Médico acusado de crime sexual garante ter sido chantageado

Dinilson Vieira
especial para a Gazeta de Joinville

O médico José Carlos Mansur Ferreira, de 43 anos, que passou quatro dias trancado numa cela do Presídio Regional de Joinville sob acusação de cometer atentado violento ao pudor dentro do Ambulatório Central de São Francisco do Sul, afirma que foi chantageado pela mulher que o denunciou pelo crime.

De acordo com Mansur, durante a última de uma série de três consultas ocorridas em 2008, a mulher, identificada pelas iniciais A.S., 33 anos, exigiu R$ 3 mil, ameaçando de que sabia muito a respeito de sua vida pregressa. O médico – que já respondeu outro processo por acusação semelhante em Rio do Sul – deixou a prisão na terça-feira (28) com habeas corpus com pedido de liminar (direito de apelar em liberdade) concedido pelo Tribunal de Justiça. Ele não descarta a possibilidade de abandonar a profissão.

Mansur diz que em nenhum momento pensou em se render às ameaças que afirma ter sofrido de A.S.: "A paciente disse que estava de mudança e construindo, que precisava do dinheiro. Ela deu a entender de forma clara e objetiva que conhecia bastante a meu respeito. Em todos os momentos voltei para o foco do problema de saúde desta senhora".

Segundo o médico, a paciente insistiu que lhe fizesse exame ginecológico. "Disse que não, que não era minha especialidade. Prescrevi medicação para tratamento ginecológico com pomada e preservativo para o marido dela." Mansur garante que não fez exame de toque vaginal e nem tocou os seios da paciente, conforme foi acusado. "O consultório não possui mesa para esse tipo de exame e a porta não fica trancada."

Mansur afirma que continuou sendo chantageado por telefone durante alguns dias. No dia 26 do mesmo mês, ele também compareceu à delegacia e registrou queixa de denunciação caluniosa. Já em 18 de outubro de 2008, o médico esteve no Ministério Público de São Francisco, relatando sua versão dos fatos que inclui uma informação de que A.S. já esteve presa por tráfico de drogas.

Abandonar a medicina
Formado pela Universidade Católica de Pelotas e especializado em medicina do trabalho, Mansur, que exerce a profissão de médico há 13 anos, diz que ficou atônito ao receber voz de prisão na manhã de sexta-feira (24), quando atendia pacientes no Ambulatório de Araquari. "Fui chamado pela secretária de Saúde e saí algemado para o presídio", afirma o médico, que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de São Francisco.

Denise, esposa dele e também profissional da área de saúde, conta que a prisão desorganizou a vida da família e ela aconselha o marido a abandonar a profissão. "Seria melhor", acredita ela. O médico não descarta a possibilidade: "Estou abalado e posso deixar a medicina. Poderei ser empresário."

Entrevista exclusiva • Doutor José Carlos Mansur Ferreira


Sem antecedentes criminais
Sim, a primeira vez que sou preso. Já tive uma ordem de detenção do caso de Rio do Sul, da menina que fez a denúncia contra mim de atentado violento ao pudor, que não chegou a ser cumprida. Fui condenado em primeiro grau, mas o Tribunal de Justiça anulou a sentença. Sobre esse novo caso, fui libertado com por hábeas corpus com base na nulidade do caso anterior.

Chantagem e extorsão
Em outubro de 2008, fui ao Ministério Público de São Francisco para prestar depoimento sobre essa suposta vítima, de 33 anos, que estava me chantageando. Trata-se de uma ex-presidiária acusada de tráfico de drogas. Durante a última de três consultas que ela teve comigo, em 12 de junho de 2008, ela disse que precisava de R$ 3 mil e que sabia muita coisa a meu respeito. Ela disse que estava de mudança, que estava construindo e que precisava de dinheiro. Ela só abriu o jogo contra mim na última consulta. Ela prestou queixa-crime contra mim na delegacia em 16 de junho de 2008.

"Tratado como bicho"
No dia 26 de junho, antes de ir ao MP, abri um boletim de ocorrência contra ela na mesma delegacia, por denunciação caluniosa contra funcionário público, previsto no Código de Processo Penal, autoridade disse que não iria investigar. Arrolei, inclusive, três testemunhas que trabalham comigo no Ambulatório Médico de São Francisco: um técnico de enfermagem, uma supervisora de setor e um coordenador da unidade. Fui tratado como um bicho na Polícia, no MP, que passou por cima de tudo que o judicioário representa. E a imprensa me prejulgou. Os jornais me transformaram em criminoso.

Conspiração
Não posso acusar ninguém porque não tenho provas, não posso fazer prejulgamentos. Mas ela estava muito bem instruída. Com certeza desconfio de alguém. E sem esquecer que R$ 3 mil para um médico não é muito... (esposa interrompe) De gente grande Ninguém me tira da cabeça de que essa moça foi implantada para acabar com a carreira dele.

