresa entre moradores a notícia de que, dos R$ 56 milhões liberados recentemente ao município pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal para obras de saneamento, nenhum centavo vai para o Floresta, apesar do bairro integrar a bacia do Cachoeira, principal rio da cidade que se transformou em latrina pública a céu aberto.

Segundo a Companhia Águas de Joinville, apenas 19% dos domicílios, estabelecimentos comerciais e indústrias do Floresta está ligada à rede de esgoto. Os demais 79% jogam a sujeira que produzem diretamente na rede de águas pluviais ou clandestinamente em córregos e valas. Os bairros contemplados diretamente pelo dinheiro do PAC são Costa e Silva, Bom Retiro e parte do América e Saguaçú, que fazem parte da bacia. Outros R$ 12 milhões também do PAC serão gastos na modernização da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do bairro Jarivatuba. A contrapartida da Prefeitura é de R$ 3,4 milhões.

"O esgoto é um dos principais problemas do Floresta, que um dia, espero, será contemplado com obras, mas não dessa vez. O bairro precisa ser conectado com o Centro. Os moradores devem se unir e reivindicar. As associações precisam denunciar para os problemas virem à tona. Se ninguém fala, parece que está tudo bem", afirma Antônio Valdir Riva, diretor-presidente da Agência Municipal de Regulação dos Serviços de Água e Esgotos, órgão fiscalizador da companhia Águas de Joinville.

O presidente da Câmara de Vereadores, Sandro Daumiro da Silva, que teve boa votação na zona Sul, onde fica o Floresta, diz que vai pedir explicações à Prefeitura sobre o projeto de saneamento do PAC. "O Floresta precisa ser contemplado, não merece ser tratado dessa forma. É uma vergonha para a região", afirma Sandro, acrescentando que a parte Sul tem estado à margem dos governos municipais há décadas.

O presidente da Associação de Moradores e Amigos do Floresta, Fernando Luís da Silva, também não entende a razão do bairro ficar à deriva. "Não nos deram explicação. O problema piora quando há enchentes em pontos de ruas como São Paulo, Santa Catarina e Santa Maria. Aí não se sabe o que é esgoto e o que é água da chuva". Segundo ele, a entidade faz constantes reivindicações à Secretaria Regional Itaum, unidade administrativa que cuida do Floresta. "A resposta é sempre a de que estão assumindo agora". Procurado, o secretário Manoel de Medeiros Machado não quis falar.

"Não rende votos"

A dona de casa Marta Hess, moradora da rua Coimbra e há 43 anos no bairro, tem a resposta na ponta de língua sobre a falta de saneamento: "São obras que não rendem votos, porque estão escondidas (na terra)". O aposentado Rafael Gonçalves, morador da rua Guararapes, aponta, além do problema do esgoto, a quantidade de buracos no asfalto e paralelepípedos. "Não existe manutenção", declara ele.

Do total de 67,6 quilômetros de ruas do bairro, 30,3 são asfaltados e 21,9 conservados em paralelepípedos. Os demais 15,3 quilômetros são mantidos em saibro. Moradora da rua Silvino da Silva, 65, e sempre envolvida nas atividades da Associação de Moradores, a dona de casa Maria de Lourdes Ostin da Silva, mãe de Fernando, é pessimista com relação ao problema de saneamento. "Nem as bocas-de-lobo são limpas".

‘É preciso lutar pelos idosos’

"O bairro Floresta faz parte de minha história de vida, pois fiz meus ensinos Fundamental e Médio nas escolas da Zona Sul. Então acompanho o desenvolvimento do bairro desde menina. Hoje, nosso bairro conta com mais ou menos 16.990 pessoas, tem em sua atividade econômica cerca de 133 industrias, mais de 621 pontos comerciais e 872 prestadores de serviços, além de diversos bancos e clubes.

Tudo isto fez com que nosso bairro se tornasse independente. Infelizmente, apesar de ser um bairro tão desenvolvido economicamente, ainda enfrentamos muitos problemas. Por exemplo, temos uma infraestrutura precária, carecemos de saneamento básico adequado. Apesar de termos um número de habitantes considerável, o bairro conta com poucas escolas e CEIs. Precisamos lutar mais por esses aspectos.

Precisamos de mais áreas de lazer, de mais projetos que venham contribuir com nossa cultura, sem nos esquecer de beneficiarmos a classe idosa. Devemos pensar em políticas públicas que beneficiem esse grupo de pessoas. Mas fico feliz em morar no Floresta".

O caos no trânsito da rua Santa Catarina

Em apenas cinco minutos de observação é possível perceber a baderna no trânsito na rua Santa Catarina, uma das principais vias do Floresta. Numa manhã de sábado, a reportagem constatou a dificuldade que pedestres têm para atravessar a rua no trecho que concentra agências bancárias, casa lotérica, farmácia, padaria, loja de eletrodomésticos e corretora de imóveis.

"Para atravessar é um parto. A velocidade dos veículos é o que mais assusta", diz a promotora de vendas Juliane Aparecida Carvalho. "Pisar na faixa e esperar que os motoristas deem preferência ao pedestre é ilusão, é pedir para ir direto para o caixão", completa Sueli Carvalho, mãe de Juliane. Para o morador Pedro Bilenki, a rua necessita de redutores de velocidade com urgência.

A Conurb (Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville) tem um projeto para instalar pelo menos dois equipamentos de controle de velocidade que multam motoristas, mas somente para 2010, após processo de licitação. "A lombada eletrônica vai voltar em frente à praça Tiradentes", diz o diretor de trânsito da Conurb, Eduardo Bartiniak Filho. A praça Tiradentes serve de endereço da academia de melhor idade do bairro, por onde circulam grande número de idosos e crianças, e deverá ser revitalizada.

