AVENTUREIRO: Maior bairro, pouco asfalto e ainda sem PA entregue

Dinilson Vieira
especial para a Gazeta de Joinville

Maior bairro de Joinville por ocupar uma área de 9,29 quilômetros quadrados, possuir 33,3 mil habitantes e nada menos que 425 estabelecimentos comerciais e 135 indústrias, o Aventureiro também é cortado por 182 ruas, das quais apenas 72 são asfaltadas ou revestidas de paralelepípedos. As outras 110 vias, ou seja, mais da metade, são em saibro, uma mistura de areia e pedras que se transforma em lama e buracos em dias de chuva e muita poeira durante períodos ensolarados. O pujante Aventureiro já possui um pronto-atendimento (PA), cujo prédio está pronto, não funciona e ainda conserva problemas crônicos de saneamento básico.

O bairro se destaca por ser o que mais possui agremiações de moradores em relação a outras regiões da cidade: sete no total, que o subdividem em microrregiões e cada uma com a difícil tarefa de tentar melhorar a qualidade de vida local. Foi do Aventureiro de onde saiu boa parte dos 170.955 votos (ou 62,15%) que elegeram o prefeito Carlito Merss, que, entre suas promessas de campanha, estava a de dar uma resposta à saúde em 100 dias.

Por estar fechado, o prédio do PA apresenta sinais de abandono. A obra foi inaugurada pelo ex-prefeito Marco Tebaldi no fim de seu mandato. Apenas uma parte do espaço é ocupada pela Unidade I do Posto de Saúde do Aventureiro, que funciona de segunda a sexta-feira. Planejado para atender 24 horas, o prédio do novo PA possui infiltrações e o mato alto toma conta do entorno do prédio.

PROMESSA DE CAMPANHA
Presidente da Comissão de Justiça na Câmara, o vereador Juarez Pereira acredita na possibilidade do PA funcionar neste ano com 70% da capacidade, desde que a Prefeitura faça a licitação para adquirir equipamentos. "Não tem dinheiro para nada e não se pode abrir a unidade sem um aparelho de ultrassom". Segundo o vereador, serão necessários R$ 1 milhão para equipar a unidade e mais R$ 500 mil mensais para manter a folha de pagamento e a manutenção do prédio. "Foi promessa do prefeito Carlito fazer mudanças na saúde em 100 dias e isso não foi cumprido".

De acordo com o vereador Adilson Mariano, também da Comissão de Saúde, o prédio já precisa de reforma. "Há infiltrações, o que prova que a obra foi mal feita. Vamos esperar até novembro para abrir (o PA), caso contrário, o pau vai quebrar contra o prefeito", diz Mariano.

"Outro dia visitei a unidade e verifiquei que está quase tudo pronto, faltando instalar algumas pias", afirma Nilton da Silva, vice-presidente da Associação dos Moradores do Conjunto Castelo Branco, uma das sete entidades do bairro. Moradores como a dona de casa Terezinha Resende, aguardam ansiosos pelas atividades do PA, pois, enquanto isso não acontece, são obrigados a buscar atendimento mais especializado em outros bairros, como Costa e Silva.

Doméstica teme perder a casa

Após dez anos de espera, a família da doméstica Ana Pereira da Luz Walter realizou o sonho de construir uma casa de conforto razoável e desocupar o barraco nos fundos do imóvel, no final da rua Lauro Schroeder. Mas a tranqüilidade virou pesadelo.

Ao lado da moradia passa um afluente do Rio do Ferro e as últimas enchentes fizeram parte do terreno desbarrancar. Aos poucos, Ana assiste o córrego engolir seu terreno, sem esperança da Prefeitura construir um muro de contenção. "Meu marido construiu a casa com tanto suor e agora podemos perder o imóvel", afirmou a dona de casa.

Para piorar a situação, o córrego recebe boa parte do esgoto sanitário do bairro sem tratamento e o mau cheiro se espalha, principalmente em dias de sol forte. De acordo com dados da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), 99% dos domicílios do Aventureiro têm água encanada e eletricidade. Já os dados sobre o esgoto domiciliar são uma incógnita.

À espera do asfalto que não vem

Virou questão de honra da Secretaria Regional do Aventureiro incrementar no bairro uma espécie de PAC do asfalto. O secretário regional José Fausto lamenta por ainda não ter pavimentado pelo menos as vias que fazem parte do itinerário do ônibus que liga o bairro ao terminal do Iririú.

As vias em questão são a Aveiro, Santa Luzia, Oscar Fischer e Perdiz, que, antes do asfalto, precisam de conclusão na drenagem. O maior desafio, no entanto, é construir uma rede de captação de águas pluviais na rua Tuiti, próximo à avenida Santos Dumont. A rede necessita de tubos de 1 metro de diâmetro e 1.300 metros de extensão, até se ligar com o Rio do Ferro. A obra deverá custar R$ 1 milhão. Fausto explicou que não adiantaria pavimentar o itinerário do ônibus sem antes executar a rede na Tuiuti. "A água poderia ficar represada nas ruas".

