VILA NOVA: Obras viárias tentarão humanizar trânsito

Dinilson Vieira
dinilson@gazetadejoinville.com.br

Nem sempre o maior é sinônimo de avanço e desenvolvimento. A constatação se encaixa na realidade do Vila Nova, maior bairro de Joinville em território – são 12,92 quilômetros quadrados divididos em área urbana e rural – e segundo colocado em número de habitantes, com aproximadamente 26 mil moradores, só perdendo para o Aventureiro, que tem 34.917 pessoas. Apesar de ter um déficit considerável de asfalto e de áreas de lazer, o maior desafio da atual administração do bairro é concentrar esforços para tirar do papel um conjunto de obras viárias que vão tentar humanizar o trânsito local, principalmente na rua XV de Novembro, que interliga a rodovia do Arroz com o Centro, cortando o bairro Glória, e costuma ser palco de acidentes.

O próprio secretário regional Fabiano Lopes de Souza reconhece que o problema de trânsito só será resolvido quando três projetos saírem efetivamente da prancheta dos engenheiros e ganharem a prática: a abertura do sistema binário passando pelas ruas Leopoldo Beninca e Tutóia, paralelas à XV de Novembro; a abertura da rua Almirante Jaceguay, que vai facilitar a ligação com o vizinho bairro Costa e Silva; e a conclusão da pavimentação da rodovia SC-413, entre Vila Nova e BR 101, o que deverá remover da XV boa parte do tráfego pesado oriundo da Rodovia do Arroz.

Das três obras, na prática apenas a terceira está em andamento e é bancada pelo governo estadual. Ela tem 4,26 quilômetros de extensão e custará R$ 10,5 milhões. Segundo promessa estadual, deverá estar pronta em 450 dias. “Essa obra já vai representar uma melhoria no trânsito local, pois vai absorver boa parte do tráfego pesado”, afirma Fabiano.

De acordo com o secretário, as obras do binário e da Almirante Jaceguay deverão começar no segundo semestre de 2010 e vão custar R$ 65 milhões entre desapropriações, drenagem, construção de duas pontes na Leopoldo Beninca e pavimentação. Deste valor, R$ 40 milhões serão deverão ser repassados pelo BNDES, R$ 16 milhões da Prefeitura e R$ 9 milhões do governo de Santa Catarina. Com a construção do binário, a rua XV deverá ter o fluxo fixado sentido bairro, enquanto a Leopoldo Beninca, sentido Centro. “Não gosto de fomentar datas, mas o binário deve sair do papel no próximo ano”, afirma o secretário.

Mão dupla, problemas e morte

Enquanto a rua XV funciona em mão dupla, sobram problemas para quem reside, trabalha ou simplesmente está de passagem pelo Vila Nova. A rua é o centro comercial do bairro, que possui nada menos que 352 pontos comerciais e 302 ofertas de serviços, que vão desde contabilidade à autoescola. Em horários de rush, a via acumula longos congestionamentos nos dois sentidos. “Nestes horários, é complicado sair e entrar no bairro”, completa Fabiano.

“Somente o binário vai resolver nosso problema. O restante é paliativo”, afirma o sapateiro Aldo Moser, que trabalha na rua XV há três anos e garante já ter presenciados diversos acidentes próximo à sua loja, ao lado do terminal integrado de transporte coletivo. “Tem batida de carro quase todos os dias”, completa. O moto-taxista Nilson Quintino, que parte em suas viagens numa lateral da XV, a rua São Brás, concorda: “Quase toda semana tem um acidente, alguns graves, outros nem tanto”. Segundo ele, motociclistas precisam tomar muito cuidado para não se envolverem com problemas. “É muito carro e pouco espaço”.

A presidente da Associação dos Moradores do Vila Nova Rural, Roseli Pacenike, observa um fenômeno prejudicial ao trânsito: “Muitos motoristas que saem da Rodovia do Arroz entram na zona urbana do bairro querendo manter a mesma velocidade da estrada. Isso é impossível, mas aconteceria até comigo”.

Desrespeito entre motoristas

Por causa do trânsito caótico, a funcionária pública municipal Verônica Tuassi pensa duas vezes antes de renovar sua carteira de motorista. Ela diz que o desânimo toma conta ao ver a desorganização e desrespeito entre motoristas. “Quando vejo esse trânsito maluco na rua XV, que é a nossa principal, fico imaginando se vale a pena voltar a dirigir”, declara Verônica.

O vendedor de bilhete de loteria e também motorista nas horas vagas Ademir Francisco Passero assina embaixo a respeito de todas as reclamações de trânsito e adianta que algumas melhorias poderiam amenizar os problemas. “Uma delas é apressar a instalação de um semáforo no encontro da XV com a rua Julio Stolt”. A Companhia de Urbanização (Conurb) abriu licitação para a compra de dez semáforos e um dos equipamentos deve atender a reivindicação de Ademir.

Na manhã do último dia 4, um acidente em frente ao terminal de ônibus na rua XV tirou a vida de uma mulher de 35 anos, que passava de bicicleta pelo local e foi atropelada por uma carreta. A vítima foi parar embaixo das rodas e morreu no local. O motorista da carreta, Anderson Luiz Conradt, acredita que a mulher achou que ele iria seguir pela rua XV, o que não aconteceu. Quando o veículo entrou na rua São Brás houve o atropelamento.

Mais da metade da área urbana sem asfalto

Com 189 ruas na área urbana, que totalizam 95,6 quilômetros, o Vila Nova deve muito asfalto para a população. Desta extensão, apenas 36,6 quilômetros são asfaltados e 828 metros têm paralelepípedos. Sobram 57,8 quilômetros em saibro, segundo levantamento da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra). Já a área rural do bairro soma 141 quilômetros sem pavimentação. O déficit é alvo de muita reclamação e preocupação por parte da secretaria.

“Na área rural, temos o exemplo de um produtor de hortifrutigranjeiros que abastece diariamente uma grande rede de hipermercados no Estado. Imagine não cuidar das estradas vicinais por onde trafegam os caminhões deste produtor. A gente perderia ele e dezenas de empregos”, diz o secretário regional Fabiano Lopes.

Já na área urbana, as reclamações não são diferentes dos demais bairros da cidade que colecionam ruas sem asfalto: pó em dias de sol e lama e buracos em tempo chuvoso. “Sou obrigada a manter todas as janelas e portas fechadas por causa do pó”, afirma a dona de casa Diva Maria Fagundes, moradora da Ruas dos Portugueses, que serve como acesso a um parque aquático da região.

Em junho passado, 46% da demanda de serviços na secretaria foram de pedidos de ensaibramento em ruas. No mês de março anterior, a mesma demanda foi de 65%, o que demonstra que os pedidos em maior número coincidem com a temporada de chuvas. Até 2012 está prevista a pavimentação de mais 2,2 mil metros de ruas no bairro.

2 comentários:

Sabiah disse...

Infelizmente, os pedidos são tantos que a secretaria regional do vila nova se perde entre os pedidos.
Fiz um pedido de ensaibramento a 2 meses, e o saibro ainda não veio, acho que já caiu no esquecimento.
Também... eles fazem uma anotação num papelzinho e daí por diante não sei como é a organização destes papeizinhos.
Pessoal da regional, vamos caprichar mais na organização... por favor !

Anônimo disse...

o binario no bairro gloria nunca vai sair, por que voces não vão aterrar mais o espinheiros, jardim paraiso..etc,