E atenção: motoristas que utilizam o binário das ruas Santa Catarina e São Paulo devem redobrar a atenção em três vias laterais, que tiveram o sentido fixado em mão única. As ruas são a Presidente Artur Bernardes (sentido único da Santa Catarina para a São Paulo); Presidente Epitácio Pessoa (São Paulo-Santa Catarina); e Presidente Wenceslau Braz (Santa Catarina-São Paulo).

Policlínica com atraso de nove anos

Com atraso de aproximadamente nove anos, finalmente a prefeitura inaugurou a Policlínica Floresta, em substituição ao prédio que funcionava na rua Guararapes. O prefeito Carlito Merss admitiu a demora. "Nunca vi uma obra tão atravancada como essa. Essa policlínica não pode demorar mais do que um ano para ficar pronta. Sou filho de pedreiro e não justifica", disse o prefeito.

Com 697,59 metros quadrados de área construída, a estrutura tem suporte técnico para proporcionar ao usuário um ambiente adequado e com qualidade no serviço, de acordo com a Secretaria de Saúde. A unidade fica na esquina das ruas República do Peru e Maravilha.
Foram investidos R$ 523.257,59 na obra e R$ 330 mil em equipamentos. A promessa é de que a instalação seja referência nos atendimentos de pediatria, ginecologia e saúde mental para as unidades de saúde Boehmerwaldt I e II, Itinga e Itinga Continental, Km 4, Profipo. Pelo menos R$ 600 mil da obra são fruto de emendas de Carlito na época em que era deputado federal, segundo o próprio.

De acordo com a coordenadora da Policlínica, Jusmara do Rocio Maciel Da Hora, a unidade atenderá cinco mil pessoas por mês. A equipe é formada por clínico geral, ginecologista, pediatra, cirurgião-dentista, psicólogo e terapeuta ocupacional, que prestarão serviços como nebulização, vacinas, teste do pezinho, administração de medicamentos, curativos e aferição de pressão arterial. Estão incluídos os programas de Saúde da Mulher, Saúde do Adulto, Saúde da Criança e Saúde Mental.

Momento ajuda a plantar mais mil árvores em Joinville

Dinilson Vieira
dinilson@gazetadejoinville.com.br

O sorriso estampado no rosto da pequena Ana Luíza, de 5 anos e ansiosa para plantar no quintal de casa cinco mudas frutíferas que acabara de receber, traduzia toda a alegria e descontração que marcou a 20ª edição da campanha "Momento dá Árvore". O evento aconteceu durante todo o sábado (26), ocasião em que foram distribuídas mil mudas de espécies frutíferas e floríferas e arrecadados pelo menos dois mil quilos de alimentos – mil das mãos dos participantes e outros mil da construtora Momento Engenharia, organizadora da campanha. Nestes 20 anos, foram distribuídas 26,2 mil árvores.

"Gosto muito de plantar", disse Ana Luiza, que, ao saber na escola em que está matriculada, no bairro Iririú, que a campanha iria acontecer, tratou de avisar a mãe, a bancária Gelcy Rech. "Ela pegou o panfleto na escola e correu para me dizer que gostaria de entregar o alimento", afirmou Gelcy. É a segunda vez que mãe e filha participam da campanha. Ano passado, plantaram uma muda de pitangueira. Mais atentas, nesse ano trocaram cinco quilos de alimentos por mudas de cerejeira, araçá, romã, pitanga e ameixeira.

Novidades para o próximo ano

"O melhor de tudo é que a campanha está chegando forte ao público infantil, que amanhã será os pais que trarão os filhos para receber as mudas", disse Luiz Fernando Biasi, organizador do evento. Para a 21ª edição já estão previstas algumas novidades: "Queremos que os pontos de troca comecem a funcionar em escolas uma semana antes do dia oficial do evento, para que mais crianças possam participar".

Crianças trazem os pais para o evento

Moradora do bairro Costa e Silva, a dona de casa Miriam Ramos do Rego foi uma das primeiras a garantir sua muda no sábado. "Soube da campanha pela televisão e achei muito interessante. A ideia é ótima", afirmou. Maria de Lourdes Kimpf também fez questão de marcar presença com a filha Vitória, 5 anos. "Ela chegou em casa empolgada com o folder explicando sobre a distribuição de árvores", disse Maria, moradora do Glória.

Já o aposentado Antonio Calegari Cardoso tomou conhecimento sobre a campanha pelo jornal Gazeta de Joinville. "Já tenho em casa goiaba, araçá e jabuticaba e agora estou levando um pé de graviola e outro de azaleia. A iniciativa é boa porque ajuda a arborizar a cidade", afirmou Antonio. A campanha realmente tem como principais apelos despertar o interesse de se preservar o meio ambiente e despertar a consciência de ajudar o próximo através da doação de alimentos para a população carente. A Momento Engenharia sempre dobra a quantidade de alimentos arrecadados e os distribui sempre no dia seguinte ao evento, que aconteceu na sede da construtora, à rua Pedro Lobo, 41.

Toninho Neves acusado de enriquecimento ilícito pelo MP

Da redação
redacao@gazetadejoinville.com.br

Durante muito tempo o radialista Antônio Viana Neves, o Toninho Neves, repousa o paletó no encosto de uma cadeira da direção de Comunicação Social da Câmara de Vereadores de Joinville.
Lá, escondido em uma confortável sala daquela casa de leis, Toninho ocupa um belo e bem remunerado cargo comissionado de diretor. Além disso, ignorando o bom senso que deveria prevalecer naqueles que se intitulam profissionais de imprensa, ele também acumula a função de radialista na rádio Colon FM, onde sem qualquer cerimônia e sem corar a face, faz críticas veladas aos que possam contrariar seus interesses.

A prova disso veio agora, por Ação Civil Pública ajuizada pelo promotor Assis Marciel Kretzer, da 13ª Promotoria de Justiça, que atua na área da moralidade pública. O promotor, aponta uma grave irregularidade envolvendo Toninho Neves, a sua enteada, Juliane Maia de Moraes, e ainda, Benhur Lima, ex-diretor executivo de Comunicação do também ex-prefeito Marco Antonio Tebaldi (PSDB).

A denúncia aponta que Benhur Lima proporcionou o enriquecimento ilícito de Toninho Neves e Juliane Maia. O então diretor de Comunicação da Prefeitura Municipal de Joinville, usando de seu cargo público, autorizava inusitados "patrocínios mensais" para a empresa, O Jornal Assessoria em Publicidade TJ Ltda, que tinha como sócia proprietária a própria Juliana, enteada de Toninho Neves.

De acordo com a denúncia, a empresa de Juliana jamais prestou serviços de publicidade ou, ainda, manteve alguma subcontratação com órgãos de imprensa, que justificasse os valores subtraídos dos cofres da prefeitura. "Mesmo assim, sua sócia-proprietária, Juliane Maia de Moraes, conluiada com Antônio Viana Neves, seu padrasto, indiretamente auferiu recursos intercedendo junto à agência de publicidade Pólo, Equipe e Borghoff", consta no documento do Ministério Público.

Notas fiscais descriminavam apenas "Patrocínio"

No entanto, a agência Pólo, que na época era contratada pelo município, emitia notas fiscais da empresa "O Jornal", de propriedade de Juliana, contra a prefeitura de Joinville, com a singela e misteriosa descrição "Patrocínio". As autorizações, para as supostas publicidades, partiam da Secretaria de Comunicação da Prefeitura e eram emitidas pelo diretor de Comunicação, Benhur Lima. "Nesse passo, autorizações de veiculação, documentos expedidos por Benhur no âmbito da Secretaria de Comunicação Social de Joinville, fizeram alusão ao patrocínio mensal de "Toninho Neves", conhecido apresentador local de rádio e televisão. Trata-se do próprio requerido Antônio Viana Neves, o qual emprestou seu nome para coadjuvar com Juliane Maia de Moraes na apontada arrecadação de verbas públicas.", desvenda a denúncia.

O MP também revela que as planilhas de programação correspondentes as autorizações, que Toninho Neves era responsável por "testemunhais" ao vivo em seu programa na Colon FM, intitulado "Linha Direta". Situação em que a promotoria alega, "Antônio Viana Neves não poderia receber ou viabilizar - como fez - a percepção de remuneração do erário de Joinville, tanto para si e para sua enteada, indiretamente, quanto para a empresa dela, diretamente".

Ação diz que radialista usava empresa de fachada para desviar verbas públicas

A empresa de Juliana, que beneficiava Toninho Neves com dinheiro oriundo dos cofres do município, segundo apurou o MP, sequer possuía sede física, ou seja, era de fachada. O fato deixa ainda mais explícito o desvio. "O custeio não poderia se verificar junto a uma empresa com sede apenas de direito e desprovida de funcionários, que não produziu texto de publicidade institucional algum, não repassou dinheiro algum para a Rádio Colon FM, não a subcontratou, não possui vínculo jurídico com Antônio Viana Neves e, por isso, captou dinheiro público sem qualquer contraprestação."

Em São Francisco do Sul, na rua Eleotério Tavares, 248, no bairro Rocio Pequeno, onde supostamente funcionaria a empresa "O Jornal Assessoria em Publicidade TJ Ltda.", na verdade, é a sede do jornal Nossa Ilha, de propriedade de Vilma Aparecida Filippon.

O marido de Vilma, o assessor de comunicação da Prefeitura Municipal de São Francisco do Sul, Rossine Petrus Gaspar de Abreu, explicou que no ano de 2000, Juliane Maia, apenas alugou o prédio e permaneceu no local por seis meses. Ele conta que ainda hoje chega ao endereço correspondências destinadas a Juliane. Porém, esclarece que o jornal de sua esposa, não possui qualquer ligação com a enteada de Toninho Neves.

Toninho Neves e sua enteada negam, mas, Benhur confirma

Ouvido pelo Ministério Público, Toninho Neves negou o recebimento de qualquer valor intermediado pela empresa citada e não soube a que atribuir a existência das aludidas notas fiscais de "patrocínio". O radialista informou que, como apresentador apenas fazia comerciais de interesse do município de Joinville, e recebia da rádio Colon FM somente proventos de sua relação trabalhista com a emissora.

Juliane, que também prestou esclarecimentos ao promotor, se defendeu afirmando que o serviço prestado por sua empresa "se resumia ao acompanhamento das veiculações". Longe de justificar alguma ligação com a atividade publicitária. Ela tentou explicar que "pegava os comerciais na agência de publicidade e fazia planilha (relatórios) depois das divulgações, visando comprovação junto à agência de publicidade dos serviços prestados".

No entanto, não é o que diz as notas fiscais anexadas na denúncia. A fraude narrada na ação ajuizada pelo Ministério Público, também são confirmadas pelo ex- diretor Executivo de Comunicação Benhur, que confessou ao promotor Assis, a suposta operação fraudulenta. "Os pagamentos eram feitos ao apresentador através da empresa, aproveitando-se da relação familiar entre o destinatário dos pagamentos e a empresa", expôs Benhur.

O proprietário da rádio Colon FM, em depoimento ao MP, negou ter recebido qualquer valor oriundo das notas fiscais emitidas por Benhur Lima, o que deixa transparecer que o destino do dinheiro não foi a conta da rádio, e sim, o bolso do radialista.

R$ 2,5 mil por mês por bajulações, diz o MP

Os demasiados elogios que Toninho Neves costuma tecer aos seus pares e as constantes presenças de algumas figuras políticas em seu programa podem ter explicação no entendimento do Ministério Público. "O Jornal Assessoria em Publicidade TJ Ltda", não executou serviço ou "patrocínio institucional" algum, e ressaltou, "(...) a publicidade institucional de atos programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicas deve ter caráter educativo, informativo ou de orientação social (...), não guardando relação com finalidades outras, como "patrocínio" ou bajulação a políticos e governantes de uma determinada época, por exemplo." Conforme a acusação, a Prefeitura desembolsou apenas no período de março a dezembro de 2003, o valor de R$ 25 mil através de pagamentos periódicos efetuados mediante a apresentação de supostas notas fiscais fraudulentas que demonstram o valor de R$ 2,5 mil cada. Todas pagas a empresa da enteada de Toninho Neves.

A 13ª Promotoria conclui a denúncia pedindo que a Justiça condene com base no artigo 3º da Lei n. 8.429/92, (àquele que, mesmo não sendo agente público, induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta.) Toninho Neves, Juliana Maia, sob o argumento de que os mesmos se beneficiaram, enriquecendo ilicitamente com os favorecimentos de Benhur Lima, que por sua vez, concorre para as sanções do art. Art. 10, XII, da Lei n. 8.429/92 (atos de improbidade administrativa que causam prejuízo ao erário).
Além disso, o MP também exige a devolução ao erário o valor subtraído. "Reconhecida nula a execução da fraudulenta despesa narrada, realizada pelo município de Joinville com O Jornal Assessoria em Publicidade TJ Ltda. (...) Os demandados declarados infratores (...) e condenados às sanções previstas (...), notadamente ressarcimento dos danos causados ao erário, devidamente corrigidos e a serem apurados em liquidação de sentença, atendida a proporção da responsabilidade de cada qual.".

Também é requerida a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do dano e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica, da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos. A denúncia foi dirigida ao juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública da comarca de Joinville.

Carlito também tenta comprar imprensa

A Secretaria de Educação de Joinville continua a comprar jornais para as escolas municipais. Mesmo depois que a Gazeta de Joinville publicou uma matéria em que pais, alunos e profissionais da área de educação não acham importante a leitura de jornal diário e alertam para o perigo das crianças terem acesso a conteúdos relacionados à violência.

No entanto, no mês de agosto, a prefeitura tirou dos cofres públicos mais de R$ 39 mil para fazer 155 assinaturas do jornal Notícias do Dia para diversas escolas do município. Assim, alunos da 1ª a 9ª série, ou seja, crianças de 6 anos até adolescentes de 14 anos terão acesso a esse conteúdo.
A única assinatura que se enquadra no padrão didático pedagógico é o Jornal da Educação, em que foi gasto somente R$ 7.068 para fazer as 155 assinaturas. Assim, a Secretaria de Educação, que já havia desembolsado outros R$ 83 mil com os periódicos A Notícia, Jornal dos Bairros e Ponto a Ponto, agora tira dos cofres públicos outros R$ 39 mil para comprar o jornal Notícias do Dia.

Ao todo, são R$ 122 mil investidos em periódicos que perdem a utilidade no dia seguinte e são descartados.

Enquanto isso, materiais que são necessários para as escolas são deixados de comprar. Como alerta a diretora da Escola Municipal Pastor Hans Muller, no bairro Glória, Regina Cátia Dominoni. Segundo ela, seria importante para a unidade receber exemplares da Revista do Professor e Super Interessante. “A Super Interessante chamaria mais a atenção das crianças e dos adolescentes”, diz.

Revistas que poderiam ser compradas para as escolas

Se for relacionar as revistas da Editora Abril que se seriam relacionadas à educação teria: Aventuras na História, que custa R$ 131 a assinatura anual, National Geografic por R$ 179, Nova Escola por R$ 34, Recreio por R$ 517,40 e Super Interessante por R$ 138,70.

Já da Editora Segmento, poderiam ser adquiridas as Revistas Escola Pública, que custa R$ 43, e a Revista Língua Portuguesa por R$ 98.

Para fazer as sete assinaturas de revistas mensais relacionadas à educação e ao interesse dos estudantes, o Governo Municipal gastaria R$ 1.141 por escola. Ao todo seriam R$ 176,8 mil investidos anualmente em materiais que ficariam no acervo da biblioteca. Bem diferente dos quatro jornais que foram adquiridos pela Secretaria de Educação, que no dia seguinte não têm mais utilidade e são jogados no lixo.

Além é claro, de que os R$ 122 mil gastos em jornais poderiam ser utilizados para comprar livros de literatura, didáticos, gramáticas e dicionários para rechear as prateleiras das bibliotecas das escolas.

Dados da Educação Básica

Enquanto a Secretaria de Educação investe o orçamento em jornal diário, os índices de qualidade da educação básica caem e Joinville fica atrás de cidades pequenas. Conforme dados do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), em Santa Catarina a cidade que ganhou maior nota foi Iporã do Oeste.

Joinville obteve a média de 5,5 pontos para os anos iniciais e 4,8 para os anos finais. Já Iporã do Oeste, no extremo oeste do estado, teve a média de 6,5 para os anos iniciais e 5,4 para as series finais.

Mesmo Joinville sendo a maior cidade do estado e pólo industrial, ou seja, com maior arrecadação e possibilidade de investimentos em educação, obteve menores notas do que uma cidade que vive da agropecuária e agricultura familiar.

Conforme o secretário de Educação de Iporã, Nereu José Barth, a cidade investe em educação por mês aproximadamente R$ 200 mil. Destes, R$ 120 mil são para a folha de pagamento dos funcionários e R$ 55 mil para transporte dos estudantes. Nereu destaca que quase todos os alunos da rede municipal são carentes.

Lacerdópolis ficou em segundo lugar no quesito séries iniciais, pois obteve nota 6,3, igual a cidade de Vargeão. Meleiro tirou nota 6,2 para séries iniciais e 4,6 nas séries finais. Joinville também perde no ranking para as cidades de Itá, Ipira e Ipuaçu.

Iporã do Oeste tem primeiro lugar nas séries iniciais

“Quando soubemos do resultado, em 2007, tratamos a notícia com naturalidade e com preocupação”, comentou o secretário de Educação. Para ele, o planejamento foi o responsável pelas boas notas.