Enquanto o asfalto não chega, moradores pagam um preço alto. A doméstica Marli Salete, que há 20 anos reside na casa 172 da rua Emília Silva Benk, lamenta: "Acabou a esperança de ver asfalto nessa rua. Faz 15 anos que lutamos pela melhoria e o jeito é comer poeira".

DINHEIRO DO PAC

A boa notícia é que Joinville acaba de receber R$ 56 milhões liberados pelo Ministério das Cidades através do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), e algumas obras de saneamento podem começar ainda este ano. A notícia ruim é que o Aventureiro não deverá ver um tostão desse dinheiro. Atualmente, a rede de tratamento e coleta cobre apenas 14% da cidade.

Bairro ganha ponte de concreto

A população da zona Leste de Joinville, onde fica o Aventureiro, passou a contar com uma ponte recém-inaugurada pela Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), executada em com conjunto com as secretarias regionais do bairro e de outro vizinho, a do Comasa. A passagem fica na rua Martinho Van Biene, sobre o rio Iririú-Mirim, substituindo uma passagem de madeira que vivia interditada para consertos.

Com um vão de 15 metros, a obra custou R$ 119.341,73 e sua execução foi possível graças a um convênio entre a Prefeitura, Caixa Econômica Federal e Ministério das Cidades. O rio divide a área de abrangência das duas secretarias regionais: uma margem está localizada no perímetro do Aventureiro e a outra no Comasa.

O acesso à nova ponte pelo Comasa necessitou de 16 caminhões de 10 metros cúbicos cada de saibro. Já o acesso pelo Aventureiro está pronto, mas falta asfaltar a rua Martinho Van Biene, a qual tem 800 metros de rede pluvial, com diâmetro de 60 centímetros. "A ponte facilitou meu trabalho", diz o catador de papelão Orlando Carvalho, que costuma circular de um bairro a outro puxando carroça.

Área verde com lixo

As placas com o aviso de que é proibido jogar lixo e que os infratores podem ser multados estão espalhadas ao redor da única área verde do Aventureiro, mas o que se percebe é o desrespeito à regra. Vizinhos tentam colocar ordem no local, mas é tarefa difícil, pois o despejo de entulho e material orgânico acontece na calada da noite, quando boa parte da população dorme.

Um projeto para transformar a área em um parque ecológico engatinha na prefeitura, segundo o secretário regional José Fausto. "São aproximadamente 2,8 mil metros quadrados de matas que precisam ser conservados. Temos um sambaqui (sítio arqueológico) no local", diz o secretário. A área faz parte do projeto Eixo Ecológico Leste.

Morador da rua Cláudio Lopes, Luiz Carlos Flores se diz pessimista: "Se o parque for criado, meu filho teria um lugar para brincar e aprender. Mas falam a respeito do parque há muito tempo e nada aconteceu, a não ser os jovens que entram na mata para usar drogas", afirma Luiz.

VOCÊ SABIA?
Time de futebol deu nome ao bairro

O Aventureiro recebeu esta denominação por existir na década de 1950 um time de futebol carioca com este nome. O Aventureiro Esporte Clube funciona desde 1 de dezembro de 1951, a princípio só como time de futebol, e atualmente também como local salão de bailes. Inicialmente as atividades econômicas estavam baseadas na produção de cana-de-açúcar, banana e arroz, para venda e subsistência, e também estabelecimentos comerciais. A infraestrutura melhorou a partir da década de 70, com ampliação da distribuição da água e energia elétrica. As informações estão contidas no livro História dos Bairros de Joinville, da Fundação Cultural.

2 comentários:

Paulo Roberto disse...

Podem cobrar isso dos vereadores "da região". É o bairro com maior representatividade:

OSMARI FRITZ
ADILSON MARIANO
JOÃO RINALDI

Os três são aliados ao Carlito (rei da promessa)... Que tal parar o bairro com um panelaço, Mariano? Senão daqui a pouco os atendimentos do Osmari, como psicólogo que é, vão criar quilométricas filas.

João Rinaldi, coitadinho... rs. Parece ter boa vontade, mas só! Basta ver sua posição na câmara.

Quem sabe o PADRE IVAM pode ajudar, como na campanha para eleger este PIOR PREFEITO DA HISTÓRIA DE JOINVILLE.

Edival disse...

o parque joinville esta abandonado, nem se quer tem saibro para colocar na rua, cade os vereadores porque não trazem o carlito para visitar as ruas do parque joinville?só na campanha aparece?