O dia do suposto abuso
Na última das três consultas, ela, a A.S. era a segunda a ser atendida, mas ficou se escondendo para ser a última. Os funcionários estranharam isso. Ela se escondeu quando foi chamada. Quando ela entrou no consultório, ela estendeu a mão e disse que ficou por último de propósito, porque queria uma atenção especial de mim. A consulta ocorreu dentro da ética, da moral e da legalidade. Ela apresentou um exame citopatológico vaginal preventivo, cheio de infecção, inflamação e que queria ser examinada. Disse que não era ginecologista para examiná-la. Sou especializado em clínica médica e também sou médico do trabalho.

A prisão
Eram por volta de 8h30 e eu atendia pacientes no ambulatório, quando a secretária de Saúde me chamou na sala de administração. Parei o que fazia e fui atender. Fiquei surpreso porque estava acompanhando todo o caso. Procurei o MP em 18 de outubro de 2008 porque não encontrei respaldo na Polícia, que se negou a abrir inquérito. O inquérito só seria importante contra o médico, no caso, eu. Sabia também que no depoimento da suposta vítima não havia contra mim qualquer ameaça de violência ou grave ameaça, o que descaracteriza a acusação pelo artigo 214. Sei que a mulher que me acusa até tentou marcar nova consulta comigo para o dia seguinte e isso é estranho de uma pessoa que me acusa de atentado ao pudor.

Toque vaginal e nos seios
O comportamento dela era completamente inadequado. Meu consultório tinha janela aberta e não tem chaves. Não existe mesa ginecológica e somente uma mesa de exame clínico. Como eu poderia fazer toque vaginal? E também não toquei nos seios dela. Inclusive consta no inquérito policial em depoimento da própria mulher que me acusa que ela foi se consultar comigo por causa de anemia.

Os dias na prisão
Muito bem, tanto pela direção quanto pelos funcionários. Sou diabético e hipertenso e tenho síndrome metabólica. Minha esposa me levou os medicamentos na cadeia. Reduzi a quantidade de alimentos. Perdi cerca de cinco quilos. Me ofereciam bastante comida. Tive uma crise de pressão alta. Tive depressão e chorava todo o tempo.

Certeza da absolvição
Jamais vou fugir. Serei absolvido porque tenho provas materiais e testemunhais a meu favor. O próximo passo do processo é montar minha defesa prévia. Agora vou cuidar da minha saúde. Sou formado pela Universidade Católica de Pelotas, tenho dois filhos, que estão extremamente abalados com tudo isso. Vou encaminhar atestado médico às empresas em que trabalho porque não tenho condições de trabalhar. É só olhar para mim. Estou preparado inclusive para demissões. Pretendo continuar morando em Joinville, onde tenho algumas propriedades. Quando for absolvido, vou entrar com processo de danos contra quem me acusou.

Desejo é largar a profissão
Estou abalado psicologicamente e não sei se tenho condições de continuar exercendo a medicina. Não descarto a possibilidade de deixar a profissão. Se isso acontecer, me tornaria um empresário, compraria uma franquia.

Sem amigos
Sou um homem de poucos amigos.

16 comentários:

Anônimo disse...

Estão com pena desse safado? Levem ele pra casa e deixem que ele cuide de sua esposa. Olhem os antecedentes dos "santo".

Anônimo disse...

Caso complicado, não desejaria nunca estar na pele desse médico.Pessoas más e maldosas existem para prejudicar quem quer que seja.Se esta mulher está inventando tudo isso (cabe a polícia descobrir)a sua pena deveria ser no mínimo de prisão perpétua.Inventar,denegrir e acabar com a vida das pessoas inescrupulosamente é um ato animalesco e sem perdão.Palavras ao vento tem que ser melhor analisadas, não podem virar moda.Acredito que a polícia para tomar esta atitude tenha provas concretas (filme ou gravação de voz). Se não tem, como pode dar credibilidade tão facilmente a quem quer que seja?Se esta mulher, tem realmente todos esses problemas de inflamação e infeccão vaginal, não seria muito louco este médico tentar praticar algum tipo de assédio sexual contra ela?
E se tudo for mentira, como fica?
Quem dará guarida aos filhos e a esposa desse médico? Uma vida toda destruída em poucas horas.E se for verdade? Quem tem que saber é a própria justiça que está aí para julgar com responsabilidade e ética. Dura Lex Sed Lex.

Anônimo disse...

Sim concordo com o sr. anonimo. As outras vitímas também são invenção. São boletins de ocorrência e processos fantasmas. O famoso médico Roger Abdelmassih e também e o ginecologista joinvilense Dorival Kreutzfeld são anjos de aureula e tudo. Porque a Gazeta de Joinville se empenha tanto em defender esses salafrarios? Tai uma pergunta para Sigmund Freud.

Paula Tejando Arruda disse...

Também acho que ele é inocente.

JOÃO disse...

Só para eu entender :
A mulher que se disse vítima de abuso é uma traficante de drogras que esteve presa ?