Além do mais, Nereu destacou que desde 2002 a cidade tem um plano de carreira para os professores e que este ano irão aderir a mais melhorias. “Todos os profissionais da educação básica são formados e com especialização”, destaca.

Conforme ele, o salário inicial de um professor em Iporã do Oeste é de R$ 1,5 mil. Depois de algum tempo passa para R$ 2 mil e tem aumento de 50% a cada nível de especialização.
Já em Joinville, um professor da Educação Básica recebe R$ 1,3 mil e ainda não existe um plano de carreira.

Assassinato de reputações

O jornalista Luis Nassif, considerado um dos maiores do país, trava uma luta hercúlea com a revista Veja.

Apesar da desproporcionalidade entre os dois contendores, a disputa tem mantido certo equilíbrio graças ao fenômeno em que se tornou o blog do Nassif, que tem merecido o título de melhor e mais freqüentado blog de política e opinião. E, foi justamente este blog, que trouxe à tona parte da sujeira que estava escondida por detrás de alguns órgãos de comunicação.

Com uma análise profunda, embasada em inúmeros exemplos, Nassif desmascara "pseudos jornalistas" que usam os microfones ou as páginas de revistas e jornais para assassinar a reputação de pessoas que sejam contrárias aos interesses de seus patrocinadores.
Ninguém está livre deste jornalismo de esgoto. Qualquer um pode ser vítima destes assassinatos. Políticos, empresários e até outros jornalistas. No entanto, este jornalismo espúrio também é usado para adular e promover políticos e governantes.

Esta edição da Gazeta traz matéria exclusiva sobre um dos maiores escândalos da história da imprensa da cidade. O jornalista Toninho Neves, que além de radialista, tem também um dos cargos mais importantes na Câmara de Vereadores de Joinville é formalmente denunciado pela Promotoria de Justiça de receber dinheiro público para bajular políticos e governantes.
A denúncia é grave porque mostraria ligações incestuosas e ilícitas entre a Prefeitura e um dos mais conhecidos radialistas da cidade.

O que se espera é que este fato, caso confirmado, não seja colocado sob o tapete da Câmara de Vereadores onde o radialista há muitos anos exerce a função de diretor de comunicação. A sociedade que se revoltou com o "mensalão" na Câmara dos Deputados não vai admitir o "mensalinho" no legislativo de Joinville.

Polêmica da PEC coloca suplentes da oposição e situação no mesmo lado

Jacson Almeida
jacson@gazetadejoinville.com.br

"Eu não quero dar posse". Assim o presidente da Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ), Sandro Silva (PPS) se posicionou sobre o aumento de parlamentares. A cidade pode ganhar mais seis vereadores ainda em 2010. Os suplentes entraram nesta semana com um pedido de diplomação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A briga continuará no judiciário.

Com isso, o número de vereadores na CVJ passa para 25 e os gastos aumentam em R$ 2,5 milhões ao ano, segundo o presidente da Câmara de Vereadores. Será aproximadamente 60 novos empregos na Câmara.

Os suplentes que podem entrar para a CVJ são: Mauricinho Soares (PSL), Ednaldo José Marcos, o Nado, (PSB), Celito Alves (PT), Carmelina Barjona (PP), Jaime Evaristo (PSDB), Ademir Negherbon (PDT).

Jaime Evaristo foi o 11º mais votado nas eleições de 2008 para vereador em Joinville. Já Nado foi o 13º. Os dois não entraram por causa da legenda.

Mais vereadores só em 2012

Sandro Silva diz que, no seu entendimento, o aumento seria só em 2012. "Não tem como mudar o jogo no segundo tempo", completa. Segundo ele, sua diretoria financeira fez as contas e será um gasto muito alto para o Legislativo Municipal.

Cita ainda o espaço físico como um grande problema. "Não temos como trazer esses vereadores para a Câmara", explica.

Dinheiro não é problema

Já o suplente do PSDB, Jaime Evaristo, diz que Sandro não quer perder a maioria na Câmara. Ele afirma que a CVJ sempre devolveu dinheiro para o Executivo. Para ele o presidente tem que pensar nas eleições para deputado estadual.

Já o outro suplente, que também seria da oposição ao governo Carlito, Mauricinho Soares (PSL), conta que falou com o diretor geral da Câmara, Ralf Benkendorf. Segundo ele, o diretor afirmou que tirando o aluguel dos carros sobraria R$ 1 milhão, já com os novos vereadores.

Gentil Sotopietra, que trabalhou para o candidato Nado (PSB) na campanha de 2008, garante que com um bom estudo é possível fazer um remanejamento interno e acomodar todos os novos vereadores.

Sandro destaca que há um projeto para ampliar a estrutura da CVJ, mas só para o ano que vem. O ideal agora seria outro espaço para novos vereadores.

Estrutura não comporta

O vereador Manoel Francisco Bento, líder do Governo na Câmara, também cita a estrutura como o grande problema. Mas, segundo ele, a sociedade ganharia por ter mais representantes. Ele não conversou com os suplentes ainda. Já Sandro Silva destaca que já falou com alguns suplentes e houve sinalização para ser oposição a Carlito.

O secretário regional do Comasa, Celito Alves (PT), é um dos suplentes e assegura que sua pretensão política é assumir a Câmara apenas daqui há dois anos, com a saída de um vereador do PT para a Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Mas sinaliza ajuda para entrar agora.

Carmelina Barjona é mais enfática e diz que o presidente Sandro Silva não quer perder as mordomias. "Não querem dividir a representatividade", completa. Ela explica ainda que o Executivo destina 6% do orçamento geral do município para 19 vereadores. No futuro será 1% a menos para 25 vereadores. Portanto, para ela, a população terá mais representatividade na Câmara com menos gastos.

Com dois parlamentares de oposição (PSDB e PSL) e três de situação (PT, PDT e PP) o único sondado por todos é Nado (PSB), que garantiu para a Gazeta de Jonville que 99,9% de chance de ir para a ala da situação e honrar o compromisso do segundo turno das eleições de 2008, em que apoiou Carlito.

Decisão cabe ao juiz Davidson Mello

O assessor Gentil Sotopietra lembra ainda que foi lançada uma nota no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aonde o ministro Carlos Ayres Brito, diz que a responsabilidade de aumentar o numero de vereadores é do juiz de cada região. No site do TSE, divulgado no dia 28 de setembro, a nota deixa claro que: "no ofício, o ministro diz não ter a intenção de interferir na esfera da autonomia interpretativa dos tribunais regionais". Deixa claro que "em regra geral, a posse de um candidato depende da sua diplomação pela Justiça Eleitoral. No caso de vereadores, são competentes para diplomá-los os juízes eleitorais". Portanto vai depender do Juiz Davidson Jahn Mello.

Advogado Os suplentes de vereadores contrataram o advogado George Alexandre Rohrbacher para pedir a diplomação no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) ainda nesta semana.
George Alexandre diz que todos os suplentes têm direito a posse por causa do número da população. Segundo ele, a nova emenda deixa claro que cidades com 450mil a 600 mil pessoas podem ter até 25 vereadores.

Longe de ser um paraíso

Dinilson Vieira
especial para a Gazeta de Joinville

O nome sugere um lugar aprazível, tranquilo de se viver, mas a realidade é bem diferente. É na temporada de chuvas que se percebe, por exemplo, as dificuldades de residir no Jardim Paraíso, bairro situado ao lado do Aeroporto de Joinville, com cerca de 15,6 mil habitantes e território de 3,17 quilômetros quadrados. Das 117 ruas cuja maioria leva o nome de planetas, estrelas e constelações, apenas cinco são asfaltadas. O cenário piora com as valas a céu aberto em substituição à rede oficial de esgoto. Em dias de sol, a poeira invade as residências, que permanecem de portas e janelas fechadas, enquanto o mau cheiro causado pelos dejetos domésticos sem tratamento sufoca qualquer morador.

Quando São Pedro manda água, a lama e os buracos tomam conta das ruas mantidas em saibro. Junte-se isso às valas que transbordam em vários pontos do bairro e o resultado são os problemas na vida de quem precisa cumprir tarefas prosaicas, como sair de casa para trabalhar ou ir à escola e sem um metro de calçada decente para caminhar.

"Ninguém merece isso e perdi a esperança de ver melhorias por aqui. Antes de ser eleito, o Carlito (Merss, prefeito) prometeu dar atenção ao bairro e isso nunca não aconteceu", afirma a dona de casa Irene Canova, moradora há 15 anos da rua Vupécula, 340. "Vivemos abandonados com essas valas imundas", completa Franciele, filha de Irene e moradora de uma travessa da rua Pisces, onde sua casa foi interditada pela Defesa Civil municipal por causa de um temporal, mas não lhe ofereceram opção de sair do local.

No final da rua Urano, no núcleo Jardim Paraíso VI, reside a aposentada Lídia de Moraes. Inscrita há oito anos num programa habitacional da Prefeitura, ela não vê a hora de mudar de casa com os dois netos pequenos com quem divide um barraco. "Não dá para viver nessas condições. É lama em dias de chuva e as crianças brincam na água suja dessas valas", afirma Lídia. Irene, Franciele e Lídia fazem parte de uma legião de descontentes no bairro.

Ao ser procurado por algum morador para ouvir uma reclamação, o secretário regional do Jardim Paraíso, Josival Silva de Oliveira, tenta levantar o moral do interlocutor anunciando obras que estariam a caminho, principalmente de saneamento básico, da construção das primeiras moradias populares para famílias que ocupam áreas de mananciais e até de uma unidade regional de saúde.

Obras de saneamento retomadas, mas sem prazo para conclusão

A Companhia Águas de Joinville acaba de retomar as obras de implantação do sistema de esgoto sanitário no Jardim Paraíso, que também deverá ganhar sua estação de tratamento de esgoto, paralisada desde 2005 e que, segundo promessa, estará concluída em fevereiro de 2010. O investimento total em esgoto no Paraíso e em mais dois bairros – Jardim Sofia e Vila Cubatão – será de R$ 20,2 milhões.

"Só não gosto de garantir prazo, isso não existe, é complicado. Em dias de chuva não se faz nada", afirma o secretário Josival Silva. Segundo ele, cerca de 70% dos 10 quilômetros de ruas do bairro já contam com rede coletora de esgoto instalada, à espera de ligação com as casas. Quando essa etapa estiver pronta, as fossas que hoje são usadas para reter o grosso dos dejetos serão desativadas e todo o material será coletado direto pela rede.

"A obra de saneamento está com dois anos de atraso, era para ser entregue em 2007. Além disso, a empresa que retomou a construção da estação tem de construir duas áreas de lazer no bairro, conforme está especificado no contrato. Vou ficar de olho para cobrar isso", declara o presidente da Associação de Moradores do Jardim Paraíso, Acemar Ferreira Nogueira. Hoje, o bairro conta apenas com uma praça equipada com academia da melhor idade e brinquedos infantis, na estrada Timbé, próximo ao posto da Polícia Militar.

O diretor-presidente da Agência Municipal de Águas e Esgotos (Amae), Antônio Valdir Riva, se pergunta sobre de quem é a responsabilidade do atraso das obras de saneamento no Paraíso. "Quem falhou? O executivo, a empresa construtora, não sei. Mas acredito que agora a obra sai", afirma Riva.

Asfalto a vista

A Secretaria de Administração informou que foi assinado o contrato para a pavimentação e drenagem de trechos de 102 ruas do Jardim Paraíso, contempladas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A previsão é que as obras sejam iniciadas após a assinatura da ordem de serviço.

O investimento corresponde a R$ 9,1 milhões vindos do governo federal. Nas próximas etapas, serão realizadas ações de melhoria habitacional e a construção de um Centro de Referência e Assistência Social (CRAS) para a região.

Uma aventura ao modo Indiana Jones

Para quem não está acostumado, caminhar balançando pelos 300 metros da ponte pênsil sobre o rio Cubatão Velho, que faz a ligação da lateral do aeroporto com o núcleo populacional Canto do Rio, pertencente ao Jardim Paraíso, pode ser uma aventura do tipo Indiana Jones. E quem caminhar pela ponte pode calhar com o momento em que um Boeing vindo de São Paulo está se dirigindo bem baixo à pista de aterrissagem, transformando a aventura mais emocionante, já que olhar para a aeronave sem segurar nos corrimões em cabo de aço, significa risco de um mergulho no rio.

Exageros à parte, o mergulho no rio era mais provável quando a ponte estava sem manutenção. Havia buracos no piso de madeira podre e as proteções laterais feitas de arame apresentavam buracos. A estudante Luana de Amorim, de 12 anos, chegou a se ferir ao enfiar o pé em um buraco, a caminho da escola, no bairro Cubatão. "Não foi, mas podia ter sido pior", diz a estudante, agora agradecida pelos reparos na ponte.

Mãe de sete filhos, a maioria em idade escolar, Maria Janete também elogiou a reforma, feita pela Secretaria Regional do Jardim Paraíso. "Ficou melhor, agora posso ficar mais sossegada mandando as crianças à escola. Só falta arrumar as cabeceiras", diz ela. A dona de casa Marizete da Costa, moradora ao lado da ponte, é outra que gostou do conserto. "Ficou ótimo e a ponte é muito bonita", diz ela. O secretário regional Josival Silva estuda a possibilidade de substituir as cabeceiras de madeira por alvenaria.

Atendimento está longe de ser o ideal

Se por infelicidade algum morador contrair uma doença em razão da falta de saneamento básico e precisar correr a um dos quatro postos de saúde distribuídos por subdivisões do Jardim Paraíso, não significa garantia de atendimento adequado ao problema, conforme admite o secretário regional Josival Silva de Oliveira.

"Temos os prédios, mas o atendimento ainda não é bom. Isso vem de administrações passadas, em que só se pensou em abrir postos, sem cuidar do resto", diz Josival.

Para o morador Orlando Carlos Herbast, que costuma usar o posto de saúde Canto do Rio, o serviço não é tão ruim: "As consultas são um pouco demoradas, mas ter esse posto é melhor do que nada".

Os quatro postos de saúde do bairro funcionam pelo sistema saúde da família. Quando algum paciente necessita passar por um médico especializado, é encaminhado a um PA (Pronto-Atendimento). A unidade mais próxima é a do Costa e Silva. "Temos um projeto de construir um posto regional de saúde, que seria uma espécie de sub-PA", diz o secretário.

Estigmatizado pela violência

Estigmatizado pela violência e onde, na boca do povo, morre uma pessoa todos os dias, vítima de algum crime, o Jardim Paraíso não é tão feio como o bairro é pintado na cidade. "Não existe essa coisa de muita violência, é tudo invenção. Ando por aqui às 2 horas da manhã sem medo, com tranqüilidade. Moro no Saguaçu (bairro de classe média alta) e não tenho coragem de fazer isso por causa dos assaltos, que são constantes", diz o secretário regional Josival Silva.

O presidente da associação de moradores, Acemar Ferreira Nogueira, acompanha atentamente os números da violência. "Entre janeiro e setembro de 2008, tivemos nove homicídios. No mesmo período de 2009, foram três. Baixou bastante e estamos com menos crimes que o Paranaguamirim, com oito, e Morro do Meio, seis", afirma Acemar.

Questionadas sobre os homicídios no bairro, autoridades têm uma resposta na ponta da língua: é tudo envolvimento com drogas. Para Acemar, uma forma de combater a criminalidade é ocupar o jovem entre 7 e 12 anos de idade, tirando-o da rua no período em que não está na escola.
A sede da associação serve de espaço para cursos de capoeira e de informática e a oferta vai aumentar quando o Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) deixar o prédio para ocupar local próprio. "Temos 200 na fila do computador. É a forma de evitar o aumento da violência", diz Acemar.

Duplicação da Marquês de Olinda vai ficar no papel

Dinilson Vieira
especial para a Gazeta de Joinville

Bairro bem arborizado e com poucas ruas ainda sem pavimentação, a obra que realmente poderia fazer a diferença no Glória – a duplicação da avenida Marquês de Olinda – não tem data para sair do papel, embora o assunto já tenha rendido dividendos políticos ao ex-prefeito Marco Tebaldi, e para o atual, Carlito Merss, que usaram o assunto para cooptar votos em suas respectivas campanhas. Desde a inauguração em pista simples da terceira etapa da via, em junho de 2005, não se mexeu em mais um tijolo da avenida, deixando moradores e comerciantes da região sem uma resposta a respeito da obra.

A via é uma importante opção para quem deseja chegar às zonas Sul e Norte da cidade, sem que o motorista precise transitar pelo centro. Quando a avenida foi inaugurada com asfalto, cumpriu bem seu papel de desafogar o fluxo de veículos na área central. À época, o então prefeito Marco Tebaldi, ressaltou que estava prevista a duplicação da via, assim como sua continuação até o bairro Guanabara, no encontro com a rua Graciosa. Saiu Tebaldi, entrou Carlito e nada mais aconteceu.

Observar por apenas alguns minutos o trânsito atual na Marquês de Olinda permite ao cidadão mais leigo no assunto a constatação de problemas sérios na via. E conversar com quem trabalha na avenida percebe-se a falta de esperança de que um dia a duplicação vai acontecer. É nos períodos de rush que o trânsito se mostra mais caótico, já que a avenida visivelmente não comporta mais tantos veículos ao mesmo tempo.

"Já existem trechos com recuos esperando a duplicação, mas não há nada previsto. Desconheço sobre qualquer data para a obra ser iniciada", diz Pedro Campos, secretário regional do Costa e Silva, unidade administrativa que cuida do Glória.

PERIGO CONSTANTE

O aposentado Guido Mohr, morador do número 250 da Marquês de Olinda há 40 anos, talvez seja o maior prejudicado com o trânsito local. Veículos em alta velocidade trafegando no sentido Centro já invadiram o muro de sua casa pelo menos três vezes. Após um dos acidentes, Guido ficou tão assustado que a forma encontrada para evitar o perigo foi mudar do quarto da frente e dormir numa área dos fundos. Para ele, o melhor seria instalar redutores de velocidade na avenida.

Presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Joinville, cujo prédio fica na Marquês, Arodi de Oliveira conta que a avenida para nos dois sentidos em horários de maior movimento. "Nossos aposentados têm dificuldade para atravessar a via e até de entrar no prédio com seus próprios carros", afirmou Arodi.

A comerciante Eliane Miers, dona do Bar Glória, localizado na esquina da Marquês com a rua XV de Novembro, espera pela duplicação. "O bairro é ótimo para morar, mas fraco comercialmente. A obra poderia dar um impulso no movimento comercial do bairro", diz Eliane. O problema é que o bar deverá ser demolido, se a obra realmente acontecer. "Não há problemas se me pagarem o preço justo pela desapropriação".

"Pelo tempo que demorou para fazer a Marquês em pista simples, não acredito em duplicação a curto prazo. Mas precisamos lembrar que o trânsito inteiro de Joinville é caótico. Ninguém anda no cruzamento da Marquês com a Benjamin Constant em horários de rush", diz Carlos Horn, que preside uma das três associações de moradores do Glória.

Área de lazer é prioridade para moradores

Com 130 ruas que somam 47.856 metros de extensão, sendo 21.377 metros de asfalto, 21.377 metros de calçamento em paralelepípedos e os restantes 14.025 metros em saibro (que somam 28 ruas), o Glória é uma das melhores regiões da cidade em termos de pavimentação de vias, se comparado a outros bairros. Os dados são do Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (IPPJU).

Se valerem as propostas emplacadas até agora no papel de seis delegados comunitários do bairro, que ajudam a discutir o Orçamento Participativo (OP) da prefeitura, a extensão em asfalto aumentará, pois para 2010 está prevista a pavimentação da rua Tutóia, que hoje tem apenas 150 metros asfaltados.

O OP ainda deverá contemplar a construção de uma área de lazer, cujo local no bairro ainda é indefinido. "Deverá ser uma área pública e deverá ser equipada com academia de ginástica para a terceira idade, playground e iluminação", diz Carlos Horn, presidente de associação de moradores.

A falta de uma rede de águas pluviais adequada preocupa quem reside na rua Nazareno e imediações, principalmente após a construção de um loteamento no lugar de um brejo, que fazia o papel de piscinão em dias de chuva. Para complicar, uma galeria de água que passa sob a BR-101 e que deveria aliviar o Glória, está num nível que impede que funcione adequadamente. "É coisa da engenharia, pois a galeria foi construída acima do que deveria e água não passa", diz Carlos Horn, presidente da associação da moradores.

Bairro tranquilo

Já o saneamento básico é uma incógnita. A própria Companhia de Águas de Joinville informa no site oficial da prefeitura que o bairro, com área de 5,48 quilômetros quadrados, tem apenas 2,7% de seu território atendidos com rede coletora de esgoto domiciliar. O secretário regional Pedro Campos garante que em 2010 as obras de saneamento básico serão iniciadas, sendo 100% das mesmas concluídas em 24 meses. O secretário não forneceu maiores detalhes sobre o que realmente será executado.

"Com exceção de problemas estruturais, o Glória ainda é um bairro tranquilo, bucólico. Não está superpovoado e mantém áreas de mata atlântica preservadas. O lixo não se acumula nessas áreas e os casos de roubos e assaltos estão sob controle", conclui Horn. Entre 2006 e 2008, bairro registrou 12 casos de roubos à residência e 20 a estabelecimentos comerciais, de acordo com o 8º Batalhão da Polícia Militar. Em julho de 2009, foi apenas um caso de roubo a estabelecimento comercial.

Um novo projeto para a Expoville

O Glória é o bairro em que está localizado o Complexo Expoville, famoso por sediar grandes eventos. Agora, um projeto de revitalização do espaço está em estudo no IPPUJ. A idéia é separar a área de lazer da de negócios. De acordo com a Promotur (braço da Prefeitura que cuida do turismo), está prevista a construção de um espaço – com capacidade para 2,4 mil lugares, palco, camarins e sala de imprensa –, destinado exclusivamente a convenções e congressos. As obras deverão custar R$ 15 milhões, repassados pelo Ministério do Turismo, com contrapartida de 20% deste valor pela Prefeitura.

Dessa forma, os dois espaços antigos – Nilson Bender e Wittich Freitag – ficarão reservados para feiras durante todo o ano. Ainda faz parte do projeto de revitalização a construção de um parque para caminhadas, equipado com orquidário e academia de ginástica, e transformação da lagoa já existente. O antigo restaurante será reaberto sob nova concessão pública e o Pórtico e Moinho serão revitalizados ao custo de R$ 600 mil.

Trinta eventos por ano

Localizado às margens da BR-101, próximo ao pórtico de uma das entradas da cidade, a Expoville ocupa em seu espaço atual uma área de 360 mil metros quadrados, sendo 25,6 mil de área construída. É composto pelo Pavilhão Nilson Bender (onde se realizam mais de 30 eventos por ano, entre congressos, feiras técnicas comerciais e festas, atraindo mais de meio milhão de visitantes em busca de turismo de negócios); pelo Megacentro Wittich Freitag (para 24,4 mil pessoas, constitui-se num espaço destinado à realização de grandes feiras nacionais e internacionais, além de eventos diversos, com área de 11.400 m2); e pelo parque do complexo.

Ainda integra o local o Centro Turístico e Comercial, onde o visitante adquire souvenirs e produtos coloniais.