É isso ?

Anônimo disse...

Inocente. Pode ser.
Mas apurem em Araquari a conduta deste médico.

Anônimo disse...

Ricardo Jd. Iririu

Mesmo inocentado numa acusação pregressa, isso acaba afetando a reputação da pessoa, e os efeitos disso podem facilmente ser explorados por alguém que veja na situação uma oportunidade.

É no mínimo uma insensatez imaginar, logo um médico, após receber exames mostrando infecção na paciente, ainda se conceber que vá investir contra a mesma. Não faz sentido.

Nos dias atuais existe uma verdadeira caça às bruxas, muito patrocinada por parte da mídia, descomprometida com a realidade e mais comprometida com o retorno que esse tipo de noticia trás.

Todos os profissionais, particularmente em áreas sensíveis, como Professores, médicos, dentistas, psicólogos, psiquiatras, creio que, chegará o dia de terem de instalar sistemas de vigilância próprios, com a finalidade de preservar a sua integridade, face à essas possibilidades que estamos vendo.

Minha homenagem à este Jornal por colher o contra-ponto do caso.

A mídia costuma formar uma opinião, e então à partir dela, só buscar informações relacionadas à essa versão. E é notável que este Jornal, não se renda à posição confortável da versão mais sensacionalista apenas.

Meus parabéns.

E que o verdadeiro culpado, paque pelo que fez.

Osmar Tubando de Araujo disse...

Eu entendo que a Gazeta foi buscar a verdade. Isto é elogiavel do ponto de vista jornalistico

Ângelo Chiarelli disse...

Tem que acabar com esse tarados

disse...

Dr. mansur estamos do seu lado....vc é inocente....

Anônimo disse...

Pelo que entendi da matéria, tudo aconteceu em 2008. Então após um ano o cara vai preso? Achava que podia prender só com flagrante! A Justiça, às vezes, tem excesso de zelo. Prendem mãos-boba e deixam soltos os que estupram, matam e sequestram. Desse jeito, em pouco tempo, vão prender quem tiver pensamentos obcenos para com as mulheres.

Compro Consórcios c/ + de 15 Pagas disse...

Acredito neste Sr. meu irmão (taxista e vereador/Rs) já passou por isso, as acusadoras eram do mesmo "nipe" dessa ai,(traficante ex presidiária) e fizeram isso a mando de alguem, acho que no caso do médico é a mesma coisa, tem alguém orientando ela.Plinio/Joinville

Anônimo disse...

Ah sim, e ele foi condenado em Rio do Sul tbem por ser inocente...me poupe, Gazeta!
Por que sera que tantas pessoas querem ferrar com esse medico hein? Hehehehe...safado, cadeia pra vc seu vagabundo!

Anônimo disse...

Parem de Acusar o coitado do Dr.
Voce Estava La Na Hora????? Nao ne!!!!
Entao Cale A Boca e Pare de Acusar
Nao Julgue Para Nao Ser Julgado!!!!
Fui....

Denise disse...

Eu como esposa, posso dizer que acredito fielmente no meu marido,pois não é 30 dias e nem meses que o conheço é mais de trinta anos,quanto as pessoas estarem falando do caso de Rio do Sul,realmente foi condenado la´pela a juiza desta cidade,pois eu mesma já tinha falado com ela ,pois ela própia tinha me dito que iria condená-lo.Só que ele não teve nenhum direito de se defender por isto o caso de Rio do Sul foi anulado e sendo julgado a revelia e quando isso aconteceu em Rio do Sul ele apenas era formado a um ano e meio.Ele se formou com muita dificuldade,estudou sua vida inteira em escola pública e trabalhou quinze anos no Banco do Brasil,sua vida foi de muíto sacrificio,ele não iria jogar tudo fora por uma qualquer.Mulher tem de melhor padrão com certeza até na Marlene Rica e não encomoda.Pois meu esposo sempre foi muíto companheiro e amigo e principalmente dos filhos.Pessoas que saiam pré-julgando um dia vai chegar a sua vez,jesus foi preso mal tratado e pré-julgado,só que ele morreu para nos salvar mas infelismente não conseguiu,tem pessoas muito más.Fica uma pergunta? Não acham estranho que um tarado vai abusar de alguém depois de dez anos, depois do caso que aconteceu em Rio do Sul,onde uma auxiliar foi de porta em porta buscar testimunhas para falar mal dele e nem poderiam usar um caso que foi anulado,isso sim é um crime que fizeram com a minha família.E uma mulher que se diz que foi abusada não iria querer remarcar uma nova consulta com o mesmo médico?Não acham?

Denise disse...

Agradeço os depoimentos que muítos tem feito a favor de meu esposo.Acho que as pessoas que o julgam mal não tem conhecimento de causa.Eu o conheço há muitos anos e acredito na sua inocencia.Espero as pessoas que o julgam mal nunca passem por este tipo de situação.Ele é uma pessoa como todas:Um pai,um esposo,chefe